sábado, 24 de setembro de 2011

Israel Define Estrutura Para Carro Elétrico

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
21 de Setembro, 2011



Um dos mais ousados experimentos com carros elétricos do mundo está finalmente chegando às ruas em Israel. O projeto busca contornar alguns problemas comuns relacionados aos veículos elétricos, como a durabilidade da bateria e a incapacidade de percorrer longas distâncias. Mas, como costuma acontecer neste canto do mundo, a geopolítica está criando obstáculos.
A empresa Better Place, de origem israelense, mas sediada nos EUA, começou a comercializar seu sistema de transporte baseado em carro elétrico. Ao comprar o veículo, o consumidor adquire um pacote de serviços que minimizam os riscos relacionados ao carro e ampliam a capacidade de utilização.
Os principais entraves ao uso de carro elétrico estão relacionados à bateria. Nos primeiros modelos de elétricos vendidos nos EUA, por exemplo, as baterias estão perdendo a capacidade de recarga após poucos anos de uso. Isso preocupa e desestimula o consumidor.
Outro problema é a pouca autonomia das baterias, que em geral permitem viagens em torno de 150 km. Como a recarga demora várias horas, não é possível usar o carro elétrico em percursos longos. E, quanto maior a bateria, mais espaço ela ocupa no veículo.
Começou a pré-venda do primeiro modelo elétrico no país, da Renault, mas questões políticas podem atrasar processo
Por fim, há o problema da recarga. As montadoras apenas vendem os veículos. Como a demanda ainda é pequena, ela não estimula a instalação de postos de recarga. E, se cada montadora usar uma "tomada" diferente, ficará ainda mais difícil ter um sistema unificado de recarga.
O modelo de negócio da Better Place oferece serviços que buscam resolver ou atenuar esses problemas. Esses serviços incluem a instalação de um sistema de carregamento na casa do usuário, de "tomadas" pelas cidades e de um sistema de troca de baterias em postos instalados ao longo das estradas do país.
A proposta mais inovadora é que o cliente compra o carro, mas a bateria é fornecida em comodato. Esse modelo difere do mais comum, no qual a bateria é vendida com o veículo, transferindo ao consumidor os risco inerentes à peça. Com o comodato, a bateria pode ser trocada nos postos nas estradas. E também será trocada no caso de perder a capacidade de recarga ou de surgir no mercado um modelo melhor, mais eficiente.
Isso exige que a montadora adote um modelo de bateria padronizado, que se adapte ao sistema de troca, que é robotizado. A troca da bateria, que pesa 250 kg, leva cinco minutos. A montadora deve ainda usar a tomada padrão da Better Place.
Por enquanto, a única montadora que aderiu ao sistema foi a Renault - Nissan. "Esperamos ter mais montadoras no futuro", disse Julie Mullins, porta-voz da Better Place no centro de demonstração da empresa de Tel Aviv.
Neste mês começou a pré-venda do primeiro modelo elétrico, o Fluence ZE, da Renault, um sedã que deve concorrer com o Corolla, da Toyota, o carro mais vendido em Israel. O preço do carro elétrico é idêntico ao preço do modelo convencional concorrente, cerca de R$ 60 mil para o modelo básico. O modelo elétrico é favorecido por um benefício fiscal dado pelo governo.
O cliente pode optar por pagar pela energia elétrica de acordo com o que utiliza ou comprar pacotes com desconto. Um pacote que permite rodar cerca de 1.500 km sai aproximadamente R$ 400 ao mês. Como a gasolina em Israel é um pouco mais cara que no Brasil, o preço do quilômetro rodado é competitivo com o de um modelo convencional a gasolina.
Seis dos 55 postos de troca de baterias previstos já estão prontos nas estradas israelenses. A empresa também está instalando milhares de carregadores em estacionamentos privados, de empresas e em áreas públicas.
A Better Place prevê iniciar o seu sistema integrado em países pequenos, como Israel e Dinamarca, para teste. Se o modelo tiver sucesso, será exportado gradualmente para países maiores.
Mas o lançamento do carro elétrico em Israel corre o risco de sofrer atrasos por conta de tensa e instável situação política no Oriente Médio. A entrega dos primeiros carros está prevista para dezembro. Mas os veículos são fabricados na Turquia. E, há duas semanas, o governo turco rompeu relações com Israel, e o primeiro-ministro Recep Tayyp Erdogan prometeu suspender todas as relações comerciais com os israelenses. Isso incluiria a exportação dos veículos.
A Better Place admite que não sabe se terá os carros para entrega em dezembro. "Temos um contrato com a Renault, e não com a Turquia. Esperamos que até lá a Renault tenha solucionado esse problema", disse a porta-voz Mullins.
Não está claro se o premiê Erdogan cumprirá a ameaça. O comércio entre os dois países cresceu muito desde a assinatura de um acordo de livre comércio, em 1996. Neste ano, até agosto, a Turquia exportou 16.400 veículos a Israel (cerca de 10% das carros vendidos no país), quase US$ 500 milhões.
A Better Place foi criada em 2007, com capital das empresas de investimento VantagePoint Venture Partners e Israel Corp. Desde então, conseguiu levantar mais de US$ 750 milhões com investidores. O presidente e fundador da empresa é o israelense Shai Agassi.

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