quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ipiranga e Raízen disputam segundo lugar

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
26 de Dezembro, 2011


Conforme Luiz Henrique Guimarães, vice-presidente comercial da Raízen, a companhia quer avançar em galonagem .
A briga pela vice-liderança em distribuição de combustíveis no Brasil vai acirrar a disputa entre Ipiranga, do grupo Ultra, e Raízen, joint venture entre a Shell e Cosan. As duas companhias estão fazendo investimentos pesados em 2012 para ganhar mais espaço nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, consideradas com maior potencial de expansão no país.
Dominado pela BR Distribuidora, da Petrobras, com participação nacional de 39%, o mercado de distribuição de combustíveis no Brasil deverá fechar 2011 com 110,3 bilhões de litros comercializados, crescimento de 2,8% sobre 2010, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom).
O crescimento desse mercado para o consumo de gasolina e etanol tem forte respaldo no aumento de renda da população, sobretudo da classe C, e na entrada de cerca de 3,5 milhões de veículos novos por ano. As obras de infraestrutura estimulam também a demanda por diesel.
Com investimentos estimados em R$ 775 milhões para 2012, o grupo Ultra, dono da marca Ipiranga, vai focar seus planos de expansão nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, uma vez que o crescimento na região Centro-Sul do país já está consolidado, afirmou Pedro Wongtschowski, presidente da companhia. O grupo tem uma participação nacional de cerca de 21% - enquanto nessas regiões está em 12%. "Temos espaço para crescer", afirmou. A expansão será em conversões de postos de bandeira branca e em aquisições de redes regionais, segundo o executivo.
Seguindo essa mesma rota geográfica e estratégica, a Raízen, que desde o dia 1º de junho está com operações integradas, trabalha a marca Shell no Brasil. "Até o fim de 2013 os postos da Esso [da Cosan] serão convertidos para Shell", disse ao Valor Luiz Henrique Guimarães, vice-presidente comercial da Raízen. A união entre Cosan e Shell, anunciada no início de 2010, fortaleceu o negócio de distribuição das duas companhias em um mercado altamente concentrado e de margens apertadas. Na terceira posição, mas quase encostada na sua concorrente, a companhia está mapeando o país para expandir seus tentáculos na busca pela vice-liderança.
A Raízen está investindo em centros de distribuição e estocagem de combustíveis no Centro-Oeste e também analisa oportunidades de aquisições regionais para ganhar mercado. A empresa não abriu seus investimentos para 2012, mas o Valor apurou que será praticamente da mesma ordem de grandeza de seus concorrentes. A meta da empresa é abrir aproximadamente 300 postos novos no ano que vem - o grupo tem cerca de 4.500 unidades.
A companhia também quer dobrar sua participação na distribuição de etanol no Centro-Oeste nos próximos três anos, principalmente no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Atualmente, a participação da Raízen nessa região é de cerca de 9%. O Centro-Oeste é considerado estratégico por conta da expansão da oferta de álcool em razão dos investimentos do grupo em usinas. Com a joint venture, a Shell também passou a ser produtora de etanol e açúcar.
Com liderança consolidada, a BR Distribuidora também promete não ficar parada. A companhia tem orçamento de R$ 1,3 bilhão para crescer no país em 2012.
A disputa pelo segundo lugar passou a ficar mais acirrada em 2010, quando a Cosan e Shell decidiram se associar. Com a joint venture, a Raízen ameaçou a vice-liderança da Ipiranga. A compra de uma rede com participação relevante para se consolidar no segundo lugar tornou-se o objeto de desejo das duas concorrentes, embora o discurso de ambas seja por aquisições que agreguem em galonagem e não em quantidade de postos.
As apostas do mercado eram que uma das duas companhias compraria a AleSat, resultado da união em 2006 entre as redes Ale, controlada pela mineira Asamar, e da potiguar Sat. No entanto, como o fundo de private equity Darby , sócio da companhia, está negociando sua saída da holding AleSat, as conversações emperraram, segundo fontes próximas à companhia.
Tanto Ipiranga como Raízen já conversaram com os controladores da AleSat, mas os negócios não evoluíram, segundo apurou o Valor. "Os postos da rede não têm grande galonagem", afirmou uma fonte. O grupo Bunge também foi apontado, recentemente, como um dos possíveis interessados nos ativos da distribuidora. Procurados, Bunge e a AleSat negam negociações.
Marcelo Alecrim, presidente do grupo, afirmou que a empresa investirá R$ 135 milhões em 2012 para abrir cerca de 200 postos. Sobre o fundo americano Darby, Alecrim disse que é o caminho natural a saída de um fundo de private equity do negócio, quando o projeto atinge seu amadurecimento. Segundo o empresário, o grupo não está à venda e não descarta abertura de capital para promover sua expansão. "Já estamos no Nordeste, queremos avançar para o Centro-Sul."

Limite da alíquota da Cide-Combustível sobe para R$ 602

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
26 de Dezembro, 2011


BRASÍLIA - O governo ampliou de R$ 37,20 para R$ 602 o limite máximo da alíquota específica para a Cide-Combustível que incide sobre o metro cúbico do álcool anidro e hidratado.
Com a medida, que entra em vigor a partir de 1º de abril de 2012, o governo aumenta sua margem de tributação sobre o mercado de álcool, incluindo estoques.
Os técnicos da Receita Federal informaram que a alíquota atual está zerada e que a definição de um valor específico, até o limite de R$ 602 por metro cúbico, terá que ser definida por meio de decreto.
A elevação do limite da alíquota específica da Cide-Combustível é uma medida de política econômica que visa criar margem para o governo manobrar a tributação sobre o álcool etílico. Com essa mudança o governo pode, por exemplo, criar regimes tributários específicos para o álcool anidro (adicionado à gasolina) e álcool hidratado (bomba), conforme a sazonalidade da produção e oferta dos insumos.

Governo aumenta alíquota da Cide sobre o álcool

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
27 de Dezembro, 2011

Em medida destinada a ampliar a margem de manobra do governo na regulagem do mercado de álcool, o Ministério da Fazenda elevou de R$ 37,20 para R$ 602 o limite da alíquota específica da Cide-Combustível cobrada pelo metro cúbico de álcool etílico. O novo teto para a cobrança da Cide abrange a venda de álcool anidro, adicionado à gasolina, e do álcool hidratado, vendido nos postos de gasolina, e estará em vigor em abril.
A mudança, prevista na Medida Provisória 556 publicada na edição de ontem do "Diário Oficial da União", representa uma elevação do valor máximo que o governo poderá cobrar pelo metro cúbico do álcool combustível. O valor efetivo a ser cobrado, considerando o máximo de R$ 602, terá de ser definido por meio de decreto. Atualmente, a Cide-Combustível do álcool está zerada.
Ao explicar a alteração, o subsecretário substituto de Tributação, Fernando Mombelli, disse que a elevação da alíquota específica representa uma medida de política econômica destinada a ampliar a margem de manobra do governo na definição de uma política para produção, estocagem e oferta desse combustível. Com um espaço maior para definir as alíquotas, o governo poderá, também, delinear medidas específicas para os mercados de álcool anidro e de álcool hidratado. "Essa medida representa uma abertura para possibilitar que a política econômica administre melhor o mercado do álcool destinado a combustível", disse Mombelli.
Também na MP 556 o governo define benefícios tributários para a construção civil. Sobe de R$ 75 mil para R$ 85 mil o valor comercial de residências do Minha Casa, Minha Vida no qual as construtoras poderão substituir o recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins por um pagamento unificado de tributos federais equivalente a 1% sobre a receita. Esse benefício visa compensar as construtoras pelo aumento de custos decorrentes da valorização dos terrenos nas regiões metropolitanas.
Em outra medida de benefício tributário, o governo federal prorrogou para o fim de 2015 a vigência do regime tributário especial denominado Reporto. Por esse regime, permanecerão suspensas a cobrança de IPI, PIS, Cofins e Imposto de Importação de produtos, insumos e máquinas usados na ampliação e melhoria dos portos.
O governo definiu ainda em quais condições as empresas exportadoras terão acesso ao benefício tributário de devolução de 3% da receita exportada, conforme especificado no regime tributário do Reintegra. De acordo com a Receita Federal, se a empresa exportadora não efetivar a venda no exterior no prazo de 180 dias a contar do prazo previsto para o embarque, a empresa não terá acesso ao benefício. E as que tiverem acesso ao recurso em tempo inferior e não comprovarem a exportação terão que devolver os recursos.
Ainda na MP 556, o governo especificou que a contribuição previdenciária de 11% recolhida pelos servidores públicos federais não incidirá sobre adicional de férias, adicional noturno e adicional por serviços extraordinários. A MP estabelece também que a cobrança dos 11% não incide sobre valores pagos a servidores por ocupação de cargos em conselhos ou órgãos deliberativos, na condição de representantes do governo.

Etanol brasileiro pode ter acesso livre a mercado dos EUA

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
26 de Dezembro, 2011

O fato de o Congresso dos Estados Unidos não ter renovado os subsídios ao etanol de milho e a tarifa sobre a importação do biocombustível antes do recesso parlamentar, permitindo que expirem no fim do ano, não impede que os parlamentares retomem o tema em 2012. Contudo, a aprovação de novas medidas protecionistas parece improvável em um ambiente político hostil ao aumento de gastos públicos.
Tanto o subsídio quanto a tarifa de importação expiram no dia 31 de dezembro e, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), abrem caminho para o livre acesso do álcool brasileiro ao mercado americano.
Em junho deste ano, o Senado americano aprovou uma emenda que derrubava o pagamento de US$ 0,45 por galão aos produtores de etanol e também a tarifa de importação de US$ 0,54 por galão do produto. Para entrar em vigor, o dispositivo precisava ser aprovado pela Câmara, o que não ocorreu.
Mas, com o encerramento das atividades no Congresso americano para 2011 na sexta-feira, fica valendo a legislação atual dos EUA, que prevê o fim dos benefícios no dia 31 de dezembro.
Desde o início dos anos 80, quando os subsídios e a tarifa começaram a vigorar, os congressistas americanos renovaram ambos todos os anos, mas a Unica acredita que não voltarão a fazê-lo agora, pois não existe ambiente político para sustentar um apoio de US$ 6 bilhões ao segmento de etanol nos EUA num momento em que o país busca cortar gastos por causa da crise econômica. Para Marcos Jank, presidente da Unica, a renovação da tarifa não é impossível, mas ficou bastante difícil.
De acordo com a entidade, ainda que tenha havido, nas últimas semanas de atividade do Legislativo americano, articulações por uma extensão dos subsídios e da tarifa, "prevaleceu a coalizão formada por inúmeras empresas e entidades contrárias a esses incentivos, da qual participa a Unica".
Os efeitos positivos da queda tarifa do etanol, porém, não serão vistos no curto prazo, já que no momento o Brasil enfrenta dificuldades até para suprir a demanda interna de etanol. A oferta apertada fez os preços do etanol hidratado subirem 11,60% este ano e os do anidro, 9,86%, segundo o Cepea/Esalq.
Jank avalia que uma queda da tarifa de importação para o etanol beneficiará as exportações brasileiras do produto "ao longo da década". Hoje o Brasil exporta 1,5 bilhão de litros de etanol, sendo 60% para o mercado americano, segundo a Unica.
Segundo o dirigente, o Brasil tem potencial para exportar 15 bilhões de litros em 2022, quando, conforme prevê mandato em vigor no EUA, 57% do etanol consumido no mercado americano (cerca de 136 bilhões de litros) deve ser do tipo avançado. O produto brasileiro, feito à base de cana, foi reconhecido como avançado pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA porque emite menos gases causadores do efeito estufa.

Mais um ano de oferta de etanol apertada no país

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
28 de Dezembro, 2011

"O desafio de 2012 será obter a desoneração tributária do etanol", diz Jank
Após um ano de forte quebra na safra de cana-de-açúcar, oferta de etanol apertada e interferências relevantes do governo no mercado, o segmento sucroalcooleiro tem poucas perspectivas de mudança em 2012 por conta da estagnação de seu ritmo de crescimento. Apenas uma ou duas usinas novas deverão entrar em operação - na temporada 2008/09, auge da febre do etanol no país, foram 30 -, e a esperança é que as margens aumentem para que a expansão dos canaviais volte a ganhar impulso nos anos seguintes.
O etanol segue no epicentro dessa inércia, que começou com a crise mundial emergida em 2008. Intensivas em capital e com custos de produção elevados, as usinas ostentaram, nesta safra 2011/12, preços de etanol hidratado 33% mais elevados do que entre maio e dezembro de 2010, segundo o Cepea/Esalq, mas insuficientes para estimular novos investimentos.
"Esses preços remuneram quem já está no setor, mas não novos projetos", afirma Pedro Mizutani, vice-presidente da Raízen (Cosan / Shell), maior empresa produtora de açúcar e etanol do Brasil.
Apesar da oferta menor que a demanda potencial, os preços do hidratado esbarram, na alta, na relação de competitividade com a gasolina. Economicamente, o biocombustível é competitivo até seu valor chegar a cerca de 70% do que custa a gasolina - cujos preços têm sido mantidos estáveis pelo governo. Não há perspectiva de que esse cenário mude em 2012.
No caso do anidro, o governo arbitra oferta e demanda por meio da mudança na mistura do produto na gasolina, reduzida em outubro de 25% para 20% para evitar desabastecimento. "Ainda não temos nenhuma sinalização do governo sobre quando a mistura retornará para 25%", afirma Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Assim, tanto os bancos que financiam o segmento como as indústrias que fabricam equipamentos para novas usinas continuam a registrar baixa demanda por novos projetos, situação que já perdura há cerca de dois anos.
A própria Raízen revisou seus planos de crescimento. A companhia previa atingir em 2020 capacidade para moer 100 milhões de toneladas de cana, ante as 65 milhões de toneladas atuais. Agora, reduziu a meta para 80 milhões, e a maior parte do volume adicional virá de reformas de usinas existentes.
O fato é que, neste momento, sobra usina e falta cana. A escassez de investimentos nos últimos anos fez aprofundar a diferença entre a capacidade industrial e o volume de matéria-prima disponível. Na atual safra, foram processadas 490 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, quando a capacidade instalada é para moer de 630 milhões a 650 milhões de toneladas.
As previsões mais otimistas para a moagem do ano que vem (safra 2012/13) indicam aumento de 8% a 10%, para cerca de 540 milhões de toneladas de cana.
A quebra de safra deste ano não foi compensada pelos preços altos do etanol e nem pelas cotações recordes de açúcar, que superaram os 30 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York. Por isso, o faturamento e as margens foram menores do que as esperadas pelas usinas, que entrarão em 2012 sem redução de endividamento.
Segundo levantamento do Itaú BBA, a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) média do setor deve recuar de 30% para 29% nesta safra 2011/12. Na visão do banco, as empresas geraram caixa, mas o foco está no pagamento de juros das dívidas e investimentos para recuperar os canaviais.
O cenário de preços para este ano, sobretudo para açúcar, mostra-se claramente mais baixista, diz Mizutani, com a perspectiva de maior produção da commodity na Índia, Tailândia, Rússia e União Europeia. A consultoria europeia Czarnikow previu neste mês que o superávit global em 2012 será de 6,1 milhões de toneladas de açúcar. "Por isso, acredito que os preços ficarão entre 20 centavos e 24 centavos de dólar a libra-peso em Nova York", aposta o executivo da Raízen.
Já para os preços do etanol hidratado, Mizutani prevê cotações firmes, puxadas pela demanda crescente alimentada pelo aumento da frota-flex. Ele acredita que o consumo interno de hidratado vai crescer entre 2 bilhões e 3 bilhões de litros no ano que vem.
retração em uma década - e que neste ciclo poderá avançar, mas sem se recuperar plenamente -, a condição de abastecimento de etanol, se bem monitorada, não deve trazer mazelas a partir de 2013, conforme o presidente da Unica.
Ainda que para 2012 esteja tarde, Marcos Jank acredita nos efeitos positivos de algumas medidas recentes anunciadas pelo governo para dirimir o problema no futuro: o financiamento da estocagem de etanol e a obrigatoriedade de as distribuidoras contratarem antecipadamente o anidro que vai ser misturado à gasolina. "Esses instrumentos darão mais segurança ao abastecimento", acredita Jank.
Ele criticou, no entanto, a medida anunciada ontem pelo governo, que torna possível o aumento da incidência da Cide no etanol. "Foi criada para evitar oscilação de preço ao consumidor final no pico de safra, mas vai é aumentar a carga tributária do biocombustível", afirma o presidente da Unica.
Essa medida vem justamente em um momento em que o que o segmento mais demanda, segundo Jank, é desoneração tributária do etanol. Segundo levantamento da Unica, os tributos representam atualmente 35% do valor da gasolina e 31% do preço do etanol hidratado. "Essa participação é quase igual, pois o etanol tem rendimento energético 30% menor do que o da gasolina", diz Jank.
Ele diz que um dos desafios de 2012 será criar uma interlocução mais direta com a cúpula do governo para discutir a desoneração tributária do etanol. "Tem que haver desoneração do PIS/Cofins para o etanol e não somente da cana, como ouvimos dizer que haverá".

Vendas em shopping centers crescem 12% em 2011, diz Alshop

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
26 de Dezembro, 2011

SÃO PAULO - As vendas do setor de shopping centers no Brasil devem encerrar o ano somando R$ 104,1 bilhões. O valor representa um crescimento de 12% em relação a 2010, quando este mercado registrou vendas de R$ 93 bilhões. Apesar disso, a taxa de expansão deste ano é inferior à do ano passado, quando o setor cresceu 16,3%.
Os dados são da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), que realiza na manhã de hoje, em São Paulo, coletiva de imprensa para anunciar os resultados de 2011 e expectativas do setor no próximo ano.
A desaceleração das vendas, por influência do cenário externo, foi sentida neste Natal: a expectativa da Alshop era de um crescimento de 6,5% nas vendas de fim de ano. Mas o resultado foi um aumento de 5,5%.
"Esse cenário já havia sido observado em outubro e nas primeiras semanas de novembro, quando notícias negativas vindas do exterior fizeram o consumidor dar uma freada nas compras", afirma Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.
Apesar do crescimento em 2011 inferior ao de 2010, o setor de shopping centers apresentou um desempenho melhor que o do varejo como um todo, segundo a Alshop. O varejo brasileiro deve encerrar o ano com faturamento de R$ 705 bilhões, o que representa um crescimento de 10,5% sobre 2010, de acordo com a pesquisa da entidade, feita em parceria com o Ibope Inteligência.

Shoppings esperam manter taxa de crescimento em 2012, aponta Alshop

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
26 de Dezembro, 2011


SÃO PAULO - As vendas nos shopping centers devem crescer entre 10% e 12% no próximo ano, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). O índice é semelhante ao crescimento nas vendas deste ano, que cresceram 12% para R$ 104,1 bilhões.
"A política do governo em relação às taxas de juros, que estão entre as mais altas do mundo, pode dizer qual deve ser o nosso índice de crescimento em 2012", diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.
Sahyoun ressalta que, tradicionalmente, o primeiro trimestre é mais fraco para o comércio, por contas dos diversos compromissos das famílias, como compra de material escolar, pagamento de impostos como IPTU e IPVA, entre outros.
Para o presidente da Alshop, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI) na linha branca, anunciada no início deste mês, "chegou muito tarde". "O governo precisa entrar com outros incentivos no próximo ano", diz ele, em relação ao apoio às vendas do varejo.

Indicadores confirmam Natal fraco e sugerem poucas encomendas à indústria

SHOPPING CENTER
Valor Econômico

27 de Dezembro, 2011

Os dados preliminares das vendas no varejo confirmaram as projeções de que o Natal deste ano seria mais morno, com um crescimento bastante aquém do registrado no mesmo período de 2010. A demanda mais fraca neste fim de ano deve fazer com que o processo de ajuste de estoques em curso continue, inibindo um aumento mais forte de encomendas à indústria no início de 2012.
Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com base em dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), as vendas registradas pelo varejo aumentaram 2,3% neste Natal. O resultado destoou daquele registrado no mesmo período do ano passado, quando as vendas em relação a 2009 haviam aumentado 9,48%, e ficou abaixo da expectativa da confederação, que estimava avanço de 8% no período.
Para o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, além da inflação mais alta em 2011, que comprometeu a renda do consumidor, dois fatores contribuíram para o desaquecimento do setor varejista neste fim de ano: o nível de endividamento do brasileiro e o aumento da inadimplência, o que levou parte dos consumidores a usar o 13º salário para saldar dívidas.
Nos shopping centers também houve desaceleração nas vendas. A expectativa era de um crescimento de 6,5% nas vendas de fim de ano. Mas o resultado foi um aumento nominal de 5,5%, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Se for descontada a inflação, na média o resultado indica vendas inferiores às de igual período de 2010.
De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio-Natal 2011, as vendas do varejo no país na semana do Natal, em relação a igual período do ano passado, cresceram 2,8%. O dado (que considera volume vendido) mostra forte desaceleração. Em novembro em relação ao novembro de 2010, o indicador mostrava alta de 7%. O resultado, no entanto, ficou dentro do esperado, segundo Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian. "A pesquisa de expectativa do empresariado para esta época do ano já tinha detectado uma diminuição do otimismo", afirmou. Ele ressalta que em 2010 o crescimento das vendas foi de 15,5% sobre 2009. "Não foi um Natal ruim. Se olharmos apenas a taxa de crescimento, ficou distante do ano passado. Mas a base de comparação é alta."
Alguns itens procurados no fim de ano como presentes de Natal apresentaram deflação nos doze meses até novembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o preço de televisores caiu 18% no período, enquanto computadores ficaram 12,1% mais baratos. Outros produtos como bicicleta e brinquedos tiveram aumento abaixo dos 6,97% registrados pelo IPCA no período, mas vestuário e calçados subiram mais.
Segundo Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, as vendas de Natal não devem marcar novo ritmo para a economia, mas ela enxerga retomada na margem ao projetar avanço de 2% do comércio em dezembro ante o mês anterior, com base na pesquisa mensal do IBGE, na série com ajuste sazonal. A economista avalia que essa recuperação deve ocorrer pela desoneração tributária concedida no início do mês para alguns itens da linha branca.
No entanto, ela ressalta que o efeito da redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é de antecipação do consumo, o que não deve gerar demanda adicional ao longo de 2012. A consultoria não projeta recuperação da indústria no próximo ano, com crescimento de 2%, ante estabilidade em 2011.
Na contramão das pesquisas de outras entidades, o levantamento preliminar da Associação Paulista de Supermercados (Apas) para as vendas do setor mostrou aumento real de 6% entre 1º e 24 de dezembro em relação a igual período de 2010. O balanço parcial superou a expectativa de alta de 5% da entidade. Para Martinho Paiva, diretor da Apas, o resultado foi "muito bom, especialmente diante do cenário macroeconômico mais difícil atualmente. A compra de alimentos não foi afetada pelo desaquecimento da economia", disse.

Nos EUA, consumidor é rastreado e estratégia muda rapidamente

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
28 de Dezembro, 2011



Na internet, cada clique e zigue-zague do mouse ajuda as empresas de varejo a personalizar sites e maximizar a probabilidade de compra. As lojas físicas tradicionais há muito desejam acompanhar os consumidores de forma parecida, mas acompanhar átomos é bem mais complexo do que acompanhar bits. Na maioria das vezes, as lojas convencionais se contentaram em recorrer a pesquisas sobre os consumidores, diz Herb Sorensen, assessor da empresa de analises de mercado TNS Retail & Shopper, em Londres. "O problema com pesquisas é que o consumidor pode dizer uma coisa e fazer outra."
Para entender melhor os clientes on-line, as operadoras de shopping centers vêm monitorando o comportamento dos consumidores com aparelhos que acompanham os sinais dos celulares, enquanto varejistas, como Montblanc, T-Mobile e Family Dollar Stores, encontram novos usos para antigas ferramentas como as câmeras internas de segurança. O objetivo é adivinhar que variáveis afetam as compras e, então, agir com rapidez, deslocando homens de vendas, alterando mostradores ou colocando blusas vermelhas em vez de azuis. Até recentemente, as "lojas eram como um buraco negro", diz Alexei Agratchev, CEO da consultoria RetailNext. "As pessoas se convenciam de que algo era verdade e gastavam dezenas de milhões com base nisso", sem evidências que as sustentassem.
A Montblanc começou a testar a análise de vídeos da RetailNext em Miami há seis meses e as vendas cresceram 20%
Agratchev diz que a RetailNext foi fundada em 2007 para mudar isso. A empresa ajuda varejistas a entender melhor o comportamento dos consumidores. Na maioria dos casos, a empresa recorre a vídeos dos sistemas de câmeras de segurança que as lojas já têm. Esses dados servem para alimentar um software da RetailNext, que analisa os vídeos e os relaciona com os números de vendas. O programa pode integrar dados de aparelhos como chips de identificação de radiofrequência (RFID, na sigla em inglês) e sensores de movimentos que detectam, por exemplo, quantas vezes uma caixa de determinada marca de cereal é levantada ou quantos clientes viram à esquerda quando entram na loja.
A empresa tem 40 clientes varejistas, entre os quais a American Apparel e a Family Dollar, além de 20 que estão testando o sistema. Por exemplo: empresas de alimentos pagam a mais para que seus produtos sejam expostos no fim de corredores. Segundo a RetailNext, porém, o consumidor presta mais atenção em produtos colocados no centro dos corredores.
A varejista de artigos de luxo Montblanc começou a testar a análise de vídeos da RetailNext em uma loja em Miami há seis meses. Os funcionários usam o serviço para criar mapas mostrando que partes da loja têm mais tráfego de pessoas e decidir onde colocar as decorações internas, vendedores e mercadorias. Rodrigo Fajardo, gerente de marcas da Montblanc em Miami, diz que as análises ajudam a tomar decisões com mais rapidez. "Não levamos seis meses para fazer mudanças", diz. "Analisamos uma semana e na semana seguinte estamos fazendo as mudanças." Ele diz que o software ajudou a elevar as vendas em 20% e que a Montblanc pretende expandir seu uso para mais de dez pontos de venda.
A T-Mobile emprega uma tecnologia similar, da 3VR, uma fabricante de sistemas de segurança de San Francisco. Há dois anos, executivos da 3VR perceberam que suas câmeras poderiam ser usadas para reunir dados sobre o consumo, de acordo com o CEO da empresa, Al Shipp. Ele diz que a T-Mobile, em Bellevue, Washington, usa a tecnologia em algumas de suas lojas de varejo para acompanhar como as pessoas se locomovem, quanto tempo ficam em frente aos mostradores e que telefones pegam para ver de perto e por quanto tempo. A T-Mobile não quis comentar o assunto.
Shoppings alertam clientes para desligarem o celular se não quiserem ser monitorados, mas prática é polêmica
Atualmente, a 3VR testa um software de reconhecimento facial que pode identificar o gênero e idade aproximada do consumidor. O programa dará aos varejistas mais conhecimento sobre as faixas demográficas dos clientes e ajudará a fazer promoções sob medida, diz Shipp. "Algum dia, teremos capacidade para avaliar cada indicador imaginável. Estamos apenas começando a conhecer a superfície."
Alguns varejistas vêm instalando equipamentos para acompanhar os compradores via celulares. A Path Intelligence, empresa de Portsmouth, na Inglaterra, começou a vender uma tecnologia em 2009 que detecta o sinal de celulares e pode rastrear a movimentação de quem estiver com o telefone dentro de um prédio. Atualmente, o sistema é usado principalmente em centros comerciais na Europa. Segundo a empresa, é possível detectar a locomoção de mais de 1 milhão de clientes por dia. Alguns varejistas usam os dados para definir onde instalar lojas, segundo a CEO da Path Intelligence, Sharon Biggar. Outros usam o sistema para descobrir a nacionalidade dos clientes, detectando o código do início dos números de telefone.
Os shopping centers que usam o sistema, chamado FootPath, colocam placas na entrada e nos mapas de localização das lojas informando os clientes de que seus celulares estão sendo rastreados e que devem desligar os aparelhos se não quiserem ser monitorados. Rastreamentos desse tipo preocupam grupos de defesa da privacidade. David Jacobs, pesquisador do Electronic Privacy Information Center, diz que é "impraticável" sugerir aos consumidores o desligamento dos celulares.
A Path Intelligence informa que não grava a identidade de ninguém e altera alguns dos dígitos dos números de celular antes de armazená-los. "Projetamos este serviço de forma que seja impossível detectar qualquer informação pessoal ou associar o número a uma pessoa", diz Biggar.
Nem todos se sentem confortáveis com a ideia. Em novembro, o Short Pump Town Center, em Richmond, Virgínia, e o Promenade Temecula, na Califórnia, começaram a testar o FootPath pela primeira vez nos Estados Unidos. O teste foi cancelado um dia depois, por reclamações do senador Charles E. Schumer (democrata por Nova York) de que a tecnologia poderia comprometer a privacidade dos consumidores. "Gostaríamos de resolver as preocupações sobre privacidade antes de seguir adiante", diz Julia Yuryev, da Forest City Commercial Management, proprietária dos dois centros comerciais. A J.C. Penney testou a tecnologia em uma loja, mas não tem planos para efetivá-la, segundo Rebecca Winter, porta-voz da rede. "Quanto mais se foca no comprador, maiores são os riscos", diz Jacobs. Mark Rasch, diretor de segurança on-line e privacidade da CSC, uma consultoria em Falls Church, Virgínia, diz que rastrear telefones ou usar câmeras "não é mais invasivo do que [as práticas que] as varejistas on-line fazem".
Essas ferramentas deverão tornar-se mais comuns se outros varejistas puderem repetir o sucesso da Montblanc no aumento das vendas. "É realmente uma experiência que muda as regras do jogo e este é apenas o começo", diz Fajardo, da Montblanc. "Antes, estávamos trabalhando apenas com base em certo know-how e intuição. Isto se trata de planejar o negócio de varejo com base em estatísticas reais."

Petrobras firma acordo com Kuwait Petroleum para comprar diesel

COMBUSTÍVEIS
Exame
24 de Dezembro, 2011


A estatal brasileira assinou contrato de um ano com a KPC para compra de 25 mil toneladas de diesel por mês a partir de janeiro de 2012

 
Plataforma da Petrobras: fornecedores com muita ambição, mas pouco capital
Cingapura - A  Petrobras irá adquirir diesel da estatal Kuwait Petroleum Corp (KPC) por meio de um acordo excepcional para o próximo ano, em meio a um aumento da demanda doméstica que forçou a petrolífera a buscar alternativas de fornecimento.
A estatal brasileira assinou contrato de um ano com a KPC para compra de 25 mil toneladas de diesel por mês a partir de janeiro de 2012, conforme duas fontes próximas ao assunto afirmaram nesta sexta-feira.
O volume será adicionado a um contrato já existente entre ambas empresas, de 40 mil toneladas por mês, para fornecimento à Petrobras entre meados de 2011 e o final de 2012, segundo as fontes.
A KPC era fornecedora de petróleo bruto e outros produtos à Petrobras na década de 1990.

Estocagem de etanol terá subsídio de até R$ 500 mi por ano

COMBUSTÍVEIS
Exame

26 de Dezembro, 2011


Informação é da Medida Provisória número 554 publicada no Diário Oficial da União
O dinheiro para o programa de estocagem virá da Cide, taxa cobrada na comercialização de combustíveis
São Paulo - O governo federal poderá conceder subsídios de até 500 milhões de reais por ano para estimular a formação de estoques de etanol no Brasil, segundo a Medida Provisória número 554 publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira.
Os recursos da União serão utilizados para reduzir os custos das usinas de etanol na captação de recursos junto a instituições financeiras para financiar a formação de estoques do produto.
Essa era uma medida em análise no governo há bastante tempo e foi assinada pela presidente Dilma Rousseff na última sexta-feira.
O objetivo do governo é estimular a construção de estoques do produto no Brasil para estabilizar a oferta em períodos de entressafra de cana e reduzir a volatilidade nos preços do etanol no mercado brasileiro.
Os termos destas operações ainda serão definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), diz a MP, mas o subsídio ficará disponível por um período de cinco anos, o que representa a disponibilização de recursos de até 2,5 bilhões de reais pela União no total.
O dinheiro para o programa de estocagem virá da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), taxa cobrada na comercialização de combustíveis, da Poupança Rural e de outras fontes que serão definidas pelo CMN, diz a MP.
O setor de etanol ainda aguarda por um outro conjunto de medidas do governo federal, destinado a reduzir o custo de produção do biocombustível no Brasil, que poderia incluir queda em tributos e linhas de crédito subsidiadas para investimentos em expansão da capacidade de processamento e do plantio de cana.
O diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues, afirmou que a medida do governo veio mais ou menos em linha com o que o setor esperava para a estocagem.
"Agora pelo menos é uma lei... define de onde saem recursos, já pode colocar no orçamento, e no início da próxima safra tudo já estará resolvido", afirmou.
"A MP é um passo. Avançou mas ainda tem muito que avançar... ficam faltando as linhas de financiamento. O setor precisa plantar", acrescentou Padua, cobrando a segunda parte das medidas prometidas para a indústria sucroalcooleira.
A produção de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil caiu na safra atual pela primeira vez em quase uma década, como resultado de condições climáticas adversas e baixo investimento nos canaviais, que estão velhos.
Há necessidade de renovação dos campos e de maior investimento em tecnologia, assim como ampliação da área de cultivo.
Como resultado do desempenho das lavouras, a produção total de etanol do centro-sul até o início de dezembro, com a safra praticamente encerrada, ficou em 20,38 bilhões de litros, 17,7 por cento menor que na temporada passada.
Isso fez com que os preços do etanol subissem e o combustível deixou de ser competitivo frente à gasolina, cujo consumo registrou forte aumento.
Além da necessidade de maior produção para satisfazer a crescente demanda local por combustíveis, o governo e a indústria olham para a abertura do mercado externo para o produto.
A taxa de 54 centavos de dólar por galão sobre o etanol que os Estados Unidos importam vai acabar em 31 de dezembro, após o Congresso dos EUA ter entrado em recesso sem apreciar pedidos de parlamentares para renovar a tarifa.
A Unica fez um forte lobby nos EUA para que a taxa fosse derrubada, e agora que isso aconteceu as usinas brasileiras se encontram praticamente sem capacidade para disputar o mercado norte-americano.
O Brasil comprou mais etanol dos EUA do que vendeu para o país neste ano.

Fim dos subsídios ao etanol abre mercado americano para o produto brasileiro

COMBUSTÍVEIS
Exame
23 de Dezembro, 2011


Fim da barreira tarifária abre caminho para as diferentes matérias-primas utilizadas na produção de combustíveis eficientes

 
Brasília – O mercado norte-americano estará aberto para os produtores brasileiros de etanol a partir do mês que vem, de acordo com nota divulgada hoje (23) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Termina no próximo dia 31 a vigência da legislação norte-americana que instituiu subsídios para os produtores locais e criou uma tarifa de US$ 0,54 sobre cada galão (3,78 litros) importado de etanol, inviabilizando o produto brasileiro no mercado norte-americano com preços competitivos.
Na nota, o presidente da Unica, Marcos Jank, diz que o fim da barreira tarifária abre caminho para as diferentes matérias-primas utilizadas na produção de combustíveis eficientes. O que conta, segundo ele, é o baixo custo ambiental para produzir energia renovável, e a cana oferece essa possibilidade mais do que qualquer outro produto.
Jank salienta, inclusive, que o etanol de cana produzido no Brasil é reconhecido até mesmo pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos como o melhor combustível do mundo em termos de redução de emissões de gases causadores de efeito estufa.
O presidente da Unica lembra que o fim dos subsídios norte-americanos vem em um momento de transição para o setor sucroenergético brasileiro, que se esforça para incentivar um novo ciclo de crescimento do setor no país e atender à demanda por seus produtos, aqui e lá fora.
A prioridade, segundo ele, continua sendo o atendimento do abastecimento interno, mas acredita que com o fim da tarifa americana é possível visualizar a consolidação do etanol como commodity (produtos básicos com cotação no mercado internacional) como acontece com o açúcar.
Os Estados Unidos são o maior produtor mundial de etanol, que no país é produzido à base de milho, enquanto no Brasil (segundo maior produtor) o etanol é obtido da cana-de-açúcar. Os dois países respondem por mais de 80% do etanol mundial.
Neste ano, porém, o cenário de lenta recuperação da economia americana, com dívida de quase US$ 15 trilhões (cerca de R$ 28 trilhões), um déficit recorde no orçamento e pressão cada vez maior para que o país ponha suas contas em dia, teve impacto na defesa de uma medida que custa aproximadamente US$ 6 bilhões (cerca de R$ 11,1 bilhões) por ano aos contribuintes.
Ainda em junho, em decisão inédita, o Senado americano aprovou uma emenda que previa o fim da tarifa e dos subsídios. O projeto não foi adiante, mas foi encarado como uma indicação de mudança de postura no Congresso em relação a um tema que, até então, era tabu em Washington.
Nos últimos meses, até alguns produtores de milho vinham descartando a possibilidade de renovação da tarifa e dos subsídios no fim deste ano. Em artigo publicado no mês passado, o presidente da Associação Nacional de Produtores de Milho, Gary Niemeyer, disse que “os produtores de milho e a indústria de etanol há muito tempo concordaram” em deixar de brigar pela renovação do subsídio.