domingo, 18 de dezembro de 2011

Resultados Do Quarto Trimestre Devem Registrar Leve Melhora

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
13 de Dezembro, 2011


Os balanços corporativos relativos ao quarto trimestre do ano deverão apresentar uma pequena melhora, em especial aqueles das empresas ligadas ao mercado doméstico. A avaliação consta em relatório da Ativa Corretora, no qual ela traça o cenário para os resultados relativos aos últimos três meses do ano. Entre os segmentos com as melhores expectativas de performance para o período, a corretora destaca telecomunicações, alimentos, consumo, varejo, shopping centers, autopeças e logística.
Os desempenhos operacionais das empresas - que começarão a ser divulgados em meados de janeiro, embora o grosso mesmo ocorra em março - não devem ser muito diferentes daqueles observados no terceiro trimestre deste ano, avalia a equipe de análise da Ativa. "Uma leve melhora no nível de atividade, em especial ligada ao mercado doméstico, poderá se refletir na aceleração do crescimento da receita líquida, porém de forma ainda marginal", diz o relatório.
Para a Ativa, com custos e despesas mais controlados, a margem operacional das empresas deve sofrer pouca oscilação. Entre as duas companhias mais representativas da bolsa - Petrobras e Vale -, a estatal do petróleo deverá melhorar o desempenho em relação ao terceiro trimestre dado o pequeno reajuste na gasolina e no diesel implementado nas refinarias.
Para os analistas da Ativa, após um terceiro trimestre de fraco crescimento da economia brasileira, os últimos três meses de 2011 devem mostrar alguma melhora. Alguns indicadores já divulgados indicam um PIB com expansão próxima de 0,4% no período. O percentual, entretanto, representa uma desaceleração na comparação ante o quarto trimestre de 2010, quando a expansão foi de 1,6%.
O dólar também deve trazer um impacto menor nos resultados ante o observado no terceiro trimestre. E, com isso, contribuir para uma melhoria nos números das empresas endividadas em moeda estrangeira, avalia a Ativa. Já as medidas de afrouxamento monetário e de estímulo ao consumo adotadas recentemente somente serão sentidas na economia brasileira a partir do segundo trimestre de 2012, estima a corretora.
Com relação aos Estados Unidos, os dados recentes - em especial os relacionados ao mercado de trabalho, atividade e vendas no varejo - têm animado os analistas e indicado que o PIB pode mostrar uma leve inclinação para cima. "Porém, com a Europa caminhando para uma recessão, fica difícil não pensar em contágio também para outras economias desenvolvidas", ressalta a Ativa. "A possibilidade de um colapso no crédito mundial, com a necessidade de desalavancagem rápida, não somente eleva ainda mais o custo do dinheiro como asfixia a já fraca economia mundial", afirma o relatório.
Na Europa, o fim do ano deve mostrar deterioração da atividade na zona do euro, com inflação estável e confiança do consumidor em queda. Para a China, a avaliação da corretora é que o cenário de desaceleração também deve ser observado, dado que o governo chinês já se antecipou e afrouxou a política monetária para equilibrar o crescimento em nível ainda confortável no próximo ano.
A partir desse contexto, a Ativa selecionou alguns setores e empresas que poderão se destacar positivamente no quarto trimestre do ano, principalmente na comparação com o mesmo período de 2010. Interessante notar que o número de setores selecionados (sete) ficou ligeiramente abaixo do esperado no trimestre anterior. Isso sinaliza manutenção da deterioração de resultados, em linha com o cenário macroeconômico, afirma o relatório.
No segmento de telecomunicações, a Ativa ressalta a telefonia móvel, que deverá seguir com crescimento, impulsionada pela aceleração das receitas de dados. Nesse caso, o destaque fica por conta dos papéis da TIM.
Apesar da volatilidade nos preços das commodities, a demanda por proteínas deve se manter aquecida, propiciando a sustentação de preços. "Adicionalmente, esperamos melhoria operacional de algumas empresas em função das sinergias", diz a Ativa, se referindo principalmente às ações da BR Foods.
Na área de consumo, o otimismo com o desempenho do setor no último trimestre do ano prevalece. Nesse segmento, a corretora destaca a recuperação de performance operacional e expansão de fatia de mercado da Natura.
No varejo, a Ativa avalia que os vetores de crescimento para o setor continuam positivos. Os resultados do Pão de Açúcar deverão ser beneficiada por sinergias, enquanto o balanço da Lojas Renner deve ser favorecido pelo aumento da participação de produtos importados, assim como de sinergias após a aquisição da Camicado.
O crescimento no segmento de shopping centers se mantém forte, avalia a Ativa, porém mostrando desaceleração dada uma base elevada. Os destaques, nesse caso, ficam com BR Malls e Multiplan.
Na área de autopeças, a corretora diz acreditar num bom desempenho do setor automotivo, beneficiado principalmente pelo movimento de antecipação da demanda por veículos pesados no mercado interno. Com isso, os ativos da Marcopolo devem ser favorecidos.
Por fim, no setor de logística, o desempenho deve ser distinto entre as empresas. "Mas acreditamos na recuperação de margem operacional da Tegma, com destaque para o segmento de logística de bens de consumo", afirma o relatório.

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