domingo, 18 de dezembro de 2011

Fora Da Caixa

HOTELARIA
Valor Econômico
15 de Dezembro, 2011


Só neste ano no Brasil os contêineres saíram das coxias dos processos de logística e assumiram a linha de frente de projetos arquitetônicos comerciais - o que na Europa é comum há mais de dez anos. A novidade levantou discussões sobre projetos arquitetônicos sustentáveis e sua viabilidade comercial.
  Antonio Carlos de Mello e Arthur Norgren, da Contain(it): com soluções arquitetônicas personalizadas, contêiner pode ser mais que uma grande caixa móvel
Apesar do repentino estouro do assunto, Arthur Norgren e Antonio Carlos de Mello, do estúdio de arquitetura Superlimão, acreditam que o uso dos contêineres em projetos de arquitetura terá vida longa. Com essa crença, eles criaram no fim de 2011 a Contain[it], empresa especializada na transformação de contêineres em estabelecimentos comerciais móveis.
"Acreditamos no uso da matéria-prima e em um novo método construtivo, que propõe um uso inteligente desse material", diz Mello. A Contain[it] é fruto da sociedade entre Norgren, que é engenheiro, e os arquitetos do Superlimão - que contam com colaboradores especializados em sustentabilidade, que estudam da aerodinâmica à eficiência energética dos projetos. Eles acreditam que os contêineres podem fazer mais para empresas do que ser uma caixa fechada que vai de um lugar para o outro.
"É possível trabalhar para transformar essas 'caixas' em galerias de arte itinerantes, casas de baixa renda e até hotéis", conta Mello. O primeiro grande cliente da Contain[it] foi a Ambev, que encomendou quiosques itinerantes do chope Brahma. "Fizemos um projeto móvel com cara de instalação fixa, para praias e grandes eventos, de montagem rápida e de fácil replicação", diz Norgren.
Recentemente, a empresa criou também uma instalação dentro do festival de música SWU em parceria com a ONG Recicleiros, com geração de energia eólica. "A ideia era promover a discussão sobre energia e arquitetura. A questão da sustentabilidade é muito importante nos nossos projetos. Não acreditamos em contêineres com ar condicionado. Fazemos estudos e posicionamos, por exemplo, janelas em lugares estratégicos para que elas deem conta da manutenção da temperatura", diz Mello.
A Contain[it] mantém um galpão em Cotia, na Grande São Paulo, onde recebe e "reforma" todos os contêineres - cada um de aproximadamente 20 pés custa, em média, R$ 160 mil. Agora, o objetivo é levar os contêineres para mais e novas viagens.

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