Valor Econômico
12 de Dezembro, 2011
Quando seus amigos não estão perto, o dinheiro não vale isso tudo. O clichê do desapego, ironicamente, explica a lógica de expansão recente da Tiffany. A joalheria americana decidiu entrar no Equador depois que a administração do shopping Quicentro, em La Carolina, bairro nobre da capital, aceitou planejar sua ampliação a quatro mãos, cumprindo pedidos da empresa que vão da composição do mix de lojas ao projeto arquitetônico.
Foi por isso que a marca preferiu estrear em Quito a investir, por exemplo, em uma segunda loja na Colômbia, um mercado mais rico, em que tem tradicionalmente bons resultados. Na área nova do Quicentro, prevista para 2012, a Tiffany vai reunir "amigos" como Carolina Herrera e Cartier.
A motivação para a abertura da loja em Curitiba, também marcada para o próximo ano, foi parecida, conta Luciano Rodembusch, vice-presidente da marca para a América Latina. "Algumas cidades do Nordeste, como Recife e Salvador, têm o PIB per capita maior que o de Curitiba, mas não um shopping como o Pátio Batel." No Batel, a Tiffany estará com os companheiros Louis Vuitton, Ermenegildo Zegna e Hugo Boss. Ainda segundo o executivo, a companhia não descarta entrar em outras praças - isso depende, entretanto, da evolução das conversas que mantém com gestoras de shoppings no país.
A Tiffany tem em seu portfólio a Travelling Collection, linha de alta joalheria (fotos ao lado) - itens caros, criados com inspiração nos arquivos da marca - que roda o mundo em exposições nas lojas. Mas parece que depois que chegaram ao Brasil, em outubro, as peças correm o risco de perder a característica nômade.
Durante o tempo que as 27 joias ficaram em Brasília, foram vendidos dois brincos de turmalina verde. Para se ter ideia da disposição das brasilienses, as peças mais baratas da Travelling Collection não saem por menos de R$ 20 mil. Na última quinta, a coleção chegou às lojas dos shoppings Iguatemi e Cidade Jardim, em São Paulo, onde ficam até 31 de dezembro.
"E daqui não vão para lugar nenhum. Tenho certeza de que vamos vender tudo. No primeiro dia das joias na vitrine vendemos duas peças de R$ 25 mil cada", diz Rodembusch. Ele credita parte do otimismo com a operação brasileira à recente adequação da arquitetura das lojas. O novo ponto, de Brasília, segue um novo padrão de design. "Entendemos que brasileiros gostam de comprar joias em lugares pequenos, intimistas - o contrário do que são nossas lojas em outros países. Os pontos do Rio e de Curitiba serão projetados a partir disso", diz o executivo.
A Tiffany abre e fecha lojas na China mais rápido que em qualquer outra parte. As vendas seguem em tendência de alta. O que explica o troca-troca, segundo Rodembusch, é o ímpeto do governo chinês em "desenvolver novas áreas" em grandes cidades no país. Com o investimento centralizado no mercado imobiliário, um bairro novo surge de tempos em tempos, os shoppings de luxo acabam mudando de endereço e, com eles, a Tiffany. Por isso, as lojas são pequenas. "Estamos sempre prontos para fechar tudo e ir embora."
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