Valor Econômico
12 de Dezembro, 2011
Desde suas primeiras versões, feitas pelos gregos da Antiguidade, os mapas tornaram-se uma ferramenta com finalidade econômica - basta lembrar a importância assumida por eles na época das grandes navegações, quando eram usados, por exemplo, para orientar as caravelas. Agora, na era digital, os recursos tecnológicos disponíveis à ciência da cartografia nunca foram tão numerosos, um indicador de que os mapas atuais, com sua precisão impressionante, são cada vez mais importantes na estratégia de negócio de companhias de vários setores - de bancos a operadoras de telefonia.
A Imagem, especializada em mapas digitais, pretende aproveitar essa oportunidade. A companhia, sediada em São José dos Campos (SP), acaba de concluir um mapeamento do território brasileiro e criou um banco de dados com informações sobre o sistema viário de mais de 300 mil quilômetros de 5.565 cidades, além de mais 1,2 milhão de quilômetros de rodovias do país.
Batizado de StreetBase, o projeto começou em 2006 e consumiu até agora um investimento de R$ 20 milhões, incluindo o desenvolvimento de tecnologias para a coleta e o processamento das informações. "Começamos pelos grandes centros. Com o avanço da tecnologia, percebemos que poderíamos ampliar esse escopo. Só neste ano, nossa equipe percorreu mais de 40 mil quilômetros para coletar dados", diz Marcos Covre, diretor da Imagem. O último grande mapeamento do Brasil, afirma o executivo, foi feito na década de 60. Desde então, não houve atualizações.
O processo da Imagem para levantar as informações envolveu um pacote de tecnologias que inclui tablets, sensores, aparelhos de GPS e imagens de satélites, entre outros recursos. A validação dos dados em campo foi realizada em 500 cidades acima de 100 mil habitantes, por uma equipe de 50 profissionais. Nos demais municípios, o trabalho de validação combinou recursos como imagens de satélites e informações fornecidas por organizações e órgãos públicos como Embratur, Correios e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Depois de coletados e processados, os dados foram reunidos em um portal na internet, que pode ser acessado por meio de micros de mesa e dispositivos móveis baseados nos sistemas da Apple e no Android, do Google.
O StreetBase, informa a companhia, traz dados como sentido das vias, limites de velocidade, restrições de manobra e pontos de interesse próximos, como hospitais, hotéis, pedágios, aeroportos e ferrovias. Nos grandes centros, os mapas terão atualizações a cada três meses. Em outras regiões, as revisões serão feitas ao menos uma vez por ano.
O Valor testou uma versão simplificada do sistema em um PC. A aparência é semelhante a de um GPS comum e os comandos são intuitivos. Foi fácil traçar rotas em várias cidades, incluindo municípios pequenos, definindo apenas os pontos de saída e de chegada. Não foi possível identificar pontos de interesse no caminho traçado, um dos recursos mais atrativos. A empresa informou que a versão testada não contava com essa aplicação, mas que ela está disponível no programa completo.
O Banco do Brasil está usando os mapas para definir a localização de novas agências, exemplifica Covre. Nas operadoras de telefonia, o sistema está sendo aplicado para identificar oportunidades de expansão de rede e desenvolver ações específicas de acordo com as características de cada região.
As possibilidades de aplicações são diversas e vão permitir que a Imagem amplie seu campo de atuação, diz o executivo. Atualmente, a área de utilities, que reúne empresas de energia e saneamento, concentra cerca de 30% das receitas da companhia. O governo responde por 20% e o restante está dividido entre segmentos como recursos naturais, automotivo e telecomunicações. Em 2010, a Imagem divulgou uma receita de R$ 74 milhões. A previsão é fechar este ano com um crescimento de 20% e manter o mesmo ritmo em 2012.
Covre observa que as tecnologias de informações geográficas não se limitam mais a especialistas, como mostra seu uso em carros, entre diversas aplicações. "Hoje alimentamos várias empresas que oferecem serviços para o cidadão comum. Quem disse, por exemplo, que esses mapas não podem ser aplicados, no futuro, no desenvolvimento de games?", diz.
A Imagem planeja estabelecer parcerias com desenvolvedores e empresas novatas para criar aplicações a partir do StreetBase. A ideia é que os acordos sejam baseados em divisão de receitas.
A segunda etapa do projeto, que está começando, prevê novo aporte de R$ 20 milhões, diz Covre. A proposta é acrescentar informações dinâmicas aos mapas, como fluxo de trânsito nas cidades, alertas sobre acidentes e condições meteorológicas.
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