Valor Econômico
14 de Dezembro, 2011
As ações de apenas quatro das onze companhias que chegaram à bolsa este ano apresentam performance positiva.
Desde a estreia de cada uma, até o fechamento de ontem, Arezzo sobe 21,32%; Qualicorp, 16,23%; Sonae Sierra, 13,43% e Abril Educação, 4,25%.
Entre as que acumulam desvalorização, somente três caem mais que o principal índice da bolsa, o Ibovespa, no mesmo período: T4F (-15%), Magazine Luiza (-35%) e Brazil Pharma (-9,5%). Nos outros casos, apesar das baixas, elas são menores do que as verificadas no Ibovespa.
A maior parte das empresas que fizeram operações na bolsa este ano está ligada ao setor de consumo ou varejo.
As operações se concentraram no início do ano e, portanto, se beneficiaram do forte momento vivido por este segmento na bolsa em 2010. No entanto, no decorrer dos meses, com o agravamento da crise financeira na Europa e nos Estados Unidos, a perspectiva macroeconômica mudou e a tendência de desaceleração do consumo apareceu nos resultados e nas cotações também das veteranas.
Um levantamento feito pelo HSBC, com dados da primeira leva de balanços do terceiro trimestre, que englobou 38 empresas, mostrou que em 68% delas os preços das ações caíram mais que o Ibovespa no pregão subsequente. à divulgação dos dados As empresas de varejo, nessa amostra, foram as mais afetadas.
O ano difícil na bolsa já se mostrou para algumas logo de cara, pois tiveram de reduzir os preços desejados para levar adiante operações.
" É difícil dizer se foi um bom ano para estrearmos. Mas talvez se não fosse em fevereiro, não teríamos feito", afirma Fernando Mearim, diretor financeiro e de relações com investidores da Autometal. Ele destaca que seu setor é bastante fragmentado. "As empresas menores estão acessando bancos e dívidas muito maiores. Com as margens operacionais que eles têm, sabemos que muitos poderão ser vendidos. Olhando esse cenário, acho que fizemos a decisão correta de ter aberto capital este ano." Autometal tem queda de 4,40%.
Segundo Mearim, como a empresa ainda não utilizou os recursos que ingressaram em seu caixa na oferta, não pode afirmar que ter captado menos do que o desejado fez falta. "Mas obviamente que ter captado menos R$ 3 por ação significa muito - são mais de R$ 100 milhões. Esse valor rendendo no caixa seria muito positivo", afirmou.
Manoel Amorim, presidente da Abril Educação, conta que na época em que estavam apresentando a operação a investidores, outras quatro empresas estavam no mesmo processo e a Abril foi a única que conseguiu finalizar a distribuição. Inicialmente, a faixa sugerida variava de R$ 21,75 a R$ 26,75 e os papéis saíram a R$ 20. "Como a maior parte dos recursos iria para aquisições, achamos que a pequena queda no preço da ação na saída não atrapalhou, porque o preço dos ativos para aquisições também baixou", diz o executivo.
Carlos Corrêa, diretor financeiro e de relações com investidores da Sonae Sierra Brasil, administradora de shoppings, conta que a abertura de capital colocou a empresa em outro patamar de negociação para diversas fontes de recursos.
"Temos um plano de quase dobrar o tamanho da empresa nos próximos dois anos e os recursos da operação foram e são fundamentais para financiar esse crescimento. Além disso, abriu-se um leque de alternativas de financiamentos", diz.
A oferta da empresa também saiu abaixo da faixa sugerida, a R$ 20,00 - o intervalo era de R$ 21,50 a R$ 26,50. Hoje acumula alta de 13,43% desde a estreia.
"O valor captado é suficiente para cobrir as nossas necessidades. Mas também contamos com a geração de caixa, que está sendo mais forte do que a gente tinha planejado. Seguimos nosso plano normalmente", diz.
Os papéis da fabricante de relógios Technos tem desvalorização de 4,85% desde o primeiro dia de negócios. Thiago Picolo, diretor financeiro, afirma que, no dia a dia, não ficam acompanhando as oscilações dos papéis.
"Estamos muito satisfeitos com a evolução do nosso plano de negócios e com os efeitos positivos da abertura de capital", afirma o executivo.
Heráclito Gomes, principal executivo da Qualicorp, operadora de planos de saúde, destaca que a empresa também sofre com uma questão que afeta grande parte das novatas, a pequena liquidez.
De acordo com ele, alguns fundos compraram parte significativa das ações da empresa já na oferta inicial e mantêm os papéis, o que diminui as possibilidades de negociação.
No caso da International Meal Company (IMC), os papéis também foram concentrados por poucos investidores na oferta. Gonzalo Cardoner, diretor de relações com investidores da companhia, conta que a ação da empresa entrou em forte trajetória de alta depois que a companhia anunciou recompra de ações. Do final de outubro até aqui, a valorização acumulada é de 19%. Desde a estreia, no entanto, o papel cai 4,81%.
Apesar de a IMC ter lançado a recompra seis meses após ter vendido suas ações, esse tipo de operação é sempre vista pelo mercado como um sinal de confiança da empresa no negócio.
Ele comenta que a notícia foi, de fato, muto bem recebida pelos investidores e que, nos últimos tempos tem recebido muitas questões de investidores interessados em saber sobre possíveis reflexos da crise nos Estados Unidos e Europa para o Brasil.
Paula Costa, diretora financeira e de relações com investidores da Queiroz Galvão Produção e Exploração (QGEP), conta que a captação, apesar de menor do que a inicialmente desejada, veio em um momento muito importante. "Ela nos deu oportunidades de fazer aquisições que já mapeávamos". A executiva destaca o interesse do investidor no setor e na companhia, apontando que, em nove meses na bolsa, já está sendo alvo de cobertura de 14 analistas de corretoras nacionais e estrangeiras.
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