SHOPPING CENTER
Valor Econômico
20 de Dezembro, 2011
As mudanças no perfil econômico de Porto Velho, impulsionadas pela construção das hidrelétricas do rio Madeira, alteraram os hábitos da classe média local. Em poucos lugares isso é tão notável quanto no primeiro shopping center da cidade, inaugurado no fim de 2008, mais do que duplicando a oferta de salas de cinema. Ali, quase todos os filmes são dublados e o espectador recebe um aviso na bilheteria quando há legendas.
Em plena segunda-feira, dia em que a meia-entrada se estende a todos os clientes, a ocupação das cinco salas chega a 90% e até 4.000 espectadores passam pelas sessões. "Isso quando não tem Harry Potter em cartaz", frisa a gerente do cinema, Laudivânia Souza. Nas filas, jovens com menos de 18 anos formam a maioria da clientela. "A cidade não oferece muitas opções de lazer e o cinema virou um ponto de encontro dos adolescentes."
Dentro ou fora do shopping, a ampliação do comércio e dos serviços mexeu com os padrões de consumo. Grandes marcas, como McDonald's, Subway, Kopenhagen, Renner, Lojas Americanas, Makro e Atacadão pousaram na capital de Rondônia de três ou quatro anos para cá.
Um executivo de uma das concessionárias que constroem as usinas, com a discrição necessária para não ferir suscetibilidades, confessa em voz baixa: "Quando me mudei para Porto Velho, era uma raridade achar restaurantes com máquina de café expresso e eu aproveitava as viagens a São Paulo para trazer na mala alguns pequenos prazeres, como massas italianas. Hoje compro macarrão Barilla nos supermercados daqui e acha-se um bom café com facilidade."
Até serviços aparentemente simples, como lavar um terno ou um edredom a seco, eram inacessíveis até 2009. Foi quando a paulista Leiza Grisi Jurado, há 39 anos em Porto Velho, decidiu instalar na cidade duas franquias da rede de lavanderias 5 à Sec.
No início, ela esperava atender às famílias de renda mais alta, mas surpreendeu-se. "Mais da metade dos meus clientes são das classes B e C. Antes, muitos homens ficavam o ano inteiro usando o mesmo terno, aguardando o momento das férias para lavá-lo a seco em outra cidade ", conta Leiza, entusiasmada com o movimento, que aumentou 40% em 2011. "Já temos planos para abrir outras duas lojas."
Os problemas logísticos de ter uma franquia em mercado ainda incipiente e tão distante de grandes centros urbanos dificultam a vida dos empreendedores. Quando quebra a peça de uma máquina, Leiza chama um técnico de Brasília para fazer a manutenção. Demora, no mínimo, 24 horas. Boa parte das 13 funcionárias recebeu treinamento em São Paulo. Os cabides da lavanderia são padronizados e, se a demanda cresce além do planejado, precisa esperar até dez dias para a chegada de mais peças. "A vida não é fácil por aqui", resume a empresária.
Para o produtor cultural Sérgio Ramos, uma das principais mudanças está na multiplicação de bares e restaurantes nos últimos anos. Nos quarteirões centrais da avenida Pinheiro Machado, que chega perto do rio Madeira, há novas pizzarias e discotecas. "Aqui tem movimento de terça a domingo. Agora, as pessoas têm mais motivos para sair à noite."
À noite, nos fins de semana, o congestionamento é grande. Garotas com saltos pontiagudos e rapazes adornados com colares e pulseiras caminham pela avenida, que se torna uma espécie de passarela. Por isso, ganhou o apelido de "calçada da fama", onde se vai para ver e ser visto.
Sinais de delinquência, no entanto, convivem com o ambiente de agitação. Guardadores de carros já abordam os motoristas em tom ameaçador e pode-se ver usuários de crack a poucas quadras dali. Assaltos também preocupam os frequentadores.
Valor Econômico
20 de Dezembro, 2011
As mudanças no perfil econômico de Porto Velho, impulsionadas pela construção das hidrelétricas do rio Madeira, alteraram os hábitos da classe média local. Em poucos lugares isso é tão notável quanto no primeiro shopping center da cidade, inaugurado no fim de 2008, mais do que duplicando a oferta de salas de cinema. Ali, quase todos os filmes são dublados e o espectador recebe um aviso na bilheteria quando há legendas.
Em plena segunda-feira, dia em que a meia-entrada se estende a todos os clientes, a ocupação das cinco salas chega a 90% e até 4.000 espectadores passam pelas sessões. "Isso quando não tem Harry Potter em cartaz", frisa a gerente do cinema, Laudivânia Souza. Nas filas, jovens com menos de 18 anos formam a maioria da clientela. "A cidade não oferece muitas opções de lazer e o cinema virou um ponto de encontro dos adolescentes."
Dentro ou fora do shopping, a ampliação do comércio e dos serviços mexeu com os padrões de consumo. Grandes marcas, como McDonald's, Subway, Kopenhagen, Renner, Lojas Americanas, Makro e Atacadão pousaram na capital de Rondônia de três ou quatro anos para cá.
Um executivo de uma das concessionárias que constroem as usinas, com a discrição necessária para não ferir suscetibilidades, confessa em voz baixa: "Quando me mudei para Porto Velho, era uma raridade achar restaurantes com máquina de café expresso e eu aproveitava as viagens a São Paulo para trazer na mala alguns pequenos prazeres, como massas italianas. Hoje compro macarrão Barilla nos supermercados daqui e acha-se um bom café com facilidade."
Até serviços aparentemente simples, como lavar um terno ou um edredom a seco, eram inacessíveis até 2009. Foi quando a paulista Leiza Grisi Jurado, há 39 anos em Porto Velho, decidiu instalar na cidade duas franquias da rede de lavanderias 5 à Sec.
No início, ela esperava atender às famílias de renda mais alta, mas surpreendeu-se. "Mais da metade dos meus clientes são das classes B e C. Antes, muitos homens ficavam o ano inteiro usando o mesmo terno, aguardando o momento das férias para lavá-lo a seco em outra cidade ", conta Leiza, entusiasmada com o movimento, que aumentou 40% em 2011. "Já temos planos para abrir outras duas lojas."
Os problemas logísticos de ter uma franquia em mercado ainda incipiente e tão distante de grandes centros urbanos dificultam a vida dos empreendedores. Quando quebra a peça de uma máquina, Leiza chama um técnico de Brasília para fazer a manutenção. Demora, no mínimo, 24 horas. Boa parte das 13 funcionárias recebeu treinamento em São Paulo. Os cabides da lavanderia são padronizados e, se a demanda cresce além do planejado, precisa esperar até dez dias para a chegada de mais peças. "A vida não é fácil por aqui", resume a empresária.
Para o produtor cultural Sérgio Ramos, uma das principais mudanças está na multiplicação de bares e restaurantes nos últimos anos. Nos quarteirões centrais da avenida Pinheiro Machado, que chega perto do rio Madeira, há novas pizzarias e discotecas. "Aqui tem movimento de terça a domingo. Agora, as pessoas têm mais motivos para sair à noite."
À noite, nos fins de semana, o congestionamento é grande. Garotas com saltos pontiagudos e rapazes adornados com colares e pulseiras caminham pela avenida, que se torna uma espécie de passarela. Por isso, ganhou o apelido de "calçada da fama", onde se vai para ver e ser visto.
Sinais de delinquência, no entanto, convivem com o ambiente de agitação. Guardadores de carros já abordam os motoristas em tom ameaçador e pode-se ver usuários de crack a poucas quadras dali. Assaltos também preocupam os frequentadores.
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