Exame
17 de Outubro, 2011
As autoridades querem saber se a empresa importou lixo-hospitalar antes
Brasília - A interdição, na última sexta-feira (15), de uma loja e de um galpão pertencentes à uma empresa têxtil pernambucana reforçou as suspeitas de que lixo hospitalar norte-americano entrava no país e era utilizado na confecção de peças de roupas há anos.
Nos locais, os fiscais encontraram pedaços de tecido com manchas que, assim como o material apreendido na semana passada, no Porto de Suape, podem ser de sangue. Também foram encontrados forros de bolso prontos para a venda. Vários deles ainda continham a logomarca de hospitais norte-americanos.Os dois estabelecimentos interditados pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), com apoio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ficam nas cidades de Santa Cruz do Capibaribe e de Toritama e pertencem à empresa Na Intimidade, que funciona com o nome fantasia Império do Forro de Bolso.
Dados da Império do Forro disponíveis na internet indicam a Altair Moura como responsável e contato da empresa. De acordo com notícias publicadas por vários sites e jornais, o mesmo Moura já foi sócio de outra importadora de tecidos também instalada em Santa Cruz do Capibaribe, a Forrozão dos Retalhos. Antigos registros da Forrozão no site Brasil Web Trade - uma ferramenta de comércio eletrônico do Banco do Brasil – de fato apontam Moura como sendo o contato da companhia.
No cadastro de empresas importadoras disponível no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio consta que, entre os anos de 2001 e 2009, a Forrozão pôde comprar dos Estados Unidos até US$ 1 milhão anuais em mercadorias. Já a Na Intimidade começou a importar o mesmo valor em tecidos norte-americanos a partir de 2009.
Apesar de encontrar o material irregular na loja e no galpão pertencentes à Império do Forro, onde repórteres do jornal Folha de S.Paulo já haviam comprado cerca de quatro quilos de tecido com os nomes de hospitais norte-americanos, a Receita Federal e a Anvisa não confirmam se a empresa é responsável por importar as mais de 46 toneladas de lençóis, fronhas, toalhas de banho, batas, pijamas e roupas de bebês sujas de sangue retidas na semana passada, no Porto de Suape, em Pernambuco.
As autoridades investigam se o material guardado na loja e no galpão é parte da carga de outros seis contêineres que, segundo a Receita Federal, a importadora recebeu desde o início do ano e que não foram fiscalizados pela alfândega.
“Ainda não sabemos se os outros contêineres continham o mesmo material. O advogado da empresa [com quem o inspetor se reuniu pela manhã] alega que não, mas nós queremos saber o que foi feito de todo o material, se ele foi empregado na produção ou descartado”, disse o inspetor-chefe da Alfândega da Receita Federal no Porto de Suape, Carlos Eduardo da Costa Oliveira, à Agência Brasil, na última sexta-feira.
A Agência Brasil telefonou para os números de contato das duas companhias e de Moura, mas ninguém atendeu.
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