domingo, 9 de outubro de 2011

Estados Adotam Modelo Baiano De PPP Na Saúde

HOSPITAIS
Brasil Econômico
05 de Outubro, 2011


Atendimento ao público melhorou com o sistema pioneiro implantado em 2010 no Hospital do Subúrbio, em Salvador, por uma empresa brasileira e uma francesa.
O modelo de gestão que une governo e empresas privadas tem sido uma das soluções para resolver problemas na saúde brasileira, motivados principalmente pela escassez de investimento. Conhecido como parceria público-privada (PPP), neste modelo o setor privado executa um serviço, enquanto o público, paga ou contribui, com os serviços já prestados à população.
Implantado no Brasil desde 2004, no governo Lula, a PPP ganhou destaque na saúde após a primeira parceria feita no Hospital do Subúrbio, em Salvador (BA).
Com um ano de funcionamento, o projeto pioneiro, administrado por um consórcio formado pelas empresas Promédica e a francesa Dalkia já mostra frutos em outros estados.
Segundo Andrés Alonos, Superintendente da Secretaria Estadual de Saúde da Bahia, em seu primeiro aniversário, o hospital mostra nos resultados um aumento na oferta de serviços.
"A população fazia vários questionamentos sobre o atendimento e por meio da parceria conseguimos solucionar diversos problemas", disse durante o evento Saúde Business Fórum.
Durante o evento, Alonos, revelou que uma das dificuldades para melhorar o atendimento é a falta de investimento. "Encontramos uma falta de compreensão do órgão de controle. Com a PPP em curto espaço de tempo conseguimos atender a população com mais qualidade". E completou que a parceria tem ajudado a desburocratizar o aporte no crescimento das unidades de atendimento. "Conseguimos reduzir o custo do leito e ampliar o investimento em equipamentos", destaca.
José Carlos Abrahão, presidente da Confederação Nacional de Saúde (CNS) ressalta que é preciso implantar o compartilhamento de gestão como os que já são vem sendo feitos nas Santas Casas. "É um exemplo de assistência promovida e sustentada pela sociedade, pois os hospitais eram comunitários e ligados a grupos de diversas nacionalidades. Gestão é um processo de modernidade e não se pode ignorar que 58% do investimento é da saúde privada."
Com quase 7 mil hospitais e 500 mil leitos, o Brasil enfrenta muitos desafios, tanto no setor público, quanto no privado. "Os maiores desafios são: modernização, planejamento estratégico, acompanhamento das perspectivas globais, melhor avaliação das novas tecnologias e competitividade", ressalta Abrahão.
E diante das discussões de financiamento para a saúde, a Câmera dos Deputados aprovou na última semana, a regulamentação da Emenda 29, que determina os percentuais mínimos das verbas para a saúde.
Com a aprovação, os municípios devem aplicar no mínimo 15% da arrecadação de impostos, os Estados, 12%, e a União deve corrigir os gastos do ano anterior de acordo com a variação nominal do Produto Interno Bruto (PIB). "O financiamento trará R$40 milhões a mais para a saúde. Porém ainda faltam mecanismos de controle que garantam a restituição", alerta o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS).
Fausto Santos, assessor especial do Ministério da Saúde acredita que é preciso mais saúde no setor público. "Nosso orçamento é 24% menor do que o do Chile e 45% menor que o da Argentina. E se compararmos com a saúde suplementar, vemos que esta tem duas vezes mais recursos para prover assistência que o SUS. Estes números mostram claramente nossa dificuldade", disse.

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