Exame
07 de Outubro, 2011
São Bento do Sul é a terceira cidade brasileira com o melhor índice de responsabilidade fiscal, social e de gestão dos últimos sete anos. Não é por acaso que a cidade catarinense de 75 000 habitantes, conhecida como um polo moveleiro, aparece entre as primeiras colocações no estudo da Confederação Nacional dos Municípios, atrás da paulista Cerquilho e da gaúcha Tupandi.
Na última década, ali foram gerados 160 000 novos empregos formais, ampliando o número de trabalhadores com carteira assinada para 381 000, numa população de 1,2 milhão de pessoas.São Bento do Sul está localizada no norte-nordeste deSanta Catarina, uma das regiões urbanas mais pujantes do Brasil, com 20 municípios cujo epicentro econômico é Joinville.
É uma proporção de 31%, ante 23% da média do país. Além da geração de empregos, o consumo tomou impulso nas cidades do norte-nordeste catarinense.
De 2000 a 2010, a frota de veículos da região mais que duplicou, para 621 000 carros. São Bento do Sul é a terceira cidade mais populosa nessa área, atrás de Joinville, com 515 000 habitantes, e de Jaraguá do Sul, com 143 000.
Nos próximos 15 anos, o crescimento populacional ficará dentro da média nacional, mas a economia continuará se diferenciando. “É um momento de ouro”, afirma Udo Döhler, presidente da tecelagem Döhler, de Joinville.
Ele é membro da quarta geração da família de origem alemã que fundou a empresa há 130 anos. “Haverá uma nova onda de oportunidades e a região dará um salto ainda maior na próxima década.”
Enquanto a economia brasileira cresceu 33% de 2000 a 2008, a da região catarinense avançou 40%. Para os próximos anos, a previsão é de manter uma média de 5,8% de crescimento anual.
De acordo com um estudo da consultoria McKinsey, o norte-nordeste de Santa Catarina é a região urbana brasileira com mais de meio milhão de habitantes que mais vai crescer até 2025.
Chamada de Manchester catarinense pela concentração e diversidade industrial — lá estão instaladas empresas como Weg, Tupy, Tigre, Malwee, Marisol e Embraco —, a região viveu até meados da década passada uma crônica carência no setor de serviços. Para entrar num shopping center, seus moradores tinham de viajar 140 quilômetros até Curitiba.
Assim como o norte-nordeste catarinense, os centros urbanos de Campo Grande, Grande Vitória, Grande São Luís e João Pessoa têm potencial de crescer duas vezes mais que São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a McKinsey.
Os dois primeiros centros comerciais foram inaugurados em Joinville em 1995. Há um ano e meio, um terceiro abriu as portas, levando para Santa Catarina redes como Etna e Burguer King. A expansão do varejo busca atender uma população que multiplicou seu poder de compra — e deve enriquecer mais.
O potencial de duas delas — São Luís e João Pessoa — se explica principalmente pelas carências atuais. Com grande crescimento populacional nos últimos anos, falta a essas regiões todo o arcabouço de serviços e infraestrutura.
Campo Grande é o centro de um dos principais polos de agronegócio no país. E a Grande Vitória é beneficiada pela atividade econômica de seus portos.
Oportunidades
O norte-nordeste catarinense é uma exceção, com uma atividade industrial já desenvolvida e que vem atraindo mais investimentos nos últimos tempos. Em Joinville, a fabricante de barcos americana Brunswick anunciou em agosto a construção de uma fábrica e a criação de 150 empregos.
A GM investe 350 milhões de reais para inaugurar uma fábrica de motores no ano que vem e pode levar para a cidade uma unidade de transmissões. A BMW estaria entre duas cidades do norte-nordeste catarinense — Joinville e Araquari — para instalar sua primeira unidade brasileira.
Toda essa movimentação já mexe com o sistema educacional. A Universidade Federal de Santa Catarina vai inaugurar seu campus em Joinville com cursos de engenharia naval, ferroviária, aeroespacial e de trânsito. A PUC ampliará sua oferta local em 2012.
Apesar de todo esse desenvolvimento, o norte-nordeste catarinense sofre com a infraestrutura. Joinville, a maior cidade do estado, trata apenas 14% do esgoto produzido. O aeroporto não tem instrumentos básicos para pousos em condições de tempo adversas.
Os cursos universitários são um complemento para a formação técnica oferecida pela Weg e pela Tupy. “Investir na capacitação evita que soframos as consequências do crescimento sem controle”, diz Luis Figueiredo, diretor de RH da Weg, a maior empresa da região e empregadora de 10% da população de Jaraguá do Sul, onde sua sede está localizada.
As estradas que levam ao vizinho porto de São Francisco do Sul não são duplicadas. “Todas as cidades médias têm a oportunidade de investir em planejamento urbano, o que não foi feito nas grandes cidades”, diz Patricia Ellen, sócia da McKinsey especializada no setor público.
Campo Grande é um exemplo de preocupação com o crescimento mais ordenado. As ruas são largas como nas cidades americanas para facilitar a circulação de 790 000 habitantes e 392 000 veículos. A economia se concentra no comércio e nos serviços. Sua força vem do agronegócio de Mato Grosso do Sul.
Nos últimos quatro anos, o número de usinas de açúcar no entorno passou de dois para 21. O governo do estado quer diversificar a fonte de receita do município com a atração de indústrias. Cinco polos empresariais foram criados em Campo Grande na última década.
O setor de construção civil ocupou um terço do espaço oferecido. Com um dinamismo acima da média nacional, as metrópoles regionais são também uma nova fronteira de oportunidades.
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