Valor Econômico
26 de Setembro, 2011
O ambiente de incerteza econômica, com crise na Europa e nos Estados Unidos, transforma a América Latina numa das melhores alternativas de investimento para a indústria de hotéis. A hotelaria da região cresce com mais vigor do que a média mundial e começa a atrair investidores acostumados a resultados rápidos, não familiarizados com o retorno de longo prazo dos hotéis. A tradicional dificuldade de obter financiamento, especialmente no Brasil, tem aumentado.
Como alternativa de financiamento, a rede Accor, em parceria com um banco de investimentos e uma incorporadora, vão lançar no Brasil um fundo de investimento imobiliário exclusivo para hotéis. São projetos que partem do zero, ou "greenfield".
"Como nunca antes visto, a América Latina apresenta-se para o mundo como uma oportunidade numa situação onde há muita volatilidade e muita incerteza", diz o presidente na América do Sul da empresa especializada em consultoria para hotéis HVS, Arturo García Rosa. Segundo ele, a receita e volume de hóspedes no mercado sul-americano cresceram 15% no primeiro semestre. A média mundial está em 4,5%, diz García, que esteve reunido com executivos do setor de hotéis na semana passada em Santiago (Chile) durante a 4ª Conferência Sul-Americana de Investimentos em Hotéis e Turismo (SAHIC, na sigla em inglês).
No evento, foi lembrada a existência de um linha de crédito lançada no início de 2010 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), batizada de ProCopa Turismo: R$ 1 bilhão para ampliação e modernização do parque hoteleiro tendo em vista a Copa de 2014. Até agora, foram concedidos apenas R$ 210,9 milhões.
O candidato tem de apresentar uma garantia de 130% do valor do empréstimo - considerado um percentual alto por executivos do setor. O BNDES informa que o credor pode obter taxas de juros menores e prazos maiores se investir em tecnologia que garanta racionalização energética e sustentabilidade.
"O problema no Brasil é o custo do dinheiro. Quero ver a situação daqui a três ou quatro meses. Quando tem crise, todo mundo fica com o pé atrás, mais conservador", diz o presidente da Brazil Hospitality Group (BHG), Peter van Voorst Vader. A BHG, braço de hotéis da GP Investments, planeja movimentar R$ 600 milhões nos próximos cinco anos para abrir 40 hotéis próprios ou com parceiros no país. Hoje, tem 36.
Presente em 66 países, com 1.058 hotéis, a rede americana Starwood planeja inaugurar 16 hotéis na América Latina até 2014. Atualmente são 66 empreendimentos na região. O vice-presidente de aquisições e desenvolvimento para o Brasil da Starwood, Roberto Amorim, diz que 10 projetos estão em negociação no Brasil, onde a rede tem seis empreendimentos das marcas Sheraton, Méridien e Four Points.
Segundo Amorim, a Starwood pretende lanças marcas inéditas no mercado brasileiro, como Aloft e St. Regis. "Os terrenos no Brasil estão muito caros. Quando alguém faz um investimento, eles querem retorno rápido", diz.
O diretor da consultoria Jones Lang LaSalle no Brasil, Ricardo Mader, atesta a dificuldade de se obter financiamento, especialmente no Brasil, e acrescenta que os investidores estão buscando aplicar com capital próprio. "Cada vez mais vai haver fundos soberanos, imobiliários, de pensão. Eles estão começando a olha a hotelaria de novo como boa alternativa", afirma ele.
Com cerca de 3,5 mil hotéis no mundo, sendo 63 na América Latina, e quatro no Brasil, a rede americana Marriot & Ritz Carlton está abrindo em torno de 100 mil quartos em até quatro anos no mundo. Desse total, 6 mil estarão no mercado latino-americano, diz o vice-presidente de desenvolvimento da empresa no Brasil, Guilherme Cesari. "Antes, para investir no Brasil, os investidores escolhiam projetos com a rentabilidade muito alta. Agora, estão revendo sua expectativa para baixo".
A rede americana Hilton planeja abrir 18 hotéis na América Latina até 2013, segundo a diretora de desenvolvimento para a América do Sul, Paula Muniz. "Não tenho dúvida que vamos crescer mais rápido do que a Europa e os Estados Unidos", disse a executiva. *O repórter viajou a convite da HVS
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