Brasil Econômico
20 de Outubro, 2011
Com a morte de Muamar Kadafi, a expectativa é que a oferta de petróleo aumente com a revisão dos contratos.
Analistas afirmam que o cenário não deve sofrer alteração até que problemas na Europa sejam solucionados.
A confirmação da morte de Muamar Kadafi por Abdel Hafez Ghoga, porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT), alimenta as expectativas de que a Líbia deixe de restringir sua exportação de petróleo e aumente a oferta mundial.
Ali Tarhouni, ministro líbio das Finanças e do Petróleo, já anunciou a criação de um comitê para examinar todos os contratos de petróleo para "avaliar a escala de corrupção praticada pelo regime anterior".
"O comitê verificará todos os contratos e projetos para dar uma visão do grau de corrupção e tudo que emergir será investigado e publicado", disse Tarhouni à imprensa nesta quinta-feira (20/10), após a confirmação da morte do ex-ditador.
Entretanto, analistas afirmam que o cenário não levará otimismo aos mercados. Para Erick Scott Hood, analista da SLW Corretora, melhorias no setor de petróleo e gás seriam mais facilmente observadas com uma sinalização de acordo na Europa.
"Claro que a Líbia voltando a produzir petróleo aumenta a oferta, mas a volatilidade é muito maior pela crise econômica envolvendo países da Europa e Estados Unidos. Porque não adianta ter oferta e demanda reprimida", justifica
De acordo com Hood, é fundamental que os países europeus cheguem a um denominador comum para evitar a falência de outros países, além da Grécia. "Por enquanto estamos vivendo na expectativa".
Lucas Bendler, analista da Geração Futuro, também não vê relação direta entre a morte do ex-ditador e os preços do petróleo, a menos que a oferta consolidada de petróleo tenha aumento significativo.
"Caso a Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] não compense essa volta gradual da demanda e não absorva esse excedente, você pode ter um preço de petróleo caindo no mercado internacional", pondera Bendler.
O analista não acredita que a Opep deixará de interferir no processo e acrescenta: "O próprio governo de transição precisa trabalhar e mostrar que pode ter um cenário melhor em relação à oferta de petróleo".
Outro item que pode diminuir o impacto da morte de Kadafi sobre os preços de petróleo é a prévia precificação pelos investidores.
"O mercado já vinha trabalhando com cenário da Líbia voltar ao mercado internacional de petróleo", afirma.
A Líbia era um dos principais produtores de petróleo bruto da África antes do início do conflito, com 1,6 milhão de barris diários. Suas reservas são estimadas em 44 bilhões de barris. O petróleo representa mais de 95% das exportações e 74% do orçamento estatal.
O conflito paralisou completamente a produção petrolífera, que tem sido retomada pouco a pouco desde agosto. Atualmente, a produção está em cerca de 400 mil barris por dia.
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