Valor Econômico
13 de Outubro, 2011
A oscilação recente no câmbio fez o diretor de desenvolvimento de negócios do Hilton São Paulo, Guilherme Castro, lembrar-se de setembro de 2008. Não pela quebra do Lehman Brothers, banco de Wall Street que sucumbiu à crise financeira mundial, mas pela mudança na tarifação de hospedagem que o hotel aderiu naquele mês, trocando a moeda americana pela brasileira.
Há três anos, a mudança de moeda para cobrar diárias no Brasil, negociada por mais de seis meses com os controladores da rede Hilton, nos Estados Unidos, mostrou-se uma má ideia, refletiu inicialmente Castro. O tempo passou, a economia brasileira voltou a crescer, o real valorizou-se, e a opção pela moeda brasileira acabou sendo a acertada, diz ele.
O quadro recente não o assusta: “Acho que a alta do dólar está sendo pontual, como em 2008”, disse Castro. De fato, após um movimento recente de fortalecimento em relação ao real, a moeda americana voltou a desvalorizar-se. Hoje, por volta das 14h30, o dólar comercial mostrava queda de 0,85%, cotado a R$ 1,742 para a compra e R$ 1,744 para venda.
A rede espanhola Iberostar, que no Brasil possui dois resorts na Bahia e um cruzeiro pelo Amazonas, utiliza as duas moedas e identifica nesse modelo uma forma de se precaver da oscilação cambial e equilibrar seus custos e receitas. Turistas estrangeiros pagam em dólar e os brasileiros, em reais, informou Orlando Giglio, diretor comercial e de marketing da rede no Brasil.
De acordo com a assessoria da empresa, a cobrança para os turistas estrangeiros é feita pela taxa de compra do dia do dólar turismo. A diária de um apartamento duplo, no sistema “all inclusive”, no Resort Iberostar Praia do Forte sai a partir de US$ 284, ao passo que para o turista brasileiro o preço é a partir de R$ 477. A companhia projeta crescimento de 5% a 6% em seu faturamento em 2011 em relação ao ano anterior, para US$ 80 milhões. A maior parte dos clientes da Iberostar no Brasil é de brasileiros. Nos resorts, eles totalizam 85% dos turistas. No cruzeiro pelo Amazonas, 55%.
Consultadas pelo Valor, as redes Accor, BHG, Meliá e Atlantica informaram que usam a moeda brasileira em suas diárias. A Accor observou ainda que na Colômbia, na Guatemala, no Peru e no Chile as tarifas dos hotéis são definidas em dólar.
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