Exame
25 de Setembro, 2011
Com mais de 350 bilhões de reais em receitas, o mercado de turismo não para de crescer no Brasil — e de gerar oportunidades para as pequenas e médias empresas
"Mas logo me vi no meio do caos." Lia recebia das indústrias quantidades diárias de roupa que praticamente não variavam. Com o hotel era diferente. Num dia com poucos hóspedes, chegava um punhadinho de roupa, que mal enchia as máquinas. No outro, se chegasse uma excursão, era o extremo oposto.
Um susto grande aconteceu em outubro de 2009. Um dos clientes da Professional Wear recebeu de última hora um ônibus cheio de torcedores que vieram assistir ao Grande Prêmio de Fórmula 1 em São Paulo. "Apareceu uma montanha inacreditável de lençóis para lavar e secar numa mesma tarde", diz ela.
Para não deixar o cliente em má situação, Lia comprou lençóis novos. Águas passadas, hoje os hotéis representam 40% do faturamento da Professional Wear, que deve fechar o ano em 3,9 milhões de reais, 12% mais que em 2010.
Diz um provérbio que a necessidade é a mãe da invenção. Para o paranaense Mauro Carvalho de Oliveira, de 43 anos, sócio da Realgem’s, fabricante de produtos de higiene de Colombo, no Paraná, foi mesmo.
No ano passado, as receitas da empresa chegaram a 25 milhões de reais, 20% mais do que em 2009, com o fornecimento de xampus, condicionadores e sabonetes em miniatura que hotéis e resorts põem à disposição dos hóspedes.
Oliveira pensou que faria muito bem à rentabilidade da Realgem’s encontrar uma posição mais confortável na mesa de negociação com empresas de porte mundial, como Accor e Club Med — sem inovar nada, o risco era a empresa se tornar refém num mercado com muitos concorrentes. "Era preciso oferecer algo diferente do sabonete padrão", afirma Oliveira.
A solução apareceu no lançamento de linhas específicas para turistas de alto poder aquisitivo. Para conquistar estabelecimentos como o resort Costa do Sauípe, na Bahia, e o hotel Crowne Plaza, em Belém do Pará, a Realgem’s desenvolveu linhas que usam ingredientes extraídos de plantas nativas do Brasil, como extrato de guaraná, castanha e cupuaçu.
Ele também investiu em embalagens biodegradáveis ou que podem ser recicladas. "Muitas grandes redes dão preferência a fornecedores ambientalmente corretos", diz ele. Hoje, 70% das receitas da empresa vêm de produtos especiais.
Atender hotéis, pousadas e resorts foi uma estratégia fundamental para o crescimento da Realgem’s, fundada em 1984 como uma fabricante de produtos de higiene tradicional, que colocava sua marca no varejo.
No começo dos anos 90, Oliveira ofereceu uma versão de seus produtos para uma rede de hotéis de Curitiba. "Percebi naquilo uma boa alternativa à pressão das grandes marcas no varejo", diz Oliveira. "Foi o começo da viagem rumo ao crescimento por um caminho muito mais livre".
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