Exame
09 de Dezembro, 2011
Asafumi Yamashita mostra uma parte de sua plantação, em Chapet
Chapet, França - Os espinafres são únicos: nenhum traço de gosto amargo, mesmo no talo. O 'chef' francês três estrelas, Eric Briffard, do hotel Georges V, não tem nenhum problema para servir o vegetal crocante numa salada saborosa. O maço é comprado a preço de ouro a um hortelão japonês.
Asafumi Yamashita, ex-lutador de box e golfista semiprofissional instalado em Chapet, na periferia oeste de Paris, cuidava minuciosamente de sua plantação de bonzai até ser vítima de um roubo, pelo que decidiu se dedicar a legumes e vegetais, mesmo sem nenhuma experiência prévia.
"No começo, vendia meus legumes aos restaurantes japoneses de Paris, mas achei que o nível não era muito bom", explicou ele à AFP. "Os cozinheiros japoneses, vocês sabem, quando deixam o Japão é porque fracassaram na carreira", comenta Yamashita em tom lacônico.
Muito exigente, ele cultiva durante o ano umas cinquentas variedades, todas japonesas "até os tomates", em cerca de 3.000 metros quadrados, um terço deles em estufa.
"Não procuro a raridade, mas a qualidade", explica ele, fazendo-nos provar um nabo kabu que ele corta com uma faca. É crocante e cheio de sumo, como a maçã, compacto mas tenro, açucarado, deixando, no final, um pouco do gosto de mostarda, na boca. Ele só pode entregar 120 desses por semana.
"É uma pessoa capaz de arrancar várias espigas de milho para deixar as que estão ao lado se desenvolverem melhor e ficarem mais belas", define o grande 'chef' Eric Briffard, apaixonado pelo Japão e freguês de longa data, que vem regularmente dar um passeio pela horta.
"É incrível a qualidade que se descobre em sua pequena propriedade campestre - encontramos densidade e concentração de sabor em seus legumes. Suas batatas doces são um pouco transparentes, seus tomates têm uma pele de pêssego", maravilha-se o cozinheiro, que faz encomendas "várias vezes por semana" ao japonês.
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