Valor Econômico
30 de Novembro, 2011
Primeiro cenário: na base da Granja dos Cavaleiros, em Macaé, litoral do Rio de Janeiro, uma equipe de cozinheiros prepara refeições para centenas de profissionais de quase 20 nacionalidades diferentes. A missão é alimentar trabalhadores das plataformas offshore de petróleo ao longo do litoral fluminense, obedecendo as diferentes culinárias. A refeição segue congelada por caminhão frigorífico até o porto, depois em balsa até as plataformas. Segundo cenário: um barco navega por 10 a 15 dias pelos rios Amazonas e Trombetas levando refeições congeladas, preparadas em Belém, para 650 homens que trabalham na Mineração Rio do Norte, no coração da Amazônia paraense.
Os personagens são grandes empresas de refeições coletivas. Uma delas é a inglesa Compass - que no Brasil compreende a GRSA - está presente em mais de 50 nações e é considerado líder mundial no fornecimento de refeições coletivas. Para a empresa, muitas vezes, fazer a refeição chegar ao local onde estão os trabalhadores é a tarefa mais difícil. "Hoje, os locais remotos representam algo entre 7% e 8% no faturamento da companhia", diz Pierre Albert Berenstein diretor da divisão de Varejo e Defence, Offshore e Remote Site da GRSA.
Refeições congeladas preparadas em Belém navegam por até 15 dias pelo Amazonas até a Mineração Rio do Norte
A construção da base para as operações off shore de logística em Macaé custou R$ 1,5 milhão. "A base recebe os fornecedores de forma concentrada e estoca os produtos em armazéns com câmeras para que a qualidade dos alimentos seja garantida até a chegada em cada plataforma", diz Berenstein. Os embarques no porto de Macaé são semanais e os estoques suficientes para 15 dias para evitar contratempos com o mar alto. Cada carga leva 3 mil refeições, por mês, são 156 mil refeições offshore. Segundo o diretor, a empresa hoje opera em nove plataformas e a meta é dobrar no próximo ano, superando 300 mil refeições em alto mar.
O outro desafio está no cardápio. "Existem plataformas onde temos a bordo mais de 17 nacionalidades, técnicos do mundo todo. Então precisamos de expertise para conhecer as preferências internacionais e atender bem essas pessoas que ficam 15 dias ou mais a bordo", acrescenta.
Além do desafio do mar, a empresa trabalha há 25 anos em operações na Amazônia, a mais antiga delas no Pará, em Vila de Porto Trombetas, onde está a Mineração Rio do Norte. São cerca de 650 homens, atendidos em quinze tipos de serviço - entre eles alimentação, hotelaria e reflorestamento. "A carga vem de Belém, de balsa, e leva dez dias no rio. Dependendo da vazante, da seca, pode chegar a 15 dias. São 70 mil refeições por mês", relata o executivo. A companhia também serve a mina de bauxita de Juruti, da Alcoa, no Pará, e os operários da Andrade Gutierrez nas torres da linha de transmissão que liga Oriximiná, no Pará, a Manaus, no Amazonas.
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