Valor Econômico
07 de Dezembro, 2011
A América Latina deverá mostrar, em 2012, os maiores reajustes de preços de passagens aéreas, diárias de hotéis e locação de carros do mundo. A projeção é de um estudo inédito da Carlson Wagonlit Travel (CWT), líder global em turismo corporativo. O levantamento destaca o desempenho econômico do Brasil, acima da média mundial diante da crise, como o principal estímulo para manter a demanda por viagens aquecida no continente.
Os aumentos de preços de passagens aéreas na América Latina deverão ser de até 5,9%, no ano que vem. A projeção para as diárias de hotéis alcança até 12,2%. Na locação de carros, a previsão é de um reajuste de até 5,6%. Todos esses resultados estão bem acima dos apurados na América do Norte, Ásia-Pacífico e Oriente Médio e África.
"Fiquei muito impressionado com o desempenho da América Latina em termos de preço, especialmente nos hotéis do Brasil. É a oferta limitada contra a demanda aquecida", afirma o presidente da CWT no Brasil, André Carvalhal. A oferta de quartos de hotel em São Paulo está estável há pelo menos cinco anos e não há perspectiva de novos projetos no curto e médio prazo.
O estudo da Carlson Wagonlit indica que o Brasil deverá ter, em 2012, a maior alta nos preços das diárias de hotel, de até 34%,1%. No resto do mundo, o país que mais se aproxima do reajuste brasileiro é a Argentina, com 10,1%. Em terceiro está outro representante latino-americano, o México, com 9,9%.
Os hotéis de São Paulo têm trabalhado com demanda em alta, mantendo a oferta apertada. Segundo a consultoria HotelInvest, o valor da diária média dos empreendimentos na cidade, no primeiro semestre de 2011, acumulou crescimento de 23,3%, em relação ao mesmo período do ano passado. A taxa de ocupação mostrou expansão de 2,3% na mesma base de comparação. O chamado Revpar, índice de rentabilidade medido pela diária média e ocupação, apresentou aumento de 26,1% nos seis primeiros meses deste ano, na comparação anual.
"Obviamente, se houver uma deterioração do quadro econômico mundial [em 2012], deverá haver um reflexo para baixo [nas projeções], já que os preços tendem a ser mais flexíveis", diz Carvalhal. O estudo da Carlson Wagonlit levou em conta um projeção de crescimento do PIB global de 3,5% em 2012. Também foram levadas em conta históricos de desempenho de empresas aéreas, redes de hotéis e locadoras de carros.
A projeção de reajuste das passagens aéreas na América Latina só fica atrás dos 4,1% da América do Norte. Mas é superior ao de duas regiões consideradas emergentes na aviação, a Ásia-Pacífico, com reajuste de até 3,8%, e o Oriente Médio e África, com bilhetes aéreos até 3,7% mais caros no próximo ano.
O bom desempenho da aviação comercial latino-americana tem sido constatada pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). A América Latina registrou a maior taxa de crescimento mensal no tráfego de passageiros e de carga em seis de 10 meses deste ano, já divulgados pela entidade. De janeiro a outubro, a região acumula o maior crescimento global, de 10,5%.
No mercado brasileiro, a projeção de alta nos preços dos bilhetes aéreos é de 6,9%. "Há o efeito da inflação esperada para 2012. Mas as duas maiores empresas aéreas brasileiras vão segurar a oferta em 2012, depois de resultados ruins este ano", afirma Carvalhal. O executivo mencionou a TAM e a Gol. No terceiro trimestre deste ano, as duas empresas, juntas, divulgaram prejuízo de R$ 1,1 bilhão, sendo R$ 619,7 milhões para a TAM e R$ 516,5 milhões para a Gol.
A projeção de reajuste de até 5,6% na locação de carros na América Latina, no ano que vem, teve forte influência do mercado brasileiro, que poderá ter aumento de até 4,5%, segundo o levantamento. De acordo com Carvalhal, essa previsão mostra como esse setor ainda tem potencial de crescimento. "O brasileiro ainda não tem a cultura de alugar carros", diz ele.
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