domingo, 18 de dezembro de 2011

Energia À Vista

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
14 de Dezembro, 2011


Os carros elétricos, cada vez mais, são uma realidade na Europa, Japão e Estados Unidos. E os brasileiros poderão começar a dirigi-los mais cedo do que se imaginava. O interesse do governo e as perspectivas de instalação de infraestrutura para a recarga de baterias começam a abrir caminho para esses produtos. Os ministros Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Guido Mantega, da Fazenda, e Aloízio Mercadante, da Ciência e Tecnologia, estão diretamente envolvidos na elaboração de incentivos fiscais para viabilizar o projeto – e a agenda tem incluído encontros com representantes da indústria para discutir o tema.
As reuniões servem para relatar aos ministros os resultados da mais longa experiência com esse tipo de veículo no Brasil. Já faz mais de quatro anos, por exemplo, que a Usina Hidrelétrica de Itaipu usa o Palio, da Fiat, adaptado para funcionar com eletricidade. Para impulsionar o negócio, o governo já acenou com a intenção de conceder incentivos fiscais aos elétricos.
Segundo especialistas, uma combinação de fatores colocou o carro elétrico em evidência. Novas variedades surgiram em regiões onde há incentivos, como na Europa, e o forte apelo ambiental ampliou o interesse dos consumidores – compensando em parte o desgaste na imagem de uma indústria apontada como um dos vilões do aquecimento global.
É por isso que as montadoras que já vendem esses carros em outros países começaram a fazer propaganda por aqui. O elétrico da Nissan, Leaf, já completou seis meses de caravanas pelo Brasil e alcançava, no fim de novembro, mais de 6,8 mil “test drives”. Quem experimentou o elétrico japonês frustrou-se, no entanto, ao descobrir que o modelo não está à venda.
O preço é o maior obstáculo. O elétrico ficou ainda mais inacessível depois que o governo elevou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos importados em 30 pontos percentuais. Sem impostos, o Leaf chegaria ao Brasil ao preço de
US$ 32 mil (cerca de R$ 58 mil no fim de novembro), segundo o diretor de marketing da Nissan, Murilo Moreno. Mas passaria de R$ 200 mil se fosse vendido ao consumidor hoje, com as taxas. O I-Miev, elétrico da Mitsubishi, sairia hoje, com todos os impostos, por R$ 240 mil.
Para o diretor de engenharia da Mitsubishi, Reinaldo Muratori, com incentivos, adicionados aos ganhos naturais do aumento da escala, é possível que daqui a dois anos esse mesmo modelo possa ser vendido por aqui a um preço que hoje ficaria entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. É um pouco mais do que custam, por exemplo, modelos como o Fox, da Volkswagen, ou o Idea, da Fiat. Em um prazo de três a cinco anos, diz o executivo, a Mitsubishi estaria pronta para investir na fabricação desse tipo de veículo no Brasil.
Como a sobrevivência do carro elétrico depende de infraestrutura, começa a surgir também o apetite de empresas que podem organizar a recarga. “Abastecido”, esse automóvel tem autonomia para rodar, no máximo, 130 km, daí o interesse no uso em centros urbanos.
A Mitsubishi se prepara para entregar dois veículos para a empresa de energia elétrica Light e outro para a Petrobras. Ambas devem usá-los para testes. No caso dos postos de venda de combustível, que já demonstram interesse em incluir pontos de recarga para elétricos, é preciso, porém, resolver uma questão legal, já que somente distribuidoras podem vender energia no país.
É provável que outras montadoras que ainda não exibiram elétricos vendidos em outros países já estejam se preparando para entrar no mercado quando o governo anunciar os incentivos. É o caso da Citroën, que já oferece o modelo elétrico C-Zero na Europa, inclusive em programas de locação.
A General Motors, que há até pouco tempo não participava de nenhuma ação nesse sentido no Brasil, começou em agosto de 2011 a exibir o seu modelo Volt, fabricado nos Estados Unidos. O carro tem um motor a combustão que serve essencialmente para abastecer o sistema elétrico quando necessário. Isso garante autonomia constante. Em forma de expedição, o Volt vai percorrer cinco Estados brasileiros.
Os fabricantes dos carros híbridos, que funcionam tanto com motor elétrico como a combustão, têm se mobilizado para que o governo inclua esse tipo de veículo em eventual lei de incentivos. A vantagem da tecnologia em relação ao 100% elétrico é não precisar da infraestrutura pública para a recarga de baterias.
Nessa categoria, a Ford foi pioneira ao lançar a versão híbrida do Fusion, vinda do México, há quase um ano. A próxima será a Toyota. A montadora japonesa iniciará uma intensa campanha do Prius – primeiro híbrido lançado em escala comercial no mundo –, um modelo que começará a ser vendido no Brasil no segundo semestre de 2012. 
Para Murilo Moreno, da Nissan, 2012 será o ano de decisões para os carros movidos a eletricidade no Brasil. Ele aposta que muitas montadoras exibirão modelos desse tipo no Salão do Automóvel em outubro, em São Paulo, como vêm fazendo nas mostras internacionais do gênero. “Ninguém mais vai virar para o lado e fingir que o carro elétrico não existe”, comenta. (Marli Olmos/Valor Econômico)

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