domingo, 11 de dezembro de 2011

Liberdade À Vista

HOSPITAIS
Valor Econômico
08 de Dezembro, 2011

Sergio Zacchi/Valor / Sergio Zacchi/ValorJosé Alcides de Queiroz Alves, 71 anos: "Pago o plano de saúde, meu e de minha esposa, com a renda vitalícia que recebo da previdência aberta"
A fila do Sistema Único de Saúde é um problema grave, mas as perspectivas de envelhecimento da população brasileira sinalizam que não será muito melhor no futuro. "As pesquisas mostram que o Brasil terá uma quantidade de longevos muito grande. Japão, EUA e Canadá ficaram ricos antes de envelhecer. Já nós estamos envelhecendo sem termos ficado ricos. Esse é um ponto que requer atenção", diz Eugênio Velásquez, diretor da Bradesco Vida e Previdência, que comanda encontros pelo Brasil afora para conscientizar clientes sobre a necessidade de poupar para o futuro.
Os especialistas projetam que o Brasil dará um salto de 23,8 milhões de habitantes entre 2009 e 2050, elevando a população para 215,3 milhões de habitantes. A proporção será de 173 idosos para cada cem crianças. Atualmente, são 24,7 idosos para cada cem. Além disso, viveremos mais. A expectativa de vida hoje é de 73,5 anos. Em 2050, chegará a 80,5 anos, segundo o IBGE.
Tais argumentos são um convite e tanto ao planejamento. Mas, começar a planejar quando se é mais velho passa a ser um desafio e requer habilidade. "É preciso mudar muita coisa na rotina e no estilo de vida. E são poucas as pessoas que aceitam mudanças com bom humor", diz Carolina Wanderley, consultora sênior de previdência privada da Mercer.
Carolina atende grupos de executivos que se preparam para a aposentadoria, o que lhe permite colecionar uma lista de dicas para chegar nessa fase da vida sem grandes perdas. O primeiro conselho é: comece a poupar o quanto antes. Sérgio Rosa, presidente da Brasilprev, explica em números o que isso quer dizer. "Quando você tem tempo, o dinheiro trabalha a seu favor", diz. Se uma pessoa começa a poupar com 15 anos, tem 40 para gerar recursos até os 55 anos. Nesse caso, as contribuições representam 32% da poupança acumulada e os juros, 68%. Já uma pessoa que começa a poupar aos 45 anos, o patrimônio do fundo será formado por 71% das contribuições e 23% de juros.
Tal argumento, aliado ao debate sobre a necessidade de os governos reduzirem parte do rombo com endividamento gerado após o socorro aos bancos durante a crise mundial, fez as vendas de previdência privada darem um salto nos últimos anos. O setor de previdência aberta no Brasil deverá encerrar 2011 com crescimento de 20% nas reservas, para R$ 273 bilhões, 7% do PIB do país.
A saída menos traumática é planejar um orçamento financeiro, bem como antecipar aspectos práticos. De imediato, uma ajuda e tanto é manter hábitos saudáveis para gastar menos com médicos, hospitais e remédios. Ainda assim é preciso ter uma poupança para fazer frente às despesas médicas na melhor idade, período mais crítico para o surgimento de doenças crônicas. Para se ter uma ideia, o gasto médio do beneficiário de plano de saúde com mais de 59 anos é o dobro daquele com idade entre 54 e 58 anos.
Saúde é o principal item de gasto na aposentadoria. Foi o que fez José Alcides de Queiroz Alves, de 71 anos. Mesmo sendo herdeiro de um bom patrimônio de imóveis, ele comprou um plano de previdência da Bradesco Vida e Previdência há dez anos. "Pago o plano de saúde, meu e de minha esposa, com a renda vitalícia que recebo da previdência aberta. Assim não corro o risco de perder parte do patrimônio acumulado em vida em razão de gastos com doenças", diz.
Sábia decisão. O número de pessoas com mais de 60 anos representa atualmente 10% dos 190 milhões de habitantes. Apenas 5,5 milhões têm plano de saúde privado. Em 2050, a previsão é de que os idosos representem 30% da população brasileira. Mesmo com um fundo de reserva, o risco é grande. O custo de uma internação de 15 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pode se equiparar ao valor de um apartamento. "Temos muitas histórias de quem perdeu boa parte do patrimônio para pagar despesas médicas. Por isso recomendamos que nossos clientes deem prioridade aos grandes riscos, como internação hospitalar", afirma Alberto Filho, executivo da AD Corretora de Seguros.
Até pouco tempo atrás, boa parte dos empregados contava com planos de saúde quase eternos. Isso acabou. Agora as grandes e médias corporações oferecem o básico e só para quem está na folha de pagamento. As operadoras de saúde, por sua vez, alegam que a lei do setor excedeu os limites de proteção ao consumidor, tornando o produto caro.
É importante analisar as reais necessidades do plano de saúde. Se a ideia é morar na praia ou no interior quando se aposentar, será realmente necessário ter um plano de saúde com abrangência nacional? Será que a cidade não tem um hospital público considerado modelo na região? "São questionamentos importantes para esticar o dinheiro", recomenda a consultora da Mercer.
Willian Eid, consultor financeiro, ressalta um item importantíssimo para quem já pensa em aposentadoria: fazer contas bem feitas. Uma ideia comum entre as pessoas de 60 anos é pegar o patrimônio acumulado e dividir pelo número de anos que imagina que vai viver. Essa conta acaba fazendo com que a pessoa consuma uma parte do capital e o rendimento. "Limite-se a usar só o rendimento e deixe o principal rendendo", diz.
Richard Seegerer, superintendente executivo de previdência do Santander, também recomenda deixar o dinheiro trabalhando por você. "Mesmo que tenha chegado o fim do contrato do plano de previdência, se estiver trabalhando, postergue o saque para que os juros compostos engordem a sua poupança", diz.
Pesquisar as taxas cobradas também é outra dica que vale ouro, diz quem entende do assunto.

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