Valor Econômico
30 de Novembro, 2011
Enquanto as multinacionais Sodexo e Compass disputam de forma cada vez mais acirrada o emergente mercado brasileiro, empresas nacionais de refeições coletivas começam a cravar suas marcas em outros territórios. Por enquanto, somente a Sapore atravessou as fronteiras, rumo à Colômbia e ao México. E a Spice Gourmet se prepara para seguir o mesmo caminho, mas isso deverá ocorrer apenas no médio prazo.
Para Antonio Guimarães, diretor executivo da Associação Brasileira de Empresas de Refeições Coletivas (Aberc), a internacionalização só ocorre em casos específicos: "Os demais países já têm suas próprias empresas, além das grandes multinacionais".
Guimarães cita como "específico" o caso da Sapore, que se estabeleceu no México e na Colômbia há quatro anos para atender clientes que já cativara no Brasil. Esse mesmo mote poderá levar a Spice Gourmet ao exterior. A empresa negocia a possibilidade de fornecer refeições para uma construtora brasileira com operações em um país da América Latina, segundo Sérgio Lopes, CEO da Spice Gourmet: "As empresas sinalizam que têm dificuldades nessa área na região".
Brasileiros estão acostumados a lidar com cardápios variados devido aos diferentes hábitos regionais
Mas superar tais dificuldades é um grande desafio, de acordo com Diogo Lombas, diretor executivo da Sapore. A empresa começou a atuar no México em abril de 2007, ao comprar a mexicana Coral. No mesmo ano, em setembro, ingressou na Colômbia com operação própria. Nos dois países a Sapore atende empresas que são suas clientes também no Brasil - Motorola e Thyssen Group no México e Philips e Eternit na Colômbia. "Nossas operações fora do Brasil ainda são pequenas. Precisamos conhecer mais esses mercados", afirma Lombas, informando que a Sapore serve 55 mil refeições por dia nos dois países, menos de 7% do volume que produz e comercializa no mercado brasileiro, em torno de 795 mil.
Lombas lembra que é preciso superar por exemplo diferenças culturais, acrescentando, porém, que as empresas brasileiras estão acostumadas a lidar com cardápios variados por causa dos diferentes hábitos regionais no país: "O Brasil nos prepara para esse movimento". Mais difícil é se estabelecer em mercados em que a cadeia de abastecimento é pouco desenvolvida. A diferença nessa área é muito grande entre Brasil e os demais países da região, de acordo com Lombas: "No exterior o negócio pode ser até mais lucrativo, mas é preciso fazer todo o desenvolvimento".
Segundo Lombas, Colômbia e México também não oferecem políticas de subsídio como o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que ele considera motivação adicional para as empresas investirem em restaurantes corporativos, uma vez que parte dos recursos é abatida dos impostos: "O PAT fez com que o Brasil se tornasse uma potência em volume de negócios de refeições corporativas". Atualmente, na opinião de Guimarães, da Aberc, o PAT tem menos peso porque permite desconto de apenas 20% do valor das refeições nos salários e muitas vezes as companhias optam por cobrar metade e ficar fora do programa.
Com ou incentivos ou não, a Sapore sempre vislumbrou o status de multinacional. Conforme Lombas ela está sendo preparada para crescer no exterior, no embalo dos esforços do governo brasileiro, nos últimos anos, para estimular a internacionalização das empresas.
Quando comprou a mexicana Coral, a Sapore anunciou que seu objetivo era faturar R$ 500 milhões até 2012 no exterior, algo próximo das vendas da companhia no Brasil naquela época. O projeto fazia parte de uma estratégia ampla de crescimento, que previa faturamento de R$ 2 bilhões em 2012, dos quais 20% viriam do mercado externo. A crise internacional foi uma das pedras no caminho da empresa, que teve um prejuízo de R$ 30 milhões em 2009 e uma estagnação em 2010. No primeiro semestre de 2011 as vendas cresceram 17,6%. (C.D.)
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