domingo, 11 de dezembro de 2011

Café Sem Dióxido

RESTAURANTES
Valor Econômico
08 de Dezembro, 2011


Daniel Wainstein/Valor / Daniel Wainstein/ValorLuis Norberto Paschoal: café ambientalmente amigável e de alta qualidade tem mercados cativos na Europa e no Japão e se torna finalmente bom investimento
Luis Norberto Paschoal tem um sorriso triunfante quando fala da Daterra. Ela acabou de receber a certificação de "Módulo Clima" pela Rainforest Alliance - a primeira empresa do Brasil a ganhar essa certificação de sustentabilidade. Não é pouca coisa.
Para produzir seu café, usar tratores a diesel e fertilizantes, transportá-lo etc., a Daterra emite 6,8 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) ao ano. Entretanto, o "sequestro" de gases pelas florestas nativas e de reflorestamento conservadas pela Daterra, conjugado às iniciativas de economia de energia e de racionalização de água, fez com que essa emissão fosse não só neutralizada, mas resultou também num "crédito verde" de 7,2 mil toneladas de CO2. No fim das contas, para cada saca de café de 60 kg que sai da fazenda há um crédito positivo de 90 kg de CO2.
"A sustentabilidade não é apenas uma questão ambiental e não é um sonho de gente que 'rasga dinheiro'. A Daterra [que faz parte do Grupo DPaschoal] está no azul há três anos", diz Paschoal. E os planos de crescimento da produção? De modo "multiplicador", explica. "Nossos vizinhos também querem ser certificados e vender para nós."
A satisfação de Luis Paschoal se dá muito por causa da teimosia que deu certo. Poucos anos atrás, sofrendo com os preços baixos do café no mercado internacional, a produção da Daterra já era até reconhecida como de primeira qualidade, mas não se pagava.
Para agravar as coisas, o conselho de administração da DPaschoal ainda passou a pressionar pela venda de toda a operação. Afinal, os 15 milhões de pés de café no cerrado mineiro e no interior de São Paulo pareciam ali apenas uma distração dispendiosa dentro de um grupo tão grande - faturou no ano passado R$ 1,7 bilhão com vendas de pneus, baterias, amortecedores e serviços automotivos- e que passava por uma reestruturação difícil.
"Mas conseguimos provar que sustentabilidade não é antônimo de lucratividade." Atualmente os blends especiais são vendidos diretamente pelo Ateliê do Café e a marca Daterra é um sucesso no Japão. Mas esse caso do Japão é uma história para contarmos depois.

Nenhum comentário:

Postar um comentário