Valor Econômico
02 de Dezembro, 2011
Os hotéis de luxo dos Estados Unidos e de outras partes do mundo esperam que mais hóspedes façam check-in e fiquem um tempo - um longo tempo.
Os hotéis de luxo estão cortejando cada vez mais os chamados hóspedes de estadia prolongada, que residem por um mês ou mais de cada vez.
Meses de arrumadeira diária e ataques ao minibar podem parecer divertidos, mas morar num hotel, mesmo que seja um dos de luxo, não parece como estar em casa. Executivos do setor hoteleiro dizem que a demanda por estadia prolongada é alimentada por pessoas trabalhando em projetos em cidades distantes, viajando para receber tratamento médico ou que ficaram sem teto subitamente por causa de um desastre natural.
As instabilidades do mercado imobiliário, como a que ocorre hoje nos Estados Unidos depois da crise das hipotecas, também geram demanda. Famílias que estão de mudança podem passar meses sem ter onde morar, impedidas de comprar uma casa na nova cidade enquanto a outra não vende. Outros optam por reformar suas casas em vez de comprar uma melhor - e precisam de um lugar para ficar. Alguns hotéis têm visto mais interesse de viajantes internacionais de economias que vivem um boom, como a do Brasil, e querem tirar férias prolongadas.
Pessoas se divorciando também são um mercado grande, especialmente o "cavalheiro que não está acostumado a cuidar de si mesmo", diz Bob Boulogne, diretor operacional da Rosewood Hotels & Resorts.
Muitos hotéis de luxo costumavam evitar estadias prolongadas, principalmente porque esses hóspedes geralmente recebem descontos na diária. Mas com a taxa de ocupação por volta de 70% nas redes de luxo dos EUA, e os preços ainda distantes do nível de antes da recessão, os hotéis querem agora é encher seus quartos.
Os visitantes de longo prazo geralmente gastam mais que outros viajantes em serviços do hotel como restaurante, serviço de quarto e de spa. Um grupo recente de viajantes estrangeiros reservou mais de 150 quartos do Waldorf Towers, que fica no topo do lendário hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, por vários meses para membros em tratamento médico. Eles gastaram US$ 10.000 com lavanderia só na primeira noite, diz Matt Zolbe, diretor de vendas e marketing do Waldorf-Astoria.
O Hotel & Spa Surrey, em Nova York - que instalou cozinha completa em suas suítes numa reforma em 2009 - tem visto um crescimento de 50% nas estadias prolongadas até agora em 2011, comparado ao mesmo período de 2010. A AKA, uma rede de oito hotéis de luxo especializada em estadia prolongada, vai abrir filiais em Londres e em Beverly Hills, na Califórnia, ano que vem. O resort Rosewood Sand Hill, de Menlo Park, Califórnia, inaugurado em 2009, foi projetado com cinco casas de dois e três quartos para comportar os hóspedes que ficam mais tempo.
O médico Gary Massad está morando no Rosewood Crescent Hotel, de Dallas, Texas, há 13 meses enquanto sua casa em Oklahoma City, no Estado de Oklahoma, passa por reparos depois de ser danificada numa tempestade de granizo (sua seguradora está pagando a maior parte da conta).
Para acomodar seu guarda-roupa, o hotel trouxe uma arara com rodinhas, outro armário e meia dúzia de prateleiras de bagagem adicionais. A cesta de frutas da sua suíte tem muita banana e pouca laranja, do jeito que ele gosta. Quando fazem a cama, as arrumadeiras deixam o controle remoto na mesa ao lado da cadeira onde Massad assiste TV, em vez de deixá-lo numa bandeja na cama, como nos outros quartos. As luzes ficam acesas e as persianas abertas (outra mudança em relação ao procedimento típico de arrumação). "Gosto de ver a cidade quanto chego", diz Massad.
As arrumadeiras do Rosewood Crescent tiram foto dos produtos de higiene pessoal dos hóspedes de longo prazo para gravar e poder assim imitar a organização preferida da escova de dentes e dos vasos de perfume. O Mansion on Peachtree, um hotel da Rosewood em Atlanta, permite até pendurar no quarto obras de arte dos hóspedes de longo prazo. O Biltmore Santa Barbara, um resort californiano da marca Four Seasons, transformou um quarto de 37 metros quadrados no closet de um hóspede que ficou na suíte ao lado durante quatro meses. Os restaurantes dos hotéis preparam refeições especiais para hóspedes que podem já ter provado várias vezes o cardápio inteiro.
Garrett Calacci, um investidor imobiliário de 35 anos que mora desde março no Resort at Pelican Hills em Newport Beach, Califórnia, já fez alguns pedidos inusitados. Algumas vezes, quando foi beber com os amigos na cidade, telefonou para o hotel e perguntou se "Dá para vir me pegar?", conta Calacci. "Meus amigos sempre acham divertido quando o pessoal do hotel aparece para me buscar". Calacci se mudou para o Pelican Hill depois que a casa mobiliada que alugava foi vendida.
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