Valor Econômico
02 de Dezembro, 2011
O Hyatt Hotels não poupou esforços em seu novo hotel-boutique Andaz, localizado na área de bares e entretenimento de Xangai: os quartos têm iluminação de cores ajustáveis e banheiras resplandecentes, com vista para o velho bairro da cidade conhecido como Concessão Francesa graças a janelões que vão do piso ao teto. Há até um spa de 2,2 mil metros quadrados e um pavilhão de vidro, cercado por água, para casamentos e grandes eventos.
Inaugurado há um mês, o Andaz é um dos 19 hotéis de cinco estrelas abertos em Xangai nos últimos cinco anos. Muitos ostentam luxos de arregalar os olhos. O que não ostentam, no entanto, são hóspedes suficientes. O índice de ocupação dos hotéis da cidade nos nomes primeiros meses do ano foi de 54,4%, abaixo dos 64,4% verificados no mesmo período de 2010, quando a cidade recebeu a World Expo, segundo a empresa de consultoria STR Global.
Em comparação, em Hong Kong e Cingapura, mais de 80% dos quartos ficam ocupados. O excesso de capacidade é um problema similar por toda a China, com o índice nacional de ocupação de hotéis de 61% em setembro, segundo a STR Global.
O número de quartos de hotéis de redes internacionais na China deverá aumentar 52% até 2013, depois de ter avançado 62% nos últimos cinco anos, de acordo com a Jones Lang LaSalle Hotels, que acompanha dados em 30 cidades chinesas. "Os hotéis em alguns mercados na China estão claramente com excesso de oferta para os próximos três a cinco anos", diz Nigel Summers, diretor em Hong Kong da Horwath Asia Pacific, empresa de consultoria hoteleira.
Essas preocupações não vem detiveram as redes de luxo. A Hilton Worldwide divulga que terá cem hotéis na China até 2014, o quádruplo do número de propriedades administradas atualmente pelo grupo. No InterContinental Hotels Group, da Grã-Bretanha, dono das redes Holiday Inn e Crowne Plaza, um em cada quatro novos quartos de hotel a serem inaugurados nos próximos cinco anos estará na China. "Podem existir bolhas no curto prazo, mas no longo prazo nos sentimos muito confiantes", diz Richard Solomons, executivo-chefe do InterContinental Hotels Group. A empresa informa que sua receita por quarto disponível, referencial para o nível de ocupação e tarifas, subiu 6,4% no terceiro trimestre, puxada pelo aumento de 10,8% na Grande China, que também inclui Hong Kong, Macau e Taiwan. O grupo desenvolve uma rede de hotéis, ainda sem nome, específica para a China, a ser anunciada em 2012.
Nos próximos dez anos, 25% dos hotéis operados pela Ritz-Carlton, controlada pela Marriott International, estarão na China, em comparação aos atuais 10%.
Para a Starwood Hotels & Resorts Worldwide, dona das redes St. Regis, Sheraton, Westin e W, a China pode acabar passando os EUA como principal mercado hoteleiro, segundo o executivo-chefe do grupo, Frits D. van Paasschen. A Starwood planeja dobrar o número de hotéis e chegar a cem unidades até o fim de 2012.
Os donos de hotéis apostam que as viagens dos chineses, cuja renda fica cada vez maior, alimentarão a demanda por mais quartos. Os viajantes chineses fizeram cerca de 2,1 bilhões de viagens dentro do país em 2010, sendo que as viagens domésticas deverão ter crescimento médio anual de 9% nos próximos cinco anos, de acordo com a Jones Lang LaSalle Hotels.
As redes internacionais "correm o risco de diluir suas marcas", diz Ricco DeBlank, executivo-chefe da divisão hoteleira da Sun Hung Kai Properties, que controla o Ritz-Carlton em Xangai. "É uma preocupação simplesmente ver todas essas marcas indo em ritmo tão acelerado à China porque não podem ir a nenhum outro lugar."
Conclusão: a expansão agressiva das operadoras de hotéis resulta em baixos índices de ocupação. Apenas 61% dos quartos de hotel ficam ocupados.
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