Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
Aos 41 anos, funcionária da área comercial da American Airlines, Simone Kruger encara a malhação como rotina diária. Vai à academia religiosamente de segunda a sexta-feira e, vez ou outra, repõe as séries perdidas também nos finais de semana. Seu endereço cativo? A unidade da Bodytech do Shopping Eldorado, um dos mais tradicionais da capital paulista. "Não consigo encontrar nenhum inconveniente para me exercitar numa academia que fica dentro de um shopping", afirma. "Tem mais segurança, estacionamento gratuito, não é preciso enfrentar chuva, vento ou frio e ainda dá para fazer umas comprinhas".
Simone também aponta como vantagem o fato de contar com uma boa oferta de alimentos para fazer um lanchinho antes dos exercícios, o que não acontece com as unidades de rua, que têm apenas a própria lanchonete. O fato de já estar no shopping, ainda facilita a compra de presentes de última hora e até da 'meia fina' para compor o visual do dia seguinte. "Como gosto de cinema, acabo frequentando os do Eldorado, e indo até mais vezes do que se não tivesse que me dirigir diariamente ao shopping", reforça.
Para a microempresária Jacqueline Miranda, 25 anos, o que mais interessa é o horário de funcionamento, que lhe permite malhar até às 23h ou aos domingos. "São horários que o shopping costuma estar mais vazio", diz. A jovem frequenta a unidade da Bio Ritmo do Shopping Interlagos, estrategicamente localizada no caminho entre o trabalho e sua casa.
Consideradas âncoras importantes em boa parte dos shoppings do país, as academias ocupam grandes áreas de menor valor comercial para o shopping mas que, no balanço final, têm um peso representativo na composição da rentabilidade. "Normalmente, nos instalamos no terraço ou no subsolo, o que para nós é indiferente, porque somos destino", diz Luiz Urquiza, superintendente da rede de academias Bodytech. Com 28 unidades espalhadas pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Brasília, a rede tem 10 academias em shoppings e pretende pautar sua expansão para o interior do país ancorada nas inaugurações de novos empreendimentos comerciais. "Estamos estudando o potencial de cidades como Sorocaba, Jundiaí e São Carlos, que deverão receber as primeiras academias Bodytech", diz.
Embora muitos acreditem que implantar uma academia em shopping center custe mais do em um ponto de rua, Urquiza assegura que não. Os shoppings costumam fazer boas parcerias com as redes, porque elas geram fidelidade do consumidor e ocupam áreas que as lojas tradicionais dificilmente aceitariam.
Edgard Corona, superintendente da Bio Ritmo, diz que a academia já faz parte do mix dos shoppings, agregando sem atrapalhar. O que isso quer dizer? Que gera fluxo de público em dias e horários em que os shoppings tradicionalmente são mais vazios. "De uma base de mil alunos, a totalidade comparece às segundas-feiras e apenas 40% malha na sexta-feira." Com 20 unidades, a Bio Ritmo tem apenas seis pontos de rua, os demais estão instalados em shoppings e centros comerciais.
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