Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
A expansão da economia e dos setores de shoppings e franquias resultou numa elevação nos preços das luvas, dos aluguéis, das taxas de franquia e dos condomínios dos shoppings, o que tem acirrado, neste momento, as negociações entre shoppings e franquias. "O fato é que a relação está mais tumultuada neste momento, pois nunca foi tão difícil e caro para um lojista se instalar em um shopping", afirma Marcos Hirai, da BG&H Real Estate. Os preços das luvas, cobradas para a entrada de lojas nos shoppings, segundo ele, dobraram nos últimos 18 meses. E os preços dos aluguéis subiram 30%, no período.
"De fato, o que regula o mercado é a lei da oferta e da procura e a demanda por pontos comerciais é grande neste momento, mas sinto que as negociações já começam a voltar para a normalidade", diz Ricardo Bomeny, presidente da ABF. "O mercado aquecido é bom, então estamos enfrentando um bom 'problema'", afirma Almeida Junior, da Westfield Almeida Junior.
Cláudia Bittencourt, diretora-geral do grupo Bittencourt, empresa de consultoria para desenvolvimento e expansão de negócios, diz que, neste momento, os franqueados devem ter cautela e fazer contas para ver se os custos da operação do negócio que pretendem abrir tornarão a loja viável. "Quanto maior a força da marca, não há dúvida, maior poder de negociação", afirma a diretora-geral do grupo Bittencourt.
Expansão simultânea leva as empresas a negociar pacotes de pontos comerciais antes do lançamento
A expansão simultânea dos shoppings e das lojas de franquia levou as empresas dos dois setores a negociar pacote de pontos comerciais antes de os empreendimentos serem lançados. A reserva de espaços para novos shoppings ocorre, principalmente, no caso de fast-food e de lojas-âncoras.
Com 90 lojas em shoppings, a rede de fast-food Griletto já tem contrato assinado para instalação de 25 lojas em shoppings que serão inaugurados no ano que vem. "Temos lojas reservadas, com preços definidos, para shoppings que serão abertos em 2014", afirma Ricardo José Alves, sócio-proprietário da rede Griletto.
Nesse caso, a franquia já começa a pagar o valor da luva ao empreendedor de forma parcelada. Assim que o shopping é aberto e a rede encontra lojista interessado na franquia, cobra o valor já quitado do franqueado, que também fica responsável pelo aluguel e pelo condomínio da loja.
"No nosso caso, uma franquia do setor de fast-food, os shoppings são fator determinante para nosso crescimento, por isso as negociações são feitas assim que fica decidido onde será aberto um novo empreendimento. A praça de alimentação também se tornou âncora dos shoppings", diz Alves.
Com 1.082 lojas, das quais 281 em shoppings, a rede Cacau Show tem 20 contratos assinados e 12 em negociação para instalação de lojas em empreendimentos que serão inaugurados até 2013.
"Com alguns empreendedores fazemos uma espécie de pool de negociação de pontos comerciais que seja bom para os dois lados", afirma Marina Gentil, gerente de expansão da rede. A franquia quer crescer em shoppings e também ter mais lojas de rua, principalmente em cidades com menos de 200 mil habitantes onde ainda não existem shoppings centers.
As lojas em shoppings, porém, segundo Gentil, têm mais visibilidade e são mais rentáveis, pois chegam a faturar até 45% mais do que as de rua. "Nos shoppings, o público está mais aberto ao consumo, até por conta da comodidade e da segurança que eles oferecem."
A rede de franquias de bijuterias Morana, com 180 lojas no país, das quais 170 lojas em shoppings, já possui contratos assinados para instalação de cerca de 15 pontos comerciais em shoppings que serão inaugurados nos próximos dois a três anos em várias regiões do país.
Na maioria dos casos, o franqueado - já definido - paga de forma parcelada a luva para o shopping. "O próprio franqueado, que mora na região onde novo shopping será aberto, nos procura e nós damos o aval para o negócio", diz Eduardo Morita, diretor de negócios do grupo Ornatus, que administra ainda as franquias Jin Jin (comida asiática) e Balone (bijuterias). Há casos também em que a franquia negocia o ponto e repassa para o franqueado, que reembolsa o que já foi pago para o shopping. Em São Paulo, segundo Morita, o preço da luva varia entre R$ 4.000 e R$ 5.000 o metro quadrado, valor que subiu 80% nos últimos cinco anos.
A insegurança para trabalhar com lojas de rua levou a Nexar, especializada em produtos de informática, a traçar planos de expansão nos shoppings. Com sete lojas, das quais três abertas em novembro, a Nexar vai abrir neste ano a primeira loja franqueada no shopping Barueri. "Como trabalhamos com produtos de preços mais elevados, como notebooks e computadores, optamos por sair das ruas e crescer em shoppings, que são mais seguros", afirma Airton Joaquim, diretor de expansão da Nexar.
Como a Nexar está começando agora o processo de crescer com franquias, a empresa é que procura os empreendedores de shoppings em busca de pontos comerciais. "Até agora, não tivemos problemas para entrar porque o nosso mix de produto é diferenciado, já que fazemos também manutenção de computadores e notebooks, além de atualização de GPS", diz.
Joaquim diz que paga cerca de R$ 200 mil a R$ 300 mil de luva para instalar uma loja em um shopping, com contrato de cinco anos. "Os preços estão altos, mas os shoppings são mais seguros e têm fluxo maior de pessoas." (F.F.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário