Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
Atrair os frequentadores assíduos e até conquistar novos visitantes pela beleza e ineditismo de sua decoração natalina, é tarefa que exige criatividade e planejamento. Por essa razão, os departamentos de marketing dos shoppings buscam a melhor forma de traduzir a chamada "magia do Natal" desde o início do ano - as empresas especializadas montam showroom com múltiplas sugestões em março.
A cada ano, os ornamentos natalinos disputam a atenção do público e dos empreendedores. As opções neste ano vão da tradicionais árvores repletas de enfeites e cascatas de luzes até o irresistível carrossel, passando por uma orquestra só de papais-noéis, safári em plena metrópole, e a interatividade do mundo virtual.
Criada em 1981 para decorar um shopping de Belo Horizonte, e neste ano responsável pelos ornamentos natalinos de 130 complexos varejistas e de entretenimento - sendo um deles na Argentina e outro no Uruguai -, a Cipolatti é de longe a maior empresa brasileira do segmento. Ostenta números como o uso de 6 milhões de microlâmpadas, 396 mil bolas, 120 mil laços, 240 árvores de mais de 6 metros de altura, 8,3 mil guirlandas e 8,2 mil bichos de pelúcia. "A Cipolatti é a grande referência, mesmo para a concorrência", ressalta Conceição Cipolatti, que dirige a empresa com os quatro filhos.
Nas empresas de decoração, quadro de funcionários aumenta em até cinco vezes no segundo semestre
Empresária e pianista, Conceição busca dar espaço à música nos trabalhos que desenvolve, como fez no projeto deste ano do paulistano Centro Comercial Aricanduva, em homenagem ao renomado maestro João Carlos Martins. Com o tema "Natal na Música", o centro comercial exibe também uma réplica do Teatro Municipal de São Paulo, no ano de seu centenário, e uma orquestra sinfônica de papais-noéis animatrônicos - este, aliás, um recurso utilizado pela primeira vez em 1997, pelo Eldorado, também da capital paulista. O total investido foi de R$ 3 milhões, em decoração e campanha publicitária.
"A busca do ineditismo faz parte de nosso DNA", anuncia Sandrine Nass, gerente de marketing do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, que não hesitou em escolher o tema "Natal Safári", investimento de mais de R$ 2 milhões, entre decoração e publicidade.
Idealizado por Cecília Dale - grife na área de decoração com 11 lojas voltadas para a classe A -, o cenário é uma alusão aos safáris africanos. "Há dois anos, fiz um safári fotográfico, com dois netos, na África do Sul", conta Cecília Dale. "Com a mata original que temos no Shopping Cidade Jardim e várias marcas que usam estampas de animais selvagens, surgiu a ideia do Natal Safári", complementa a empresária. Na Tenda do Papai Noel, por exemplo, há um tapete que imita uma pele de zebra.
Responsável pela decoração de 12 shoppings em 2011, Cecília Dale estreou no segmento em 1999 ao decorar o Shopping Pátio Higienópolis, que leva o nome do bairro paulistano e neste Natal resgata a memória infantil com o "Carrossel do Papai Noel" - reprisando o sucesso do ano passado. Embora não goste de revelar números, a empresária garante que as atividades natalinas representam apenas 20% do total de seus negócios.
Para Sérgio Camargo Molina, no segmento desde 1992 com a empresa C+E, o bonequinho animatrônico já não é mais suficiente. "É preciso aumentar o grau de envolvimento da geração internet e iPod", acredita ele. Responsável pela decoração de 60 shoppings, que inclui parceria com a Disney e a empresa BR Malls, administradora de mais de 40 shoppings no país, a C+E faz o "Natal Club Penguin" no Complexo Comercial Tatuapé - formado pelos shoppings Metrô Tatuapé e Boulevard Tatuapé, na capital paulista.
Num cenário inspirado na ilha Club Penguin, mundo virtual infantil com mais de 150 milhões de usuários, há 15 computadores conectados com jogos do Disney Club Penguin. Há também iglus, muitas cores e 50 pinguins animatrônicos de 1,30 m de altura. "Quero o público que faz a diferença, crianças de 5 a 13 anos. Se tem algo de interatividade, eles trazem a família", ressalta Molina. "Nosso papel é ser um instrumento para atrair mais público. Fazer o público frequentar o shopping e, se possível, 'roubá-lo' de outro. Se tiver o Mickey, a criança vai preferir", atesta.
Com temas tão diferentes, as empresas dispõem de logística semelhante. Todas têm um galpão - o da Cipolatti é de 30 mil m2; Cecília Dale e C+E armazenam seus materiais e ornamentos em áreas equivalente, de 8 mil m2. As semelhanças também valem para a estrutura de funcionários, de arquitetos a artistas plásticos, cenógrafos, marceneiros, eletricistas e alpinistas. A Cipolatti mantém 350 funcionários fixos, número que triplica no segundo semestre. A Cecília Dale tem 45 fixos e chega a 200 a partir de junho de cada ano. A C+E trabalha com 90 fixos e, até o início de novembro, sobe para 500. Sobre os valores cobrados para a realização dos trabalhos, somente Sergio Camargo Molina concordou em dar uma estimativa: de R$ 250 mil a R$ 800 mil, dependendo da complexidade e da dimensão do projeto. (L.M.)
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