segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Yum Quer Vales, Mas Governo Resiste

RESTAURANTES
Valor Econômico
22 de Novembro, 2011


Aaron M. Sprecher/Bloomberg/Aaron M. Sprecher/BloombergYum, dona das redes Taco Bell e KFC, quer aceitar vale-refeição, mas autoridades nos EUA reclamam da iniciativa
Ativistas defensores de políticas de benefício à saúde esbravejaram quando souberam que gigantesca empresa alimentícia Yum! Brands queria deixar a população de baixa renda nos Estados Unidos usar o vale-alimentação governamental em suas redes de lanchonetes Taco Bell e KFC. Agora, o Departamento de Agricultura dos EUA, que financia o programa de vales, também se manifestou contrário à ideia e passou a encorajar os Estados a não dar luz verde aos planos da Yum. "Ser indiferente à qualidade dos alimentos, para nós é simplesmente um grave erro", diz Kevin Concannon, subsecretário de Alimentos, Nutrição e Serviços ao Consumidor. "Devemos promover o acesso a alimentos saudáveis."
A Yum fez lobby com autoridades governamentais em Ohio, Pensilvânia, Flórida e Kentucky para permitir que seus restaurantes participem do Programa de Assistência Nutricional Suplementar (Snap, em inglês), que é administrado pelos Estados. O programa, criado há quase 50 anos, distribuiu um recorde de US$ 64,4 bilhões no ano fiscal de 2010.
A procura pelos vales chegou às alturas desde o início da recessão em 2007. Um número recorde de 45,8 milhões de americanos usou o programa em agosto, 8,1% a mais do que no ano anterior, de acordo com o Departamento de Agricultura (embora o sistema ainda seja conhecido como "food stamps" nos EUA, os "cupons de alimentos", de papel, foram aposentados na década de 90 e atualmente se usa um cartão de débito eletrônico).
O programa limita os tipos de produtos que podem ser comprados: álcool, cigarros, rações, vitaminas e alimentos quentes estão na lista proibida. Embora 85% dos vales sejam resgatados em armazéns e supermercados, alguns Estados começaram a permitir que pessoas com limitações de cozinhar - sem-teto, idosos ou deficientes - comprassem comidas quentes em estabelecimentos autorizados de refeições rápidas. Em 2010, redes de lanchonetes como o McDonald's, Wendy's, Taco Bell e KFC, arrecadaram cerca de US$ 21 milhões em vales-alimentação.
Autoridades de Kentucky, Ohio, Pensilvânia e Flórida dizem que a Yum é a única rede de fast-food a tê-las contatado para liberar o uso dos vales como pagamento em suas lanchonetes. "É perfeitamente lógico expandir um programa que já funciona bem na Califórnia, Arizona e Michigan e permite [pessoas] sem-teto, idosos e deficientes comprarem comidas prontas com os benefícios do Snap no ambiente de um restaurante, assim como podem comprar ingredientes em um supermercado", diz Jonathan Blum, porta-voz da empresa.
O impulso viria bem para a Yum: a receita nos EUA caiu 7,9% em 2010, para US$ 4,12 bilhões, afetada pelo desemprego elevado, que limita a renda disponível, e pela intensificação da concorrência entre as redes de lanchonetes.
Os Estados que são alvo da campanha de lobby da Yum não mostram entusiasmo. "O fast-food não é realmente uma forma saudável de obter alimentos", diz Carey Miller, porta-voz do Departamento de Bem-Estar da Pensilvânia.
A Yum não teve melhor sorte em Kentucky, seu Estado natal. A Flórida tampouco aprovou a ideia. Ohio não tomará nenhuma decisão pelo menos até 2013, segundo o porta-voz Benjamin Johnson.
Embora seja muito mais conveniente pegar uma refeição em seu próprio carro pelo guichê de alguma lanchonete do que entrar em um supermercado, permitir o uso dos vales em restaurantes prejudicaria os mais necessitados no longo prazo, diz o deputado Jim DeCesare (republicano pelo Kentucky). "É uma política ruim."

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