Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
Há duas semanas São Paulo abrigou um seminário sobre luxo, do qual participaram diversos representantes de marcas internacionais. A comitiva estrangeira aproveitou a viagem para fazer um raio X dos centros de compras espalhados pelo país. Marta de Vitto, superintendente do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, cancelou a agenda para receber algum desses executivos. "Acho que encontrei uns dez empresários em dois dias", afirma.
O Leblon não é genuinamente um shopping de luxo, mas já fez suas transformações para abrigar grifes interessadas no mercado carioca. Por exemplo, deslocou lojas para instalar a Empório Armani. "Há um forte interesse no mercado carioca impulsionado pelos eventos esportivos que acontecerão na cidade. As marcas que chegam no Brasil não querem ter operação apenas em São Paulo. Estamos negociando com várias grifes e posso confirmar que a Kiehl's se instala no começo de 2012", afirma.
Segundo pesquisa feita pela MCF Consultoria & Conhecimento e pela GfK Custom Research Brasil, o consumo de itens de luxo pelos brasileiros crescerá a uma taxa de 33% em 2011. Outro estudo, da consultoria Bain & Company, atesta que o crescimento é de 20%. Números que não passam despercebidos pelas grifes estrangeiras e nem pelos empreendedores locais, que inauguram novos centros ou reformam os já existentes para receber vitrines reluzentes.
Segundo Silvio Passarelli, diretor do Programa Gestão de Luxo da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), o setor está crescendo porque o consumidor está perdendo a resistência de comprar. "Está acabando a vergonha de sentir prazer em adquirir algum bem de luxo. E os empreendedores concebem espaços mais amigáveis porque no mundo hedonista contemporâneo tendemos a repetir experiências que nos dão prazer", afirma.
O interesse do brasileiro pelo luxo fez a marca francesa Longchamp, que já está presente no Cidade Jardim, a programar duas novas unidades nos shoppings JK e Iguatemi. Kika Rivetti, brand manager da grife francesa, relata que apenas Paris tem duas lojas Longchamp. "Ter três endereços é realmente uma particularidade do mercado brasileiro até por conta de sua dimensão. O objetivo depois é seguir para outras praças".
Um problema para o investidor que chega ao Brasil é enfrentar a burocracia. Esse foi um dos motivos que incentivou shoppings a criarem um braço de varejo dentro da empresa. O retail do Cidade Jardim é responsável pelas operações de Emilio Pucci, Jimmy Choo e Hermès. "Estamos também auxiliando a entrada da Prada e da Issa. Prestamos um serviço importante ao ajudar a superar os trâmites iniciais, depois as empresas assumem o negócio", diz Richard Barczinski, diretor-geral JHSF-Retail. A demanda é tanta que o Cidade Jardim vai antecipar em cinco anos a sua expansão.. (J.M.)
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