Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
Até recentemente, receber um convite para um jantar no shopping poderia soar algo sem nenhum glamour. Afinal, a ideia era ter de sair para comer numa praça de alimentação barulhenta e lotada. Esse retrato vem mudando - e não apenas nas grandes capitais. Ao contrário. Goiânia pretende surpreender o mercado quando abrir as portas do shopping Parque das Águas, em dois anos. O projeto prevê uma ampla e sofisticada área gastronômica feita totalmente com painéis de vidro e com vista para um parque ecológico integrado ao empreendimento.
Quem surpreendeu a freguesia, igualmente oferecendo uma bela paisagem, foi o carioca Shopping Leblon, pertencente ao grupo Aliansce. Inovou, cinco anos atrás, ao construir a sua ala gastronômica, com um generoso pé direito, feito com placas de vidro, e que se debruça sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas - um cartão postal do Rio. Ráscal, Outback e até mesmo o boteco Informal estão ali, para oferecer alimentação e lazer.
Em São Paulo, o apelo à gastronomia com um visual descolado veio do Cidade Jardim, precursor no Brasil, em abolir a praça de alimentação. Ali, restaurantes espalham-se por diversos pisos, preferencialmente no jardim. É lá que estão restaurantes conhecidos como o Due Cochi, que, originalmente, é um restaurante de rua, e zarpou para dentro de um empreendimento. A sócia Ida Maria Frank diz que o retorno foi surpreendente. E, hoje, a unidade do shopping já fatura 20% a mais que a casa original, localizada no bairro do Itaim, também em São Paulo, segundo ela. "Queremos fazer novas experiências, expandindo para outras capitais", conta a empresária baiana, acrescentando que "quase fecharam negócio com o grupo Multiplan, em Brasília". Ela diz que o público se sente mais seguro dentro do shopping e a atmosfera de enorme caixa de vidro voltada para o jardim agrada.
Até porque, quem torcia o nariz para frequentar restaurantes de shopping tinha resistência a jantar ou almoçar justamente para não ficar olhando para corredores de lojas. Mas jardins são diferentes.
No Cidade Jardim, o apelo são justamente os jardins - onde também está uma unidade do restaurante Pobre Juan.
À exceção fica por conta do Nonno Ruggero no vão central do shopping, mas está aninhado num nível abaixo do corredor principal. Ana Auriemo, sócia do grupo JHSF, controlador do shopping, diz que o projeto deu tão certo que a ala em expansão vai contemplar mais dois restaurantes - um dos quais internacional e cujo nome ela está guardando em absoluto sigilo. "Será inaugurado em abril", afirma.
Precursor em abrigar restaurantes sofisticados em seus empreendimentos, o Shopping Iguatemi de São Paulo - que hospeda o tradicional Gero, do grupo Fasano - desde 1998, também está investindo. Este ano, conquistou o Ritz e o tradicional Rodeio. "São restaurantes com perfis diferentes, mas que atraem a clientela para jantar, sim, no shopping", diz Ivan Murias, diretor de operações do Iguatemi.
Contemporâneo, badalado e com 30 anos de vida, esta é a primeira vez que o Ritz vai para um shopping. Há uma peculiaridade, segundo Murias: está localizado no térreo da nova ala, com paisagismo integrado ao boulevard. "Você pode ir ao restaurante, sem passar por dentro do shopping."
Já o Rodeio, que funciona desde 1958 em um único endereço, nos Jardins, optou por se instalar 8º andar da nova ala do shopping, mas tem acesso por um elevador privativo. "Estamos com um mix ideal, que mescla restaurante tradicionais, modernos, mas também temos a praça de alimentação, como uma opção para outro perfil de cliente", afirma.
Nenhum comentário:
Postar um comentário