terça-feira, 29 de novembro de 2011

complexos Rumam Para As Prósperas Cidades Do Interior

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
29 de Novembro, 2011

Davilym Dourado/valor/Davilym Dourado/valorCristiana Arena, do Serramar Parque Shopping, em Caraguatatuba: "Cidade tem maior população do Litoral Norte de SP"
A percepção corrente de empresários e investidores do setor de shopping de que esse tipo de empreendimento, cujo foco eram os grandes centros urbanos, ruma ao interior se confirmou em pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Os dados mostram que, em 2010, 50% dos shoppings estavam instalados nas capitais e 50%, no interior do país. Há dez anos, a proporção era de 65% para 35%. Quem é do ramo explica a tendência por razões como o crescimento econômico acentuado em várias regiões interioranas, a descentralização dos investimentos e a dificuldade crescente de se encontrar bons terrenos, e a custos razoáveis, nas metrópoles.
O desempenho dos empreendimentos distantes dos grandes centros surpreende positivamente os investidores. Um bom exemplo é o Unique Shopping, em Parauapebas, sudeste do Pará. Inaugurado este ano, o shopping atrai público médio mensal de 275 mil pessoas, numa cidade de 153 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa era atrair 150 mil pessoas por mês. Nesse ritmo, acreditamos que em seis anos teremos o retorno do investimento", diz Dário Noronha, diretor de marketing da Urbia Commercial Properties, idealizadora do complexo no qual se investiu R$ 56 milhões.
Duas cidades paulistas, com potencial de consumo semelhante ao do exemplo paraense, acabam de ganhar o primeiro centro de compras e lazer: Caraguatatuba e Hortolândia. "Ser ponto de passagem entre outras cidades do litoral e o planalto e possuir a maior população do Litoral Norte foram pontos que nos levaram a optar pelo empreendimento", afirma Cristiana Arena, superintendente do Serramar Parque Shopping, projeto do Grupo Serveng em Caraguatatuba.
Já o Shopping Hortolândia, que leva o nome da cidade vizinha de Campinas, exigiu investimento de R$ 80 milhões e terá 120 lojas. "Buscamos cidades acima de 150 mil habitantes e, a partir daí, vários outros pontos são estudados", explica Flávio Haddad Buazar, CEO da Rep Centros Comerciais, responsável pelo empreendimento.
Outro estímulo à instalação de centros varejistas pelo interior do país é a facilidade na aprovação de projetos. "Cidades de médio porte têm, por exemplo, menos complicações em termos de circulação de veículos. Assim, é mais simples para o poder público local analisar e viabilizar a construção de um empreendimento de grande porte, como um shopping", ressalta Luiz Quinta, diretor comercial e de desenvolvimento da BR Malls. "Igualmente, os trâmites ligados à infraestrutura, como energia e água, se resolvem mais rapidamente."
Para Walter de Sá Cavalcante, vice-presidente do Grupo Sá Cavalcante, como a chegada de um shopping representa um up grade para a região, o processo burocrático tramita em ritmo adequado ao cronograma dos investidores. "Há um interesse maior da gestão pública em acelerar os procedimentos, mas, claro, sem negligenciar aspectos ligados a questões legais e de segurança", avalia ele.
Com experiência ampla em projetos voltados para o interior, o Grupo Sá Cavalcante concentra atividades no Nordeste e no Espírito Santo, Estado em que inaugura amanhã o Shopping Mestre Álvaro, localizado entre a capital capixaba, Vitória, e a cidade de Serra. O centro abrigará 247 lojas e exigiu investimento aproximado de R$ 276 milhões. "Nesse caso, temos uma cidade que mostra sinais de crescimento contínuo há pelo menos dez anos, reúne uma série de grandes empresas e está ao lado de Vitória, abrangendo uma população de aproximadamente 800 mil pessoas", comenta Sá Cavalcante.
Em termos de projetos e de composição do mix de lojas, a abertura de um centro de compras e lazer no interior é livre da preocupação em atrair público por faixa de renda ou área de atração, por exemplo. "Como se trata, na maioria dos casos, do primeiro grande empreendimento de varejo da cidade, o shopping precisa ser eclético, contemplando desde um hipermercado até lojas sofisticadas", define Luiz Quinta, da BR Malls.
Outro item favorável aos shoppings distantes dos grandes centros é que pedem menor investimento. Analistas da área avaliam que, se o projeto de um complexo varejista no eixo Rio-São Paulo exige aporte de R$ 500 milhões, numa cidade média do interior o montante cai para R$ 200 milhões. Isso decorre do fato de o valor do terreno ser menor nessas regiões e de os projetos exigirem área menor - costumam cair de, no mínimo, 60 mil m2 área bruta locável (ABL) para menos de 40 mil m2 de ABL.
Com tantos atrativos, é provável que, em breve, o número de shoppings no interior supere o total das capitais brasileiras. "Das cidades médias do Brasil, cerca de metade delas não tem um shopping", afirma Eduardo Gribel, presidente da Tenco, de Minas.

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