Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
Além da grande vantagem de gerar empregos, diretos e indiretos, a chegada de um shopping a um município em ascensão no interior do país representa ganhos econômicos para a região. O mais expressivo deles é o aumento da arrecadação de impostos decorrente da maior movimentação do setor varejista. Exemplo disso é o Shopping Sete Lagoas, em Minas Gerais, em funcionamento desde outubro do ano passado. "Tivemos um impacto significativo nas finanças municipais com o início de suas atividades. A estimativa é que houve um aumento de 10% na arrecadação mensal de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) após a inauguração do empreendimento", informa Eder Bolson, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo.
Em alguns casos, é possível calcular o volume de aumento na arrecadação tendo como referência as estimativas de vendas de um centro de compras e entretenimento ainda em fase de abertura, como ocorre na cidade paulista de Hortolândia. "Baseado nos estudos e projeções dos incorporadores, acreditamos que haverá um incremento de cerca de R$ 43 milhões ao ano nas receitas do município, considerando as arrecadações de Imposto Sobre Serviços (ISS) e ICMS", afirma o prefeito da cidade, Angelo Perugini, sobre as boas perspectivas em relação ao recém-inaugurado Shopping Hortolândia.
Esse aumento no volume de tributos arrecadado é também um sinalizador para os donos dos empreendimentos de cidades médias de que houve acerto nos projetos concluídos e abertos recentemente. Os incorporadores do Shopping Sete Lagoas, por exemplo, têm motivos de sobra para celebrar: em pouco mais de um ano de atividade, o centro já comporta uma obra de ampliação. Além de ganhar mais uma loja âncora, receberá uma Unidade de Atendimento Integrado (UAI), posto de serviços para a população, equivalente ao Poupatempo, de São Paulo. "Nem planejávamos uma expansão tão cedo, mas isso é um bom sinal", diz Luiz Quinta, diretor Comercial e de Desenvolvimento da incorporadora BR Malls.
Em Sete Lagoas, houve aumento de 10% na arrecadação mensal de ICMS após chegada de empreendimento
No complexo mineiro, há ainda em curso uma negociação para a instalação de uma universidade. Em razão desse desempenho promissor, a expectativa dos incorporadores é a de retomar mais rapidamente o investimento realizado. Quintas acentua que, no caso de projetos no interior, o retorno começa mais cedo em decorrência da maior rapidez na inauguração, possível porque a construção é concluída num prazo mais curto nas cidades interioranas. "Isso ficou nítido na comparação entre o Sete Lagoas e um shopping de São Paulo. No caso do mineiro, entre a compra do terreno e a inauguração, foram gastos 24 meses. Já no shopping paulistano a demora foi de 40 meses", relata o executivo da BR Malls. "E, uma vez que a operação é iniciada antes, o retorno chega antes", enfatiza Quintas.
Em termos de retorno financeiro, Eduardo Gribel, presidente da Tenco, empresa mineira especializada em empreendimentos varejistas em cidades de médio porte, é de opinião que não há diferença entre projetos no interior ou nas capitais. "Se os custos de terrenos no interior são mais em conta, também a renda da população é, em geral, mais baixa do que nos grandes centros, o que leva a um retorno similar", comenta o executivo.
Outra questão que parece não causar mais preocupação, tanto entre os incorporadores quanto entre os gestores públicos, é o impacto que um shopping pode causar no comércio tradicional das cidades. Também essa premissa foi constatada em Sete Lagoas, de acordo com o secretário municipal Eder Bolson. "Havia um grande temor dos comerciantes antigos, antes da inauguração, um ano atrás. Eles achavam que seriam prejudicados. Para nossa surpresa, não aconteceu nada do que se imaginava. Praticamente não houve prejuízo", garante Bolson.
Para o empresário Walter de Sá Cavalcante, vice-presidente do Grupo Sá Cavalcante, a chegada de um complexo varejista representa um incremento até mesmo para o comércio regional. Sua justificativa é a de que, na maioria das vezes, um shopping traz novos e prósperos empreendimentos para o seu entorno. "Isso estimula o varejo local e, além de atrair novos consumidores, acaba motivando o aumento no grau de segurança da área", diz o empresário, que atua no desenvolvimento de projetos dessa natureza, especialmente nos Estados do Nordeste.
O ganho com a profissionalização do comércio também é considerado um aspecto bastante positivo pelos analistas do setor. Para esses especialistas, o nível da administração se eleva em razão do aumento da concorrência e da aproximação dos empresários locais a métodos de gestão mais modernos e sofisticados, aplicados nas lojas de shoppings - em sua grande maioria, unidades franqueadas de grandes redes.
Na avaliação de Flávio Haddad Buazar, CEO da Rep Centros Comerciais, já está comprovado que o comércio de rua não morre em razão da implantação de um shopping. "São negócios que se complementam. Um potencializa o outro e leva ao aumento do consumo", ressalta Buazar. "Além disso, geralmente os empresários locais acabam colocando suas lojas no shopping", complementa Luiz Constantino, diretor de desenvolvimento da Prosperitas Investimentos, gestora de "private equity" dedicada também a projetos de centros de compra e entretenimento. (L.S.)
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