Valor Econômico
22 de Novembro, 2011
Mario Chady adora estudar. Mas de um modo diferente do convencional. Inquieto, passa a vida analisando questões práticas do dia-a-dia, o comportamento das pessoas e como tudo funciona. Tem obsessão por "melhorar" as coisas. Perdeu o interesse pela escola no ginásio, mas a abandonou de vez aos 20 anos, ao largar a faculdade de administração antes da metade do curso para conhecer o mundo.
Para ele, o sonho de empreender transformou-se em realidade cedo. Na adolescência, ele o amigo - e até hoje sócio - Eduardo Ourivio criavam roupas "descoladas" para uma clientela formada pelos amigos mais chegados. Durou apenas um verão, mas não matou o desejo de empreender que Chady carrega desde criança.
"Sempre quis ter um negócio próprio. Não importava o que fosse. Eu achava que ao ter um negócio eu poderia mandar na minha agenda e fazer as coisas do meu jeito", disse Chady, semana passada, no painel Empreendedorismo de Alto Impacto do Fórum Sebrae de Conhecimento, realizado em Brasília. Não demorou muito para perceber que, sim, poderia fazer as coisas do seu jeito, mas jamais teria o controle da própria agenda.
De volta ao Brasil, aos 23 anos, juntou-se a Ourívio e outros amigos para abrir um restaurante, no Rio de Janeiro. Ele nunca foi apaixonado pelo ramo. Sua intenção era montar, esperar que o negócio tivesse condição de girar, vender e partir para outra. Não deu. Aos 46, continua dono de restaurante.
Hoje, Chady e Ourívio são sócios de uma ampla rede de alimentação reunida no grupo Umbria. Mas não alcançaram esse status a partir daquele primeiro restaurante. Nem do segundo. Na verdade, a dupla chegou a ter sete casas funcionando no Rio. Uma delas, o Spoleto, oferecia uma comida com proposta italiana na praça de alimentação de um shopping do Rio. Mas faltava método e conhecimento para que os negócios fossem realmente viáveis. "Se eu tivesse apoio em 1993, quando comecei, talvez eu não tivesse quebrado em 1997", disse no Fórum. "Eu não conhecia o Sebrae."
Em 1998, Chady e os sócios dividiram o grupo. Coube a ele e a Ourívio o quiosque Spoleto. Ele aproveitou que estava cansado da vida de sair de madrugada de restaurantes e pensou num conceito que unisse comida de qualidade com um horário de trabalho mais comum. Decidiu investir no Spoleto. "A ideia era oferecer uma comida com padrão de restaurante em ambiente fast food", conta. Depois de observar um amigo, chef de restaurante, que preparava os molhos ao gosto do cliente, nasceu a ideia de permitir ao cliente montar seu prato diante de uma oferta grande de molhos e combinações. "O Spoleto é resultado do que aprendemos com nossos erros", diz.
Hoje, entre franquias e lojas próprias, o Spoleto e as demais marcas do grupo Umbria (Domino's, pizza, e Koni Express, comida japonesa) somam mais de 300 unidades no Brasil, Portugal, México e, em breve, Costa Rica.
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