terça-feira, 29 de novembro de 2011

Público Aumenta 30% Com As Áreas De Entretenimento

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
29 de Novembro, 2011

Divulgação/DivulgaçãoClaudio Zaffari, da Companhia Zaffari: "Os teatros são espaços de múltiplo uso que valorizam o empreendimento"
Combinar o prazer de ir às compras com as saídas para o lazer revelou-se uma das receitas mais agradáveis e rentáveis para os shoppings centers. Em função das áreas de lazer, como cinemas, teatros e parques infantis, as pessoas permanecem até 70% a mais nos empreendimentos.
O público que vai ver um show ou um filme chega até duas horas antes e provoca um aumento ao redor de 20% no consumo do segmento de alimentação. "Os cinemas chegam a atrair 30% a mais de público, principalmente nos finais de semana. As outras áreas de lazer movimentam também cerca de 30% em número de pessoas. Esses setores chegam a representar entre 15% a 20% do total de um empreendimento e lazer é uma exigência do consumidor", diz Nabil Sahyoun, presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Ganha quem oferece novidades e entretenimento para cativar adultos e crianças. "Os empresários viajam aos Estados Unidos com muita frequência para trazer novidades", explica Sahyoun.
A iniciativa de colocar teatros nos shoppings resultou em excelentes resultados, como acontece com a casa de espetáculos do Via Parque Shopping, no Rio de Janeiro. "O projeto ficou muito favorável e nos permite manter a casa em várias atividades. Possibilita um evento para 8 mil pessoas e 12 horas depois é possível receber um congresso com 3,5 mil participantes", explica Amaury Veras, superintendente do Via Parque. Essa mescla de eventos traz ao Via Parque um público constante. "As pessoas vêm ao shopping comprar ingresso e acabam consumindo".
O teatro também apresenta programas para as crianças. "Temos um compromisso muito sério com o público infantil e, com a consolidação do Clubinho Via Parque, temos 10 mil crianças cadastradas", conta Veras. O centro faz várias parcerias como com o Cartoon Net Work, por exemplo. Além disso, o mall tem seis salas de cinema.
A última pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em 2009, sobre o perfil do consumidor, indica que 39% dos clientes frequentam a área de alimentação. Outro dado relevante refere-se às oportunidades de aumento de vendas. Em 61% das idas aos cinemas, a pessoa registra algum consumo de alimentos. Segundo o presidente da Abrasce, Luiz Fernando Veiga, um grupo crescente de frequentadores exige opções de restaurantes mais sofisticadas e conhecidas no comércio de rua.
No acumulado de janeiro a maio, segundo a Abrasce, os serviços de alimentação e entretenimento foram as grandes vedetes do desempenho dos shoppings no Brasil, registrando expressivo crescimento de 13,56% e 20,6%, respectivamente, em comparação a igual período do ano passado. "A boa performance dos restaurantes, bares e pubs, além das salas de cinema bem equipadas, é considerada uma tendência nos grandes centros de compras", diz Veiga.
O Shopping Pátio Higienópolis, na zona oeste da capital paulista, presenteia a criançada com ingressos para as sessões dominicais. "Eventos desse tipo ocorrem pelo menos uma vez por mês", diz a gerente de marketing Marinei Cestari. Para os adultos, o Higienópolis investiu R$ 250 milhões em uma nova ala. São cerca de 30 mil m2 de área bruta adicionados ao espaço original e que incluem um boulevard arborizado, opções de gastronomia, lazer e compras, além de um expressivo aumento no número de vagas de estacionamento.
O novo espaço, inaugurado há um ano, trouxe um acréscimo de 20% no público e nas vendas. "Com isso, as pessoas ficam 70% mais tempo dentro do Higienópolis". Segundo Marinei, cada evento cultural atrai um tipo diferente de pessoa. "O morador de Higienópolis é voltado à cultura", diz. O shopping também dispõe de uma casa de espetáculo, o teatro Folha, com 340 lugares, e seis salas de cinema.
"Sempre tivemos o teatro como um atrativo e um complemento importante dos empreendimentos. Em 1991, quando o cinema estava em uma fase complicada no Brasil, fizemos os primeiros salas em shopping center, operados por nós, em Porto Alegre", diz Claudio Luiz Zaffari, diretor da Companhia Zaffari. A intenção de ter um teatro dentro do shopping era uma decisão antiga da companhia dona do Bourbon Shopping, em São Paulo, e de outros seis centros de compra. "Quando fizemos essa pesquisa, nos Estados Unidos e na Europa já existiam teatros sendo trabalhados, procurando atingir um público mais amplo", comenta.
Inaugurado em 2008, o Bourbon tem o Teatro Bradesco, com capacidade para 1.457 espectadores, o que faz dele um dos maiores do país e o maior espaço teatral dentro de um shopping no Brasil. "São espaços de múltiplo uso que valorizam o empreendimento e geram atratividade, assim como o cinema. O impacto no faturamento não é muito significativo na área de lazer. No entanto, seu papel de atrair um público para outros fins e a sinergia que se cria com outras atividades comerciais, é bastante interessante", explica Zaffari.

Nenhum comentário:

Postar um comentário