Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
Em 45 anos, os shopping centers deixaram de ser meros centros de compras e viraram espaços de convivência e lazer. As inovações em comércio, entretenimento e gastronomia conquistaram clientes de todas as classes sociais, atraídos por ambientes arejados, com pé direito alto, e paisagismo para integrar áreas verdes às alamedas comerciais com lojas de fachadas largas, interiores confortáveis e com variado mix de produtos. O resultado das transformações pode ser traduzido em números grandiosos: o setor deve faturar R$ 100 bilhões neste ano, mais do que o dobro dos R$ 45,5 bilhões de 2005, segundo projeções da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).
As inovações acompanharam a rápida expansão da indústria, estimulada pelo crescimento do poder aquisitivo, aumento na oferta de crédito e atração de investidores externos. "Serão inaugurados neste ano 21 empreendimentos e para 2012 estão previstos outros 43", informa a superintendente de operações da Abrasce, Adriana Colloca. Foram construídos 91 malls em seis anos, fazendo o número de unidades saltar de 338, em 2005, para 428 até outubro.
A área bruta locável (ABL) passou de 6,5 milhões de m2 para 9,8 milhões de m2. Visitavam os centros de compras 181 milhões de pessoas por mês em 2005. Agora, são 329 milhões. O número de 43 inaugurações previstas para o próximo ano é surpreendente. "Manter a expansão acelerada é um grande desafio. A concentração prevista para 2012 reflete a estratégia adotada pelas incorporadoras após a crise global de 2008", afirma Adriana.
Os empreendedores mantiveram os investimentos, apesar dos sinais de desaquecimento da economia mundial. Para o diretor presidente da AD Shopping, Hélcio Povoa, o ritmo dos negócios futuros vai depender da resposta do varejo e da economia interna aos reflexos da crise na Zona do Euro. As projeções da Abrasce, no entanto, são otimistas. "As inaugurações comunicadas para 2013, até agora, indicam que o setor continuará aquecido", diz Adriana.
Há projetos em andamento de diferentes perfis, segundo Claudio Sallum, sócio-diretor da Lumine, empresa especializada em gestão de shoppings. Os de grande porte se concentram nas capitais, enquanto os menores vão para os municípios e regiões nas quais a demanda não é atraente para os grandes investimentos. Os mais sofisticados, com grifes internacionais, também tendem a se concentrar nas capitais.
Para Sallum, as inovações dos últimos anos reforçaram a vocação dos empreendimentos para o lazer e o passeio. Os centros construídos nos anos 1980 tinham lanchonetes, áreas de alimentação e algum entretenimento. "Naquela época, eles eram direcionados às classes mais altas que iam aos shoppings para passear e essa cultura foi transmitida aos consumidores das demais classes sociais".
Executivos confiantes na expansão do setor nos próximos anos continuam apostando nessa tendência, como Ruy Kameyama, diretor de operações da BR Mall, empresa com 43 centros de compra em todas as regiões. "O shopping passou a ser um espaço de lazer e diversão, além de multiuso, com torres de hotel, escritórios, academia e até universidade", afirma.
Os lojistas apostam no poder de atração dos empreendimentos. Os índices de locação das novas unidades do grupo estão elevados. O Mooca Plaza, em São Paulo, abre as portas neste mês com 230 lojas comercializadas. "Outros seis, com inaugurações previstas para 2012 e 2013, em vários Estados, apresentam ritmo acelerado de locação."
Indicadores econômicos de outras companhias do setor apontam na mesma direção. A Multiplan, com 14 malls nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, investiu nos primeiros nove meses deste ano R$ 468 milhões, 54,3% mais do que no mesmo período do ano passado - até dezembro, a empresa deve investir R$ 711 milhões e até 2013, R$ 996 milhões, informa o vice-presidente diretor de Relações com Investidores, Armando d'Almeida Neto. A Multiplan acaba de inaugurar o ParkShopping São Caetano, no ABC paulista, e tem outros quatro empreendimentos em construção.
Os indicadores do Iguatemi Empresa de Shopping mostram expansão dos negócios para o segmento das classes A e B. As vendas do grupo, incluindo as dos empreendimentos mais recentes, o Iguatemi Alphaville e o Iguatemi Brasília, cresceram 16,4% no terceiro trimestre de 2011 em comparação a igual período do ano passado. A expectativa é manter expansão anual da receita entre 25% e 28% até 2014. Além do JK Iguatemi (SP), com abertura prevista para 2012, o grupo deverá inaugurar duas novas unidades em 2013 e outras duas em 2014. "Pretendemos alcançar outros municípios com tamanho e potencial de renda do Iguatemi, que são as classes A e B", explica a vice-presidente de finanças, Cristina Betts.
Para acompanhar as novas tendências, as empresas precisam ser ágeis e investir em pesquisas para captar os anseios dos consumidores, segundo o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyon, que prevê uma média de 35 inaugurações por ano até 2016.
Seguindo o exemplo do que ocorre no exterior, em especial nos Estados Unidos, os shoppings, segundo ele, ainda vão introduzir novidades surpreendentes para atender as demandas de lazer e entretenimento. "No futuro, teremos até piscinas para surfe nos empreendimentos, como já acontece nos Estados Unidos", prevê.
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