terça-feira, 29 de novembro de 2011

Gestão Mais Profissional Traz Como Conseqüência A Internacionalização

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
29 de Novembro, 2011

Divulgação/DivulgaçãoJosé Baeta Tomás, da Sonae Sierra: como o Brasil é o país onde o setor mais cresce, há iniciativas de trazer operações de fora para cá, sobretudo de lojistas
O movimento de internacionalização dos shopping centers brasileiros, iniciado na virada do século e intensificado nos últimos cinco anos, foi impulsionado e beneficiado pela profissionalização na gestão do setor. Com quase todos os grandes grupos mundiais presentes por aqui, as empresas locais aceleraram a adoção de estratégias experimentadas por seus parceiros globais, somando a rentabilidade de um mercado jovem ao know how de quem já driblou situações semelhantes no passado.
"A profissionalização da gestão do segmento no Brasil não é consequência do capital estrangeiro. Ao contrário, colaborou para sua atração", diz o presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), Luiz Fernando Pinto Veiga. A expansão do mercado local, somada à queda dos internacionais, a partir de 2007, provocou maior interesse de grupos atraídos pela possibilidade de ganhar dinheiro fora de casa. "Fomos beneficiados pela cultura mais alinhada com os investidores do que a encontrada nos outros países dos Brics", avalia Veiga.
Embora os maiores players já tenham associações por aqui - a notória ausência é a do grupo Simon Malls, líder no ranking americano -, há espaço para novos entrantes. "Ainda temos muitos grupos familiares. Alguns se associam, outros entregam a administração para terceiros", observa Veiga. O australiano Westfield foi o último a aportar no Brasil, com a Almeida Junior. Recentemente correram rumores não confirmados de contatos entre a General Shopping e o Simon Malls. Outro que se movimenta é o Pátio Mix, de Marcelo Kingston e Leonardo Matheson, ex-dirigentes da BR Malls. Segundo Kingston, a empresa prepara iniciativa de internacionalização.
A atualização das estratégias em linha com as tendências mundiais é um dos reflexos da globalização do setor. A Aliansce, em 2004, nasceu de joint venture entre a Nacional Iguatemi e a norte-americana General Growth Properties (GGP), que detém 31% de participação. Segundo o diretor-executivo, Henrique Cordeiro Guerra, foi a primeira a receber um investidor estratégico externo para criar uma plataforma e aproveitar oportunidades como a subpenetração.
Com a parceria e o aporte de recursos, o crescimento ganhou velocidade. Nos últimos cinco anos, a Aliansce abriu nove empreendimentos e inaugura mais quatro nos próximos dois anos. Outro impacto foi a sofisticação da governança, com comitês de auditoria e ética. Isso preparou o terreno para a chegada da Gávea Investimentos, em 2006, e para a abertura do capital na Bovespa, em 2010.
A Multiplan, cuja previsão é de chegar a 2013 com mais de 610 mil m2 de ABL, 66% mais que neste ano, é outra que aponta o conhecimento internacional como alavanca para a profissionalização do setor no Brasil. O vice-presidente e diretor de relações com investidores, Armando d'Almeida Neto, diz que a Cadillac Fairview, em 2006, ao comprar 46% do negócio não veio só com o capital que possibilitou à Multiplan dobrar de tamanho, mas ajudou na atração e na especialização de talentos.
A extensão do conhecimento sobre o mercado local para clientes do exterior também é estratégia da Sonae Sierra Brasil, segundo o CEO José Baeta Tomás. A empresa tem o controle dividido entre a portuguesa Sonae Sierra e a norte-americana DDR, administra 353 mil m2 de ABL, tem dez shoppings em operação, três em desenvolvimento, além da expansão do Shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo (SP). Segundo Tomás, como o Brasil é o país onde o setor mais cresce, há iniciativas de trazer operações de fora para cá, sobretudo de lojistas. "Já fizemos isso com empresas como Zara e Fnac ", conta o executivo. (M.F.)

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