segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Operação Sob Medida

SHOPPING CENTER
Valor Econômico
24 de Novembro, 2011

Claudio Belli/ValorAlexandre Brett, que opera a Canali no Brasil, e Giorgio Canali, proprietário da grife: desafio é fazer brasileiros trocarem as compras nos EUA pela loja de São Paulo
Giorgio Canali faz nesta semana sua segunda rápida visita ao Brasil, mas os brasileiros são velhos conhecidos dele. "Muitos executivos daqui compram nas nossas lojas nos Estados Unidos", diz o proprietário da clássica grife italiana de moda masculina.
A operação americana é a mais importante para a Canali, que exporta 80% da sua produção, dividida em linhas de alfaiataria, casual e de acessórios. A primeira visita do atual proprietário da marca (e membro da terceira geração da família na empresa), há mais de um ano, foi para conhecer o potencial do mercado brasileiro e os futuros parceiros. Agora, ele está no país para ver com seus próprios olhos a abertura da primeira monomarca na América do Sul hoje, no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, com operação capitaneada por Alexandre Brett (que está trazendo também a italiana Brioni ao país).
O principal desafio por aqui é fazer os brasileiros shopaholics trocarem as lojas de Miami e Nova York pela do shopping Cidade Jardim. "Se todo mundo que procura a Canali fora passar a comprar aqui, nós seremos o segundo mercado mais importante da marca, perdendo só para o americano", diz Brett.
Para convencê-los a comprar no Brasil, ficou acordado com a matriz que os preços seriam no máximo 25% maiores que os dos Estados Unidos, com ternos custando em média R$ 3,8 mil - e, claro, parcelando em até seis vezes no cartão de crédito. "Os brasileiros que compram fora são um forte indicativo não só do potencial da marca aqui, mas um sinal de que está surgindo no Brasil uma forte cultura de consumo", diz Canali.
Para compor o portfólio, foi trazida a linha primavera/verão completa, com destaque para os paletós que misturam lã e seda e os casacos sem forro. As peças de alfaiataria são as mais bem vendidas e compõem cerca de 60% do total no mundo. A clássica grife italiana passou pela crise econômica de 2009 com dificuldade.
"Tivemos de recuar a produção, mas conseguimos fazer isso sem abrir mão de manter a produção toda internamente, nas nossas fábricas espalhadas pela Itália, nem usar matérias-primas mais baratas, como fizeram outras grifes de luxo", diz Canali.
Entre 2009 e 2010, o faturamento da empresa cresceu 9%. Para 2011, a projeção é de um aumento de 10% - graças, principalmente, ao bom desempenho em mercados emergentes, como China, Rússia e no Oriente Médio. O Brasil é a primeira grande aposta da Canali na América do Sul e, depois de aberta a segunda loja em São Paulo - o que deve acontecer em 2012 -, começam a ser estudadas praças em outros países, como Chile, Colômbia e Peru.

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