Valor Econômico
24 de Novembro, 2011
Mais de meio século depois de se aventurar no setor de carnes especiais, a Wessel estreia no comércio on-line. Diante da dificuldade de vender pela internet um produto que as pessoas têm por hábito olhar e inspecionar, o portal da empresa busca facilidades e serviços para atrair o consumidor. "Enquanto os homens consomem de 500 a 600 gramas de carne, as mulheres se satisfazem com algo que varia de 200 a 300 gramas", diz István Wessel, que aposta nesse tipo de informação para ajudar os usuários a calcularem a quantidade a ser encomendada. Por enquanto, as compras eletrônicas estão disponíveis apenas para São Paulo. As televendas incluem o Rio.
Ciente de que vender carne on-line não é tão simples como ocorre com livros ou medicamentos, István acredita numa ação a longo prazo, certo de que mais cedo ou mais tarde o negócio vai pegar. "É uma questão de tempo, por isso quisemos entrar logo", explica ele, que já tem alguns concorrentes na web, um deles a Intermezzo Gourmet, de Sylvio Lazzarini Neto, proprietário também da steak house Varanda, em São Paulo.
No caso da Wessel, a entrada no e-comércio talvez modifique a equação de vendas. Se o produto mais vendido pela empresa nas lojas e supermercados é o hambúrguer (picanha, fraldinha, cordeiro, filé mignon e frango), no mercado on-line sua grande aposta são as carnes para churrasco. Aliás, pessoalmente, essa é a forma de preparo que István prefere. "Acho que é a maneira mais apropriada de avaliar uma boa carne. É você e ela, frente a frente, sem nenhum molho para enganar."
Apesar das boas vendas que registra com os "burguers", ele é sincero o suficiente para dizer que o melhor hambúrguer é aquele que se faz em casa, com um processador de alimentos. Enquanto fala, corta uma peça de picanha para explicar sua receita: "Hambúrguer sem gordura não tem gosto. É preciso juntar ao menos 10% de gordura. Particularmente, acho que o ideal é 15%". O processador, para ele, também é melhor do que os antigos moedores de carne e das máquinas que se usam nos supermercados e açougues, já que é impossível saber a que horas foram higienizadas.
Há também outra explicação para o fato de o hambúrguer caseiro ser o melhor. É o único que permite adicionar temperos como cebola, alho e ervas frescas, ingredientes que começam a se decompor se a carne não for grelhada em duas horas, no máximo. O sal, István povilha apenas na superfície dos bolinhos de carne, devidamente achatados, antes de ir para o fogo. Já os hambúrgueres da Wessel, produzidos industrialmente, não são temperados e seu único conservante é o frio. A primeira vez que chegaram ao mercado foi em 1994, mas não emplacaram, pois o público ainda não aceitava esse formato de carne sem temperos ou conservantes. Apenas em 2001, quando os "burguers" retornaram, as vendas dispararam. "Há cinco anos fazíamos 2 mil hambúrgueres por dia, hoje produzimos 20 mil".
Entre os momentos complexos que marcam a trajetória da Wessel no mercado gastronômico, um deles foi a abertura, com outros sócios, da hamburgueria General Prime Burguer, em São Paulo. István resume o episódio dizendo que percebeu que havia sido um equívoco, porque estava concorrendo com seus próprios clientes. "Muitos dos restaurantes para os quais eu fornecia carne cancelaram as vendas, melindrados pelo fato de meu negócio ter virado concorrente do deles. Houve um conflito de interesses e achei que o melhor era ficar só com a carne, o grande negócio da família há cinco gerações."
Se no início a Wessel era líder no segmento, hoje o mercado de carnes especiais está bastante pulverizado. Político na dose certa, István não critica concorrentes nem grandes empresas frigoríficas: "Acho que só nos últimos dois ou três anos esse mercado cresceu mais de 30%. Nós não podemos nos queixar. Fornecemos para 800 restaurantes e 120 supermercados em todo o país". E os vegetarianos, não constituem uma ameaça? "Acho que eles só crescem de forma proporcional ao aumento demográfico", brinca, "mas essa turma está longe de ameaçar os amantes do churrasco."
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