Valor Econômico
29 de Novembro, 2011
A Almeida Junior foi a última empresa a entrar no movimento de internacionalização dos shopping centers no Brasil. Em agosto, vendeu metade de suas ações para a australiana Westfield, que inaugurou em setembro o Stratford City, em Londres, o maior shopping center da Europa. Segundo Jaimes Almeida Junior, CEO da agora Westfield Almeida Junior, o principal motivo para a escolha foi a química entre ele próprio e o fundador da atual parceira, Frank Lowy, que dirige o negócio ao lado dos dois filhos.
A Westfield apresenta números portentosos. Administra ativos estimados em cerca de US$ 58,2 bilhões e possui aproximadamente 120 shopping centers na Austrália, Estados Unidos, Reino Unido e na Nova Zelândia, com 10,5 milhões de m2 de área bruta locável (ABL) e mais de 23 mil lojas. Com a negociação, aportou pela primeira vez em um mercado cuja língua nativa não é o inglês e retomou um projeto de expansão internacional interrompido depois da chegada ao Reino Unido, em 2000.
Todas as operações da Almeida Junior ficam em Santa Catarina desde que, em 2008, os empreendedores decidiram tornar a empresa a maior organização regional do país. Lá ficam seus quatro shoppings em operação - dois em Blumenau, um em Joinville e outro em Camboriú. Florianópolis será o palco do maior deles, o Continente, a ser inaugurado no próximo ano, quando a ABL da empresa vai atingir cerca de 200 mil m2.
Foi de Almeida Junior a iniciativa de procurar um sócio mundo afora. Nos últimos seis anos, a empresa cresceu em torno de 40% a cada período com capital próprio e estruturações financeiras com o Bradesco e com o Itaú BBA, baseadas no modelo de funding para cada um dos shoppings, com lançamento de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) atrelados aos alugueis (70%), mais 30% de equity.
A busca foi iniciada em outubro do ano passado. Em cerca de seis meses, a companhia recebeu a visita de 11 empresários do setor, americanos, europeus, asiáticos. Sete deles assinaram acordos sigilosos e fizeram propostas não vinculantes. Depois de avaliar a aderência de perfil, sobraram três candidatos, mas a similaridade da gestão e a empatia entre os empresários fizeram o martelo bater em favor da Westfield.
Os efeitos da fusão já podem ser sentidos. O primeiro passo foi o upgrade na gestão, com executivos vindos de outros países. Os projetos ganharam cara global e serão desenvolvidos fora do Brasil, tendo as flagships como parâmetro. Estão em estudos dois projetos em São Paulo e um no Rio Grande do Sul. O Nordeste também está na mira. O objetivo é terminar 2012 com 50% a mais de ABL, com foco prioritário em greenfield, cuja taxa de retorno desalavancada gira em torno de 25% a 30% ao ano.
Mesmo o Continente Shopping, com 60% de suas obras concluídas, deve agregar novidades resultantes da parceria como redesenho do mix e novas marcas vindas de fora. Daqui para frente, os projetos vão contar com recursos como clusters de moda, crianças, estilo de vida, linha branca, restaurantes, além de áreas de convivência e retenção de clientes mais eficientes, com mais investimentos em lazer e conforto. "Vamos dar vantagens para o consumidor com aspectos construtivos e tecnológicos", adianta Almeida Junior. O empresário não descarta a possibilidade de abrir o capital da empresa dentro de dois ou três anos. (M.F.)
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