Valor Econômico
11 de Novembro, 2011
Apesar do lucro menor, resultado do efeito contábil negativo vindo da variação cambial, a Cosan registrou em seu balanço do segundo trimestre da atual safra, a 2011/12, os primeiros sinais de sinergia na Raízen, joint venture criada este ano com a anglo-holandesa Shell nas áreas de distribuição de combustíveis (Raízen Combustíveis) e açúcar, etanol e cogeração (Raízen Energia).
A empresa informou que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Raízen Combustíveis alcançou R$ 55,7 por m3, aumento de 74% diante do valor de R$ 32 por m3 calculado para o mesmo trimestre do ano passado com base nos resultados desse segmento das duas companhias - Shell e Cosan (Esso).
O diretor de relações com investidores da Cosan, Marcelo Martins, explica que essa sinergia é resultado da combinação de dois fatores. O primeiro deles é que foi possível estender a toda a rede de distribuição vendas mais robustas de gasolina premium, com maior valor agregado. Até então, a Shell vendia 50% mais desse produto do que o restante do mercado. "Com a unificação das operações, a comercialização desse item aumentou em toda a rede", detalha Martins.
O segundo fator, explica o executivo, está na combinação entre o ganho de escala do negócio de combustíveis e uma estrutura menor de gestão. "A operação ficou mais eficiente", resume.
Esse trimestre foi o primeiro em que a operação toda da joint venture pôde ser medida no resultado da companhia, diz o presidente da Cosan, Marcos Lutz. A perspectiva, avisa ele, é de que as sinergias consolidadas possam ser apresentadas ao final do atual ano fiscal, que vai até 31 de março de 2012.
No consolidado de todas as operações da Cosan - 50% da Raízen e 100% de outras empresas, como Rumo Logística, Cosan Alimentos e outros negócios - a companhia registrou no trimestre lucro líquido de R$ 63,2 milhões, bem inferior aos R$ R$ 251,5 milhões de igual trimestre do ano passado.
Martins explica que a variação cambial no período exerceu um efeito contábil negativo de R$ 312 milhões no resultado líquido, sem impacto no caixa. A diferença entre um resultado e outro se aprofundou porque, também no mesmo trimestre do ano passado, a variação cambial exerceu forte impacto contábil no resultado, mas positivo, de R$ 150 milhões.
No acumulado dos dois trimestres da temporada, o resultado líquido da Cosan foi um lucro de R$ 2,36 bilhões, ante os R$ 252 milhões de igual intervalo do ciclo anterior, quando não havia a joint venture.
Já a receita líquida consolidada da Cosan atingiu R$ 6,8 bilhões no trimestre, 44% maior do que os R$ 4,7 bilhões de igual trimestre de 2010. Nos seis meses da safra, o faturamento cresceu 36,7% para R$ 11,9 bilhões.
O diretor explica que os ganhos de sinergia na distribuição de combustíveis foram fundamentais sobretudo em um momento em que o mercado de combustíveis registrou declínio em volumes vendidos.
A comercialização da Raízen Combustíveis foi 0,4% menor em 5,335 bilhões de litros, mas a receita avançou 11% no trimestre para R$ 9,9 bilhões. "O mercado de combustíveis foi 'ok' neste ano [teve leve queda em volume] e será 'ok' no ano que vem. O que fez a diferença foi nosso ganho de eficiência", avalia Martins.
Marcos Lutz destaca que a migração do consumo do etanol para a gasolina também foi importante nesse resultado no segmento de combustíveis. Isso porque, segundo ele, a margem de lucro da gasolina é mais alta do que a do biocombustível.
Na comparação com o projetado para igual trimestre de 2010, o volume de gasolina vendido subiu 20,8% no segundo trimestre, enquanto o de etanol recuou 36,4%.
No consolidado, o Ebitda da Cosan no trimestre recuou 2,8% para R$ 659,2 milhões. Nos seis meses da safra, esse valor sobe para R$ 4,476 bilhões, bem acima do R$ 1,1 bilhão de mesmo intervalo de 2010.
Ao final do segundo trimestre, a dívida líquida da empresa havia subido 2,12% para R$ 4,85 bilhões, puxada pela variação cambial sobre a dívida em dólar.
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