Valor Econômico
10 de Novembro, 2011
O interesse de grifes de luxo pelo mercado brasileiro aumentou no último ano e a crise econômica no exterior, em especial na Europa, ajuda nesse movimento. Não que o mercado mundial de luxo esteja encolhendo, ao contrário. "Mas a crise lá fora vai demorar a passar e, com isso, o Brasil entra no radar", diz o presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers, Carlos Jereissati.
Ele usa como exemplo o shopping JK que ele deve inaugurar em março de 2012 na zona sul da cidade de São Paulo: "Teremos 210 lojas no JK e entre 15% e 20% delas serão de marcas de luxo".
A francesa Goyard, fabricante de malas e bolsas de couro, está nesse grupo. É considerada, por alguns, mais luxuosa do que a grife Louis Vuitton (LV).
Fundada em 1853, um ano antes do que a LV, a Goyard já vende seus produtos no Brasil, dentro da Daslu, a butique que será "abraçada" pelo JK. A grife francesa, que tem 12 lojas no mundo (4 na Ásia, 4 nos Estados Unidos e 4 na Europa), vai administrar a operação no JK, que terá 120 m2. A da marca de alta costura Lanvin, também francesa, será um pouco menor, com 90 m2.
A Louis Vuitton, por sua vez, já informou neste ano que vai acelerar os investimentos no Brasil. Em 2012, três lojas serão abertas, aumentando a rede no país para nove unidades. Para o presidente da LV, Yves Carcell, que falou ao Valor na última semana de outubro em Paris, "a economia brasileira realmente decolou". O plano é ter uma loja-conceito, de mais de mil metros quadrados no shopping Cidade Jardim, em São Paulo, substituindo uma unidade que já existe nesse centro de compras. Outra duas serão no shopping Village Mall, no Rio; e em Curitiba, a primeira na capital paranaense, no shopping Patio Batel.
Christian Louboutin, o designer de sapatos de saltos altíssimos e solas vermelhas, abriu duas lojas no Brasil, em Brasília e em São Paulo - ambas em shoppings Iguatemi. No Distrito Federal, Louboutin, que está em São Paulo para participar de um seminário sobre o mercado de luxo, abriu a loja em junho deste ano. A grife, mesmo com a crise europeia piorando, deu um salto no número de lojas neste ano. No fim de 2010, eram 31 e até o fim deste ano esse número deve crescer para 48.
No setor de artigos de couro, Jereissati também confirma a abertura de uma loja da marca americana Coach e da grife italiana Tod's - as duas no JK.
É justamente no setor de acessórios que o consumo de artigos de luxo está se fortalecendo, com foco nos mercados emergentes, segundo estudo da consultoria Bain & Company em parceria com a Fondazione Altagamma. As projeções de crescimento para artigos de couro é de 16% neste ano; e para sapatos, 11%. O setor de joias deve crescer 15% e o de relógios, 20%.
Segundo o estudo, o mercado de produtos de alto padrão deve crescer 10% até dezembro, somando € 191 bilhões. A consultoria revisou para cima a sua previsão de expansão - era de 8% para 2011.
No Brasil, observa a Bain, "fragrâncias e cosméticos ainda são as principais categorias" quando se fala em mercado de luxo. Nessa área, Jereissati já fechou contrato com a rede francesa Sephora, que terá uma loja no shopping JK.
Jereissati estima que o mercado de luxo no Brasil, considerando produtos pessoais e viagens, deve mostrar uma expansão anual entre 7% e 8% nos próximos anos.
O estudo da Bain estima que o mercado de produtos de luxo no Brasil chegue a € 2,3 bilhões (ou R$ 5,3 bilhões) neste ano, com crescimento de 20% em relação aos € 1,9 bilhão (ou R$ 4,4 bilhões) registrados em 2010.
O mercado chinês é muito maior - movimentou € 9,6 bilhões no ano passado e a projeção para este ano é chegar a € 12,9 bilhões. O maior mercado de luxo do mundo continua sendo os Estados Unidos, com € 48,1 bilhões; seguido do Japão, com € 18,1 bilhões, considerando-se as vendas feitas no ano passado.
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