Exame
06 de Novembro, 2011
São Paulo - Nas grandes cidades do Brasil, conseguir uma diária em alguns hotéis parece missão impossível. A demanda, que já é alta, deve crescer ainda mais nos próximos anos, impulsionada por Copa do Mundo e Olimpíadas. Mesmo com as boas perspectivas e com os novos hotéis que devem ser construídos no país, o setor hoteleiro ainda não se consolidou como ativo comum nas carteiras de fundos imobiliários, produto que ganha cada vez mais espaço entre investidores brasileiros. Mas por que isso acontece?
A dificuldade de rentabilizar um empreendimento hoteleiro também freia o crescimento dessa opção como ativo de fundos. “O preço dos imóveis está alto e as novas construções estão caras no Brasil”, afirma Luis Barosa, diretor-geral da Selecta Brasil, gestora portuguesa de fundos imobiliários que está chegando ao país. Segundo ele, os ativos hoteleiros em Portugal e na Europa já são uma opção consolidada entre os fundos de investimento imobiliários. “Em Portugal, temos hotéis em imóveis alugados nos nossos fundos e a rentabilidade é tão boa quanto a dos outros produtos”, garante.Diferentes motivos são apontados por especialistas. Um deles é a característica do risco tomado pelo investidor. “O risco de um hotel é operacional, diferente do que acontece no setor imobiliário”, resume Rodrigo Machado, sócio da XP Realty, área de aplicações imobiliárias da XP Investimentos. Ele explica que o risco de outros empreendimentos está muito relacionado a questões mais práticas, inerentes ao mercado imobiliário, como a alta ou baixa dos preços de imóveis. Em relação aos hotéis, há pontos relacionados com a gestão e operação, que vão influenciar nos resultados.
Pouco a pouco, começam a surgir mais experiências no setor no país. “A viabilização de hotéis por meio de fundos de investimentos é o futuro do setor. Mas esse crescimento vai depender de novas experiências bem sucedidas surgirem no mercado”, afirma Diogo Canteras, diretor-presidente da HotelInvest, empresa de investimento hoteleiro. Uma das poucas experiências no país é o fundo Hotel Maxinvest, que rendeu 23,66% em 2011 até outubro, quarta maior rentabilidade segundo pesquisa do site Fundo Imobiliário.
Outro exemplo com quotas negociadas na BM&FBovespa é o Continental Square Faria Lima, que apresenta rentabilidade negativa de 5,13% neste ano. O fundo, no entanto, reúne quartos de hotéis e espaços para escritórios, o que torna o investimento misto.
Em breve, o investidor ganhará mais opções. Outro produto que está em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o FII Hotel Belo Horizonte Belvedere, que será gerido pelo Banco Brascan. O objetivo é captar 203 milhões de reais para construir um empreendimento da rede Accor na cidade mineira.
Em breve, o investidor ganhará mais opções. Outro produto que está em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o FII Hotel Belo Horizonte Belvedere, que será gerido pelo Banco Brascan. O objetivo é captar 203 milhões de reais para construir um empreendimento da rede Accor na cidade mineira.
Conforme as novas opções surgirem, os investidores devem prestar atenção a algumas particularidades desses produtos.
A primeira dica é entender que a sazonalidade é a essência desse segmento. “O investidor em fundos imobiliários é, em geral, um aplicador pessoa física, que busca renda estável”, afirma Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Finance & Real Estate (BFRE).
Em segundo lugar, é importante observar quem é o operador dos hotéis do portfólio e como vão os outros empreendimentos da rede.
Outra dica é entender que a composição da receita é mais complexa. “Além da hospedagem, os hotéis ganham dinheiro com produtos como alimentação e aluguel de espaços para eventos”, lembra o consultor de investimentos Sérgio Belleza Filho, especializado no assunto.
No caso de fundos que visem a construção de novos hotéis, o risco de atraso nas obras também deve ser considerado pelos investidores, que podem ter que abrir mão da rentabilidade do fundo por um tempo maior do que esperavam.
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