Valor Econômico
17 de Novembro, 2011
Viajar de última hora custa caro. Mas, nem desembolsando muito, fica fácil conseguir um quarto em São Paulo. O nível de ocupação das grandes redes hoteleiras na capital paulista está tão alto nos últimos três anos que os turistas se veem obrigados a adiar os planos ou se hospedarem na região metropolitana e viajar todos os dias para fazer negócios. Feiras, congressos, shows e o "dia a dia" dos empresários estão lotando os quartos paulistanos.
Além do mês de novembro ser o mais forte em reservas no segundo semestre, com diversos eventos de negócios, especialistas do setor lembram do descasamento entre oferta e demanda em São Paulo. Nos últimos cinco anos não houve lançamento de nenhum empreendimento de grande porte na nem a quantidade de quartos que a cidade necessita. E não há no horizonte dos próximos três anos a perspectiva de novos projetos com uma quantidade significativa de apartamentos.
"Temos apenas dois projetos novos que somam em torno de 350 quartos. É pouca coisa diante de um crescimento anual de demanda de 5% nos últimos anos, ou a necessidade de dois mil quartos por ano", diz o sócio-diretor da consultoria HotelInvest, Diogo Canteras. Ele se referiu ao Ca'd'Oro, desativado desde o fim de 2009 mas que será relançado em meados de 2015, e o Higienópolis Hotel & Suites, inaugurado em abril deste ano.
O diretor da consultoria Jones Lang LaSalle Hotels, no Brasil, Ricardo Mader, diz que o setor de hotéis ainda é visto com reservas por investidores. "O mercado imobiliário está muito aquecido em São Paulo. As incorporadoras estão vendendo prédios residenciais e comerciais como água, pois têm o retorno mais rápido do que se investissem num hotel", afirma ele.
Executivos do setor acrescentam que o brasileiro não tem hábito de reservar hotéis com antecedência, mesmo para viagens de negócios - principal foco do turismo em São Paulo. Por deixar para a última hora, os clientes estão tendo dificuldades em encontrar quartos com determinados padrão e localidade. "Todos reclamam que a cidade está lotada, mas não fazem reserva antes", diz André Monegaglia, presidente da Allia Hotels.
Durante anos, companhias aéreas e agências de turismo insistiram no mesmo ponto: o consumidor comprava em cima da hora e pagava mais caro. Mas esse comportamento parece estar mudando. Até setembro, a venda de pacotes para o fim de ano cresceu 30% sobre 2010.
"Quando você viaja para fora, você reserva o bilhete e o hotel, mas aqui deixam para a última hora", diz Monegaglia. A ocupação do Plaza Inn, em São Paulo, está em 80% este ano, similar a 2010, diz ele, e os dias mais cheios são de terça a quinta. Ele diz que as reservas são feitas na semana anterior à viagem do hóspede.
Edésio Oliveira, gerente geral da Quality Suites Long Stay Vila Olímpia (SP), da Atlantica Hotels, concorda que é mais difícil conseguir quarto de última hora durante a semana. "É por conta da atividade econômica", diz ele. "Não era tão difícil. A pessoa reservava um dia antes, dois, mas desde 2009 - e 2010 inteiro - isso mudou e começou a ter demanda o ano todo." Em 2011, a ocupação da unidade está em 78%, maior que os 72% registrados no ano passado.
Oliveira diz que as cidades de Guarulhos e de Jundiaí, na Grande São Paulo, são, muitas vezes, a solução para a falta de leitos na capital. Segundo ele, os executivos passaram a dormir nessas cidades e ir diariamente a reuniões na capital. Para garantir, diz, é preciso reservar com 15 dias de antecedência.
O Valor constatou que também em Guarulhos pode ser difícil conseguir um quarto de última hora. No dia 14, segunda, tentou reservar o Marriott para quarta e quinta-feira, e não conseguiu. A alternativa, segundo a central de reservas, seria ficar no Renaissance, da mesma rede, por R$ 883 a diária. Já reservar o Marriott na semana seguinte sairia por R$ 320 e, sim, havia vagas.
Monegaglia, da Allia, diz que "2011 está superando todas as expectativas, inclusive 2010".
"São Paulo hoje precisa de planejamento. Antes, dava para vir sem reserva e conseguir encontrar local. Hoje, se não tiver se organizado com antecedência, você vai ficar na mão", afirma Toni Sando, diretor superintendente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, entidade que estimula o turismo na cidade.
"Os hotéis principais são os que lotam primeiro. Você, não conseguindo ocupação, acaba indo para hotel menos qualificado", diz Oliveira, da Atlantica.
No cinco estrelas Sofitel a ocupação deve crescer 14% em novembro de 2011 sobre 2010. "Com relação ao ano passado, diria que está mais ou menos a mesma coisa: muitos negócios fechando de última hora, uma tendência em São Paulo", diz Walter Strub, gerente geral do Sofitel Ibirapuera.
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