domingo, 20 de novembro de 2011

Em São Paulo, Turista De Última Hora Fica Sem Lugar

HOTELARIA
Valor Econômico
17 de Novembro, 2011


Viajar de última hora custa caro. Mas, nem desembolsando muito, fica fácil conseguir um quarto em São Paulo. O nível de ocupação das grandes redes hoteleiras na capital paulista está tão alto nos últimos três anos que os turistas se veem obrigados a adiar os planos ou se hospedarem na região metropolitana e viajar todos os dias para fazer negócios. Feiras, congressos, shows e o "dia a dia" dos empresários estão lotando os quartos paulistanos.
Além do mês de novembro ser o mais forte em reservas no segundo semestre, com diversos eventos de negócios, especialistas do setor lembram do descasamento entre oferta e demanda em São Paulo. Nos últimos cinco anos não houve lançamento de nenhum empreendimento de grande porte na nem a quantidade de quartos que a cidade necessita. E não há no horizonte dos próximos três anos a perspectiva de novos projetos com uma quantidade significativa de apartamentos.
"Temos apenas dois projetos novos que somam em torno de 350 quartos. É pouca coisa diante de um crescimento anual de demanda de 5% nos últimos anos, ou a necessidade de dois mil quartos por ano", diz o sócio-diretor da consultoria HotelInvest, Diogo Canteras. Ele se referiu ao Ca'd'Oro, desativado desde o fim de 2009 mas que será relançado em meados de 2015, e o Higienópolis Hotel & Suites, inaugurado em abril deste ano.
O diretor da consultoria Jones Lang LaSalle Hotels, no Brasil, Ricardo Mader, diz que o setor de hotéis ainda é visto com reservas por investidores. "O mercado imobiliário está muito aquecido em São Paulo. As incorporadoras estão vendendo prédios residenciais e comerciais como água, pois têm o retorno mais rápido do que se investissem num hotel", afirma ele.
Executivos do setor acrescentam que o brasileiro não tem hábito de reservar hotéis com antecedência, mesmo para viagens de negócios - principal foco do turismo em São Paulo. Por deixar para a última hora, os clientes estão tendo dificuldades em encontrar quartos com determinados padrão e localidade. "Todos reclamam que a cidade está lotada, mas não fazem reserva antes", diz André Monegaglia, presidente da Allia Hotels.
Durante anos, companhias aéreas e agências de turismo insistiram no mesmo ponto: o consumidor comprava em cima da hora e pagava mais caro. Mas esse comportamento parece estar mudando. Até setembro, a venda de pacotes para o fim de ano cresceu 30% sobre 2010.
"Quando você viaja para fora, você reserva o bilhete e o hotel, mas aqui deixam para a última hora", diz Monegaglia. A ocupação do Plaza Inn, em São Paulo, está em 80% este ano, similar a 2010, diz ele, e os dias mais cheios são de terça a quinta. Ele diz que as reservas são feitas na semana anterior à viagem do hóspede.
Edésio Oliveira, gerente geral da Quality Suites Long Stay Vila Olímpia (SP), da Atlantica Hotels, concorda que é mais difícil conseguir quarto de última hora durante a semana. "É por conta da atividade econômica", diz ele. "Não era tão difícil. A pessoa reservava um dia antes, dois, mas desde 2009 - e 2010 inteiro - isso mudou e começou a ter demanda o ano todo." Em 2011, a ocupação da unidade está em 78%, maior que os 72% registrados no ano passado.
Oliveira diz que as cidades de Guarulhos e de Jundiaí, na Grande São Paulo, são, muitas vezes, a solução para a falta de leitos na capital. Segundo ele, os executivos passaram a dormir nessas cidades e ir diariamente a reuniões na capital. Para garantir, diz, é preciso reservar com 15 dias de antecedência.
Valor constatou que também em Guarulhos pode ser difícil conseguir um quarto de última hora. No dia 14, segunda, tentou reservar o Marriott para quarta e quinta-feira, e não conseguiu. A alternativa, segundo a central de reservas, seria ficar no Renaissance, da mesma rede, por R$ 883 a diária. Já reservar o Marriott na semana seguinte sairia por R$ 320 e, sim, havia vagas.
Monegaglia, da Allia, diz que "2011 está superando todas as expectativas, inclusive 2010".
"São Paulo hoje precisa de planejamento. Antes, dava para vir sem reserva e conseguir encontrar local. Hoje, se não tiver se organizado com antecedência, você vai ficar na mão", afirma Toni Sando, diretor superintendente do São Paulo Convention & Visitors Bureau, entidade que estimula o turismo na cidade.
"Os hotéis principais são os que lotam primeiro. Você, não conseguindo ocupação, acaba indo para hotel menos qualificado", diz Oliveira, da Atlantica.
No cinco estrelas Sofitel a ocupação deve crescer 14% em novembro de 2011 sobre 2010. "Com relação ao ano passado, diria que está mais ou menos a mesma coisa: muitos negócios fechando de última hora, uma tendência em São Paulo", diz Walter Strub, gerente geral do Sofitel Ibirapuera.

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