domingo, 27 de novembro de 2011

Incertezas Turvam Cenário Para A Temporada 2012/13

COMBUSTÍVEIS
Valor Econômico
22 de Novembro, 2011


Com o fim da moagem da atual safra de cana-de-açúcar, a 2011/12, o foco do setor e do governo se volta para o que vai ocorrer na próxima temporada, a 2012/13, ainda sob muitas indefinições.
O cenário turvo não se limita às estimativas díspares, que variam de previsão de moagem de cana de 460 milhões a 540 milhões de toneladas no ano que vem. O momento é de indefinição em políticas públicas, inclusive nas de curto prazo.
Ontem, durante conferência de açúcar e de etanol da Datagro em São Paulo, o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo de Gusmão Dornelles, afirmou que não há sinalização alguma do mercado que permita ao governo neste momento prever a volta da mistura de etanol anidro na gasolina para 25%.
Diferentemente do que ocorreu em safras anteriores, não há garantias de que com o início da safra no ano que vem, em maio, a mistura pode retomar o nível máximo. "Tudo vai depender do sinal que a produção nos dará. Até agora, não há previsão alguma", disse Dornelles.
O presidente da União da Indústria da Cana-de-açucar (Unica), Marcos Jank, mostrou-se contrariado com a falta de definição e afirmou que há indicações de que sobrará anidro na atual temporada. "Tem que existir uma previsão. É difícil trabalhar quando a política pública é imprevisível", disse.
Dornelles afirmou que o cenário para a próxima safra de cana ainda será de aperto na oferta, o que torna ainda mais difícil dar previsão qualquer de retomada da mistura. "Esse cenário de escassez de cana é conhecido há bastante tempo. O que esperamos é que não haja novamente um clima ruim", disse.
Ele afirmou que o governo continua elaborando um pacote de incentivos ao setor, que vai de uma linha de crédito para renovação de canaviais, estocagem e também benesses tributárias. "Estamos estudando algumas medidas de alívio tributário. Entre elas, a redução da alíquota do imposto de renda das usinas e crédito presumido de PIS Cofins para o etanol. A ideia é reduzir o custo do etanol ao consumidor e não impactar, dessa forma, a inflação".
No campo das estimativas de safra, as divergências de previsão superam 80 milhões de toneladas de cana. A consultoria Datagro apresentou uma estimativa para a próxima safra de cana no Centro-Sul, avaliada como pessimista por alguns.
O presidente da Datagro, Plínio Nastari, previu que haverá pouca ou nenhuma recuperação da capacidade produtiva dos canaviais. Assim, a moagem na safra 2012/13 deve ficar entre 460 milhões e 515 milhões de toneladas, o que significa que o próximo ciclo pode até ser menor do que o atual (estimado em 480 milhões de toneladas). "Vemos pouco desenvolvimento da cana neste momento, o que nos permite dizer que o começo da próxima safra vai atrasar e deve começar em maio. É possível ainda que a cana plantada em outubro deste ano não esteja pronta para ser colhida no ano que vem".
Para o presidente do conselho de administração da Copersucar, Luís Roberto Pogetti, a maior comercializadora de açúcar e etanol do país, o cenário será mais positivo, devido ao aumento da renovação e expansão de canaviais. A companhia prevê o processamento de 540 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul.
A produção de açúcar deve também subir para um volume entre 33 milhões e 34 milhões de toneladas - ante a produção deste ano estimada em 31 milhões de toneladas. A fabricação de etanol também crescerá para 23 bilhões de litros, ante os 20 bilhões de litros do ciclo atual.

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