Valor Econômico
25 de Novembro, 2011
Promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, entrega hoje a primeira embarcação. É o navio Celso Furtado, construído no estaleiro Mauá, em Niterói (RJ), em 31 meses, e será utilizado para o transporte de combustíveis. O contrato original do navio foi de cerca de R$ 160 milhões, mas houve necessidade de suplementação de R$ 27 milhões em função de correções monetárias e mudanças no projeto para atender exigências da legislação internacional.
O Celso Furtado é o primeiro de um lote de quatro navios para transporte de combustíveis encomendados ao Mauá por US$ 284,3 milhões, tomando por base janeiro de 2006. O segundo navio também recebeu suplementação e o mesmo deve ocorrer com os outros dois. O Mauá informou que recebeu "exatamente" o pactuado no contrato de construção com a Transpetro. Segundo o estaleiro, a suplementação, com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), cobriu a correção monetária de bens e serviços nacionais do projeto. Os recursos do FMM para a parte nacional não sofrem reajuste.
A avaliação de fontes do setor é de que o Promef andou bem no Mauá, mas patinou no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Pernambuco. O EAS tem 22 navios contratados com a Transpetro, dos quais em construção efetiva existem quatro. O navio João Cândido, do tipo Suezmax, enfrentou problemas na construção. O contrato de financiamento foi assinado há mais de quatro anos, em julho de 2007 e, segundo fontes do setor, a embarcação tem mais de um ano de atraso na entrega. A previsão é que seja entregue em dezembro.
Fonte próxima das negociações disse que a tendência, em função do atraso inicial, é de que o EAS tenha de renegociar com a Transpetro os prazos para todos os navios da estatal em carteira. O João Cândido faz parte de um lote de dez Suezmax encomendados pela Transpetro por R$ 2,75 bilhões, segundo valores de 2007.
Os quatro navios em construção têm preço médio unitário de R$ 284 milhões e receberam suplementação média de R$ 42 milhões cada um pelas mesmas razões dos navios do Mauá. Com isso, o preço médio dos quatro vai para R$ 326 milhões, alta de quase 15%. Mas no mercado há estimativas de que considerando os atrasos, que representam a necessidade de mais homens-hora no estaleiro, o João Cândido não sairá por menos de R$ 350 milhões, aumento de 23% sobre a média do contrato original.
A Transpetro disse que só vai pagar o valor original do contrato mais as suplementações por correção monetária e alteração de projeto. O aumento de custos, na visão de uma fonte, ficaria com o estaleiro. O EAS disse que não teria porta-voz para dar entrevista. Enviou nota na qual afirma que o estaleiro não está medindo esforços para a entrega do João Cândido. "O navio não apresenta erros de projeto."
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