Valor Econômico
25 de Novembro, 2011
Uma triste estatística envolvendo um índice de mortalidade média anual de 27% da população pela falta de assistência médica na região norte de Minas Gerais foi a premissa para um dos projetos mais inovadores na área de saúde no país nos últimos anos. Conhecida como uma regiões mais pobres do Estado mineiro, a região norte assistiu, desde 2008, a uma transformação no cenário de saúde a partir de um plano de atendimento rápido para suprir as necessidades de 1,5 milhão de habitantes.
"Conseguimos reduzir a mortalidade para 17% em 2010 com a implantação de medidas que são uma verdadeira rede de saúde com capilaridade em várias cidades da região", diz Welfane Cordeiro, consultor da Secretaria de Saúde de Minas Gerais.
A Rede de Urgência e Emergência do Norte de Minas é uma iniciativa com verbas dos governos estadual e federal e 86 municípios para criar um complexo de saúde integrado. "É um sistema em que a estrutura está em torno do paciente. Ou seja, o paciente conta com postos de saúde integrados a hospitais e ambulâncias equipadas, com o Samu coordena os atendimentos de urgência", afirma Cordeiro.
Pacientes que residem nas zonas rurais têm acesso rápido a ambulâncias e pronto atendimento. "Estabelecemos um sistema de classificação em que cada caso é submetido a um dos cinco níveis de atendimento, que vão do vermelho ao azul. Assim, atribuímos um número de horas limite de espera onde o paciente que recebeu a cor azul, por exemplo, pode, no máximo, esperar 240 minutos pelo atendimento."
Os hospitais foram equipados para realizar a classificação de risco e os hospitais de pequenas cidades como Brasília de Minas, Janaúba, Pirapora e Taiobeiras foram ampliados e passaram a ter, cada um, dez leitos de UTI.
A rede conta com 20 hospitais que atendem casos de urgência e oito hospitais voltados à emergência. "Hoje, na emergência, somente 20% dos pacientes esperam cerca de seis horas para serem atendidos. Antes da implantação da rede, cerca de 70% dos pacientes esperavam mais de 6 horas pelo atendimento."
A coordenadora da FGV Saúde, da FGV/Eaesp, Ana Maria Malik, o modelo adotado no norte de Minas é uma alternativa para ter mais eficiência na saúde. "É um modelo bom e que inovou, mas não podemos chamar de solução, mas de uma alternativa que deu certo", observa, acrescentando que a falta de verbas ainda é uma constante no setor.
Segundo ela, o projeto de Minas, que levou bons resultados na prestação de serviços à população, pode ajudar outros Estados. "Já temos algumas iniciativas no Paraná e em São Paulo. Na Bahia, há uma proposta alternativa que visa melhorar o sistema de saúde também."
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