Valor Econômico
10 de Novembro, 2011
Construtora e administradora de shoppings, dona de 14 centros comerciais. Com esse tripé, a Multiplan tem condições de permanecer ilesa à desaceleração que aplaca a atividade comercial brasileira desde o início do ano, avalia o vice-presidente e diretor de relações com investidores (RI) da empresa, Armando d`Almeida.
“Se o varejo crescer menos, não quer dizer que os shoppings serão prejudicados”, diz d`Almeida, que nota um descolamento entre o resultado da atividade comercial do shopping para a do restante do varejo.
Corroboram as palavras de D`Almeida, os números da Multiplan no terceiro trimestre deste ano. Conforme balanço publicado pela companhia nesta quinta-feira, as vendas dos shoppings centers da Multiplan aumentaram 11,8% no terceiro trimestre ante igual período de 2010, atingindo R$ 2 bilhões. No acumulado de 2011 até setembro, as vendas sobem 13,1%, em relação a igual período do ano passado.
O comércio, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), também divulgada nesta quinta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano acumula alta de 7%, enquanto a receita nominal tem avanço de 12,1%.
“Os shoppings estão cada vez mais diversificados, oferecendo inclusive serviços em suas lojas. Nossa receita não depende exclusivamente do comércio”, afirma. “Ainda temos boas perspectivas para o varejo como um todo”, completa.
No terceiro trimestre deste ano frente a igual período de 2010, a receita bruta da Multiplan cresceu 13,7%, para R$ 181,818 milhões, ao passo que a receita líquida subiu 13%, para R$ 165,658 milhões.
Nesta base de comparação, o lucro líquido cresceu 40,8%, chegando a R$ 65,268 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) subiu 52,8%, a R$ 111,56 milhões. Considerando apenas as atividades de shoppings da companhia, o Ebitda somou R$ 116,2 milhões no período, alta 73,7% ante o terceiro trimestre de 2010.
Entre os fatores que explicam o desempenho da companhia, diz D`Almeida, estão os fundamentos macroeconômicos brasileiros, como queda do desemprego, aumento da renda da população, crescimento da classe C, expansão do crédito, mas também o controle de despesas da empresa no terceiro trimestre de 2011.
Entre as despesas da Multiplan, as de sede, a mais elevada, caíram 15,3% no período julho-setembro na comparação com igual período de 2010, para R$ 20,955 milhões.
A dívida bruta da companhia, após o terceiro trimestre de 2011, ficou em R$ 595,552 milhões, aumento de 14,9% na relação com o segundo trimestre do ano. A dívida líquida, que desconta o que a empresa tem em caixa, foi para R$ 62,692 milhões. Dos R$ 595,552 milhões em dívida bruta, R$ 505,571 milhões são de dívida de longo prazo.
“Nossa dívida líquida é muito pequena. Existe espaço para aumentar nossa alavancagem e temos caixa para fazermos frente a possíveis investimentos”, diz o diretor de RI.
Segundo D`Almeida, mesmo enfrentando dificuldades de mercado, como aumento de preços de insumo e de mão de obra, a Multiplan está em dia com o cronograma de investimentos anunciado no fim de 2010 para o período 2011-2012. Nesta semana, a companhia inaugurou, sem atrasos, um shopping em São Caetano do Sul, no ABC Paulista.
Até o fim de setembro, a Multiplan investiu R$ 468 milhões e tem programado mais R$ 243 milhões até dezembro, totalizando R$ 711 milhões. Ano que vem, os investimentos chegarão a cerca de R$ 1 bilhão. De olho no crescimento, a Multiplan tem cerca de 600 mil metros quadrados de terrenos ainda não utilizados.
A área bruta locável (ABL) própria final da Multiplan é de cerca de 372 mil metros quadrados e a empresa pretende expandir em 66% até 2013, para 617 mil metros quadrados.
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